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Capa do romance A Criança Que Carreguei em Segredo

A Criança Que Carreguei em Segredo

Após erguer um império com Bruno, descobri sua traição cruel através de um relato anônimo enquanto eu operava de urgência. O pior ocorreu quando Jéssica, a amante dele, me agrediu, provocando a perda do bebê que eu esperava em segredo. Mesmo após me salvar de um incêndio, Bruno implorou para que eu poupasse a mulher que matou nosso filho. Diante de tamanha audácia, meu amor morreu. Agora, busco justiça e planejo a destruição total de tudo o que ele valoriza.
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Capítulo 1

Eu estava me recuperando de uma cirurgia de úlcera causada por estresse, o preço que paguei por construir um império com meu marido, Bruno. Ele disse que estava em um jantar de trabalho. Ele mentiu.

Da minha cama de hospital, encontrei sua confissão anônima online: um relato sórdido de seu caso com uma jovem estagiária enquanto sua parceira "doente" estava ausente. Os detalhes batiam perfeitamente.

Mas o verdadeiro horror veio depois. Sua amante, Jéssica, em um acesso de fúria, me empurrou com tanta força que eu caí. A queda causou um aborto espontâneo, tirando a vida do filho que eu carregava em segredo — o filho que ele tanto me implorou para ter.

Mais tarde, ele me salvou de um incêndio, o que o deixou com uma perna destroçada. No hospital, ele implorou pelo meu perdão, e depois me suplicou para poupar Jéssica das consequências.

"Ela é só uma garota", ele suplicou.

Ele queria que eu salvasse a mesma pessoa que destruiu nosso bebê.

Naquele momento, a mulher com quem ele se casou morreu. Eu decidi que não iria apenas abandoná-lo. Eu iria destruir sistematicamente tudo o que ele já havia construído.

Capítulo 1

Ponto de Vista de Helena Freitas:

As paredes brancas e estéreis do quarto do hospital pareciam uma tumba, cada tique-taque do relógio ecoando o vazio da ausência de Bruno. Meu estômago queimava com um fogo que não tinha nada a ver com a cirurgia que eu acabara de fazer. Meu celular, uma tábua de salvação nesta agonia silenciosa, vibrou com uma notificação: SegredosAnônimos acaba de postar uma nova história.

Hesitei por um momento, meu polegar pairando sobre a tela. Era uma comunidade que eu seguia há anos, um espaço onde as pessoas expunham suas almas sob o manto do anonimato. Normalmente, oferecia um conforto estranho, um lembrete de que todos carregavam seus próprios fardos. Hoje, parecia um convite para outro tipo de dor.

Abri o aplicativo. O post era uma confissão longa e divagante, contada da perspectiva de um homem. Ele começou com uma mentira, uma desculpa esfarrapada que inventou para escapar de sua parceira. Ele precisava fugir, escreveu, precisava de espaço. Meu estômago se contraiu.

Então ele mencionou a doença de sua parceira. *Ela está doente de novo. Sempre alguma coisa com o estômago dela. Honestamente, é exaustivo.* As palavras foram um soco no estômago, mais frias que os cubos de gelo derretendo no copo ao lado da minha cama.

Ele contou como sua companhia mais jovem insistiu que ele silenciasse o celular, especialmente qualquer mensagem de sua parceira de verdade. *Ela fica com ciúmes, sabe? Tão fofa.* Fofa. Minha visão embaçou.

Ele descreveu os dramas de sua acompanhante, uma tosse falsa, uma dor de cabeça fingida. *Ela só quer minha atenção, e eu não consigo evitar dar a ela. Ela é tão delicada, tão pura.* Delicada. Pura. As palavras tinham gosto de bile.

Ele detalhou como a acalmou, acariciando seus cabelos, sussurrando palavras de conforto. Seu toque, suas palavras ternas — essas coisas já foram minhas.

Então veio a maratona de compras. *Ela pegou meu celular e enlouqueceu em algum site de grife. Disse que precisava de terapia de compras. Minha pequena gastadora, sempre conseguindo o que quer.* Ele a observou, escreveu, com uma indulgência afetuosa que fez minha garganta se fechar.

Ele confessou um estranho afeto por sua natureza exigente. *Ela é tão diferente... delas. Ela sabe como viver, como aproveitar. Minha parceira de verdade, ela é sempre tão... prática.* Prática. Certo.

Depois que ela adormeceu, ele distraidamente navegou pelo celular, verificando o estrago em sua conta bancária. Foi quando ele viu. Uma mensagem de sua parceira de verdade sobre sua cirurgia. Uma úlcera. Induzida por estresse. *Provavelmente minha culpa, para ser honesto.* Um lampejo de culpa, rapidamente descartado.

Ele então refletiu sobre o contraste gritante entre suas duas vidas. *Minha parceira, ela nem sonharia em gastar tanto. Sempre economizando cada centavo, sempre poupando. Diz que é para o nosso futuro. O meu futuro. Esta aqui, no entanto, ela apenas vive o momento.*

Eu encarei a tela, cada palavra um caco de vidro. Úlcera por estresse. Economizando cada centavo. Nosso futuro. As palavras-chave gritavam para mim. Lembrei-me do delicado colar de prata que eu queria há anos, aquele que eu deixei de comprar, dizendo: "Talvez quando a empresa atingir o próximo marco." Estávamos construindo este império juntos, tijolo por tijolo, sacrificando tudo, incluindo minha saúde, por um futuro que deveríamos compartilhar.

Meus dedos tremeram enquanto eu rolava para a seção de comentários. Eram um coro de indignação, uma multidão digital despedaçando o autor anônimo. *Que canalha! Deixe sua esposa! Ela merece coisa melhor!* A raiva coletiva deles era um conforto estranho e oco.

Eu queria desligar tudo, fingir que não tinha lido. Bati o celular com a tela para baixo na mesa de cabeceira. *É uma coincidência. Apenas uma coincidência. Isso acontece com as pessoas o tempo todo.* Eu cantava isso como um mantra, mas as palavras pareciam finas e frágeis, incapazes de conter a verdade.

Horas depois, a porta se abriu com um rangido. Bruno estava lá, seus olhos vermelhos, seu terno amassado. Ele correu para o meu lado, seu rosto marcado por uma preocupação, ainda que tardia. "Helena, meu amor! Me desculpe, o trânsito estava um pesadelo. O jantar de trabalho se estendeu, você sabe como são esses clientes."

Ele se inclinou, pressionando um beijo na minha testa. Parecia estranho, distante. O colarinho de sua camisa estava torto, a gravata afrouxada, mas outra coisa chamou minha atenção. Um perfume fraco e doce, não o meu, não o perfume dele. Era floral, enjoativamente feminino. Meu olhar caiu para o pescoço dele. Sem prendedor de gravata. Sem cachecol. Nada para esconder.

Jantar de trabalho? Ou foi uma escapada romântica? Um nó frio se apertou no meu estômago, pior que a úlcera.

Ele tirou uma pequena caixa de veludo do bolso. "Eu sei que não é muito, mas eu vi e pensei em você. Para compensar minha ausência."

Dentro, aninhado em uma almofada de seda, estava o colar de prata. Aquele que eu queria há anos, aquele que eu sacrifiquei pelo nosso futuro. Minha respiração falhou.

"Bruno", sussurrei, o nome um estranho na minha língua.

"Eu sei, amor. Eu sei que pisei na bola. Mas eu vi isso, e lembrei que você sempre quis. Eu só quero que você seja feliz." Ele estendeu a mão para tocar minha bochecha, sua testa franzida com o que parecia ser preocupação genuína. "Você está tão pálida. Está com dor?"

Eu queria gritar. Eu queria rir. Seu afeto repentino. Os comentários do post anônimo brilharam em minha mente. *"Ele está comprando presentes agora? Isso é sempre um sinal."* Meu coração, já machucado e maltratado, se partiu em mil pedaços.

"Não, Bruno", eu disse, minha voz mal um sussurro. "Estou apenas cansada."

Ele assentiu, aliviado. Mas o colar parecia uma corrente pesada em volta do meu pescoço, um colar de ferro forjado na traição.

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