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Capa do romance A Cova Que Cavaram Para Ela

A Cova Que Cavaram Para Ela

Após um grave acidente, fui abandonada pela minha família e pelo meu noivo, Caio, que me desejou a morte enquanto preparava seu casamento com minha meia-irmã. Declarada morta e enterrada sob mentiras, sobrevivi. Cinco anos depois, ressurjo como Isabela Ricci, uma autora de sucesso casada com um poderoso CEO. Voltei apenas para reivindicar a herança de minha mãe, mas o destino me coloca diante de Caio, que agora chora sobre o túmulo da mulher que ele mesmo descartou.
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Capítulo 2

Ponto de Vista: Isabela

Observei o velho coveiro se afastar, sua curiosidade satisfeita por enquanto. Caio ainda estava lá, uma estátua de incredulidade, agarrando aqueles patéticos lírios de plástico. O silêncio se estendeu entre nós, denso com anos não ditos e feridas infeccionadas.

Ele finalmente se moveu, jogando os lírios descuidadamente na grama, suas pétalas desbotadas uma triste mancha de cor contra a terra úmida. Seus olhos, embora ainda injetados, endureceram com uma raiva familiar.

"Como você ousa?", ele cuspiu, sua voz baixa e perigosa. "Como você ousa aparecer aqui como se nada tivesse acontecido? Cinco anos, Isabela! Cinco anos nós pensamos que você estava morta! Você gostou de nos ver de luto por você? Gostou de nos fazer sentir culpados?"

Culpados? A palavra tinha gosto de veneno na minha boca. Eu quase ri.

"Culpados?", repeti, um divertimento frio no meu tom. "Vocês se sentiram culpados?"

Ele recuou, sua mandíbula se contraindo. "Claro que sim! Meu Deus, Isabela, você tinha sumido! Tivemos um funeral, um túmulo para você!" Ele gesticulou descontroladamente em direção à lápide. "Você sabe o que isso fez comigo? Com a Aline? Com a sua família?"

Minha família. A dor daquelas palavras, a memória de sua traição, era uma pontada surda no meu peito. Lembrei-me da última vez que o vi, que realmente o vi. Foi um borrão de luzes piscando e metal retorcido, uma luta frenética para respirar.

"Você me ligou do hospital", eu disse, minha voz mal um sussurro, mas cortou o ar entre nós. "Minha perna estava estilhaçada, minhas costelas quebradas. Os médicos não tinham certeza se eu sobreviveria."

Ele recuou, como se tivesse sido atingido. "Eu... eu sei. Foi terrível, Isabela, de verdade."

"Terrível?" Eu ri então, um som áspero e quebradiço. "Você me disse que não podia vir. Disse que tinha 'outras obrigações'. Disse que sentia muito, mas a Aline precisava mais de você."

As palavras saíram tropeçando, cada uma um caco afiado de memória.

Flashback

"Caio, por favor", eu murmurei, minha garganta arranhando. O quarto do hospital cheirava a antisséptico e desespero. "Estou com medo. Eles disseram que talvez eu não ande de novo."

Sua voz ao telefone era distante, tensa. "Eu sei, Isa. Sinto muito. De verdade. Mas a Aline... ela está passando por um momento tão difícil com tudo isso. Ela precisa que eu seja forte por ela. O papai Donato já está tão estressado com os preparativos do casamento."

"Os preparativos do casamento?", engasguei, lágrimas ardendo em meus olhos. "Caio, nosso casamento ainda está a semanas de distância. E o casamento dela com você é amanhã!"

Ele suspirou, um som impaciente. "É complicado, Isa. Você sabe como a Aline é. Tão frágil. Todo esse acidente a deixou no limite. Ela precisa que eu esteja lá amanhã. Para a prova do vestido. Para o jantar de ensaio. Ela não consegue fazer isso sem mim."

"Mas eu estou morrendo, Caio!", gritei no telefone, minha voz falhando. "Eu estou morrendo, e você está escolhendo ela em vez de mim! Você está escolhendo a Aline, a mulher que roubou meu anel de noivado, a mulher que disse a todo mundo que eu estava fingindo meus ferimentos para chamar a atenção!"

Houve um longo silêncio. Então, sua voz, fria e desprovida de qualquer calor. "Sabe de uma coisa, Isabela? Talvez seja melhor se você simplesmente... desaparecer. A Aline merece felicidade. Felicidade de verdade. Não esse drama que você constantemente traz. Apenas vá. Vá para o inferno, por mim."

Fim do Flashback

"Vá para o inferno", repeti, meu olhar fixo nele. "Essas foram suas palavras exatas, não foram, Caio? 'Vá para o inferno'. Eu apenas segui seu conselho."

Seu rosto era uma máscara de confusão, depois raiva. "Isso foi só... uma hipérbole! Eu estava estressado! Estávamos todos estressados! Você sempre foi tão dramática, Isabela. Sempre fazendo tudo ser sobre você." Ele passou a mão pelo cabelo, me olhando de cima a baixo. "Mas olhe para você. Você... você está bem. Na verdade, você está incrível. Roupas novas? Corte de cabelo novo? Isso é algum tipo de jogo doentio? Você fingiu sua morte para se vingar de nós, não foi? Para me fazer sentir mal?"

Ele se aproximou, um sorriso presunçoso se formando em seus lábios. "Bem, funcionou. Por um tempo. Mas Aline e eu estamos felizes. Realmente felizes. Você não estragou nada." Ele gesticulou vagamente em direção à lápide. "Se este é o seu grande retorno, tentando me fazer arrepender, você chegou tarde demais. Olha, Isabela, se você quer voltar, talvez possamos conversar. A Aline sempre teve um carinho por você, apesar de tudo. Mas você terá que se desculpar. Por essa palhaçada. E por perturbar a paz dela."

Eu não aguentava mais. A audácia, a autopiedade, a pura ilusão.

"Você é verdadeiramente patético", eu disse, minha voz pingando desprezo. "Eu não voltei por você, Caio. Eu não voltei pela Aline, ou pelo Diego, ou pelo Donato. Eu voltei pela minha mãe. E nada mais."

Dei um passo para passar por ele, indo em direção à saída do cemitério.

"Faça um favor a si mesmo, Caio", gritei por cima do ombro, sem me dar ao trabalho de olhar para trás. "Pegue aqueles lírios de plástico. Eles combinam mais com você do que qualquer flor de verdade jamais combinaria."

Ouvi seu suspiro engasgado, mas continuei andando. Eu não ia deixar que ele me puxasse de volta para aquele pântano tóxico. Nunca mais.

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