
A Companheira Indesejada Dele é uma Loba Branca Secreta
Capítulo 3
Ponto de Vista: Luísa
O sorriso de Íris era triunfante, acreditando que havia vencido. Ela bateu uma unha perfeitamente manicure em sua têmpora, um olhar presunçoso no rosto.
"Meu Alfa, querido, tem uma Ômega maluca causando uma cena aqui. Você deveria vir e resolver isso."
Senti a ondulação de sua transmissão de Elo Mental, uma transmissão grosseira e pública em comparação com a conexão íntima que eu compartilhava com Vicente. Foi como ouvir alguém gritar em uma biblioteca.
E eu senti a resposta. Uma presença familiar, se aproximando. Meu companheiro.
A pesada porta de carvalho se abriu.
Vicente Harper, meu marido de dez anos, o Alfa da Alcateia Mata Negra, estava silhuetado na porta. Ele era tão bonito quanto no dia em que o conheci, seus ombros largos preenchendo o batente, sua presença irradiando um poder que fazia o ar crepitar.
Seus olhos percorreram a sala e, por uma fração de segundo, eles se fixaram nos meus. Vi o choque piscar em suas profundezas, um pânico breve e desprotegido. Ele me viu. Ele viu Michele, machucada e trêmula.
Então, desapareceu. Uma máscara de fria indiferença se abateu, tão completa que era aterrorizante. Ele olhou para mim, para sua própria filha, como se fôssemos completas estranhas.
"Vicente, querido!", chorou Íris, correndo para o seu lado e se agarrando ao seu braço. "Essa mulher louca, ela atacou nossa Larissa! Ela quebrou o nariz dela!"
Larissa, desempenhando seu papel perfeitamente, soluçou em seu caro paletó. "Papai, ela disse que era sua companheira! Ela é louca!"
Os outros pais na sala, vendo seu Alfa, imediatamente começaram a clamar.
"Ela é uma lunática, Alfa!"
"Ela forçou a entrada aqui!"
"Ela afirma ser de uma alcateia morta!"
Vicente ouviu, seu rosto uma máscara de pedra. Ele olhou para mim, e sua voz, quando falou, foi a voz de um juiz proferindo uma sentença. Não era o tom quente e amoroso que ele usava em nosso canal privado. Era uma voz que eu nunca tinha ouvido dirigida a mim.
"Eu não sei quem você é", ele disse, cada palavra um caco de gelo perfurando meu coração.
Isso era um repúdio público. Uma profanação das Leis do Companheiro de Alma. Negar seu companheiro na frente dos outros era um dos maiores pecados, uma ferida que cortava mais fundo do que qualquer golpe físico. Senti nosso elo sagrado tremer e rachar, uma dor lancinante atravessando minha alma.
"Ela precisa se ajoelhar e pedir desculpas, papai!", exigiu Larissa, apontando para mim.
Vicente nem mesmo olhou para mim. Ele deu um aceno leve, quase imperceptível, para os dois Guerreiros da alcateia que o seguiram. "Punam a invasora."
Era um Comando do Alfa. A corrente de poder em sua voz era inegável, uma força projetada para compelir a obediência de qualquer lobo de ranking inferior.
Mas eu não era uma loba comum. A Loba Branca em meu sangue, o sangue de Alfas e Lunas que remontava à própria Deusa da Lua, se eriçou contra o comando. Eu poderia resistir.
Mas eu os deixei vir.
Dois Guerreiros corpulentos agarraram meus braços, seus apertos como ferro. Eles me forçaram a ajoelhar no chão frio e duro. A humilhação era uma coisa física, um manto pesado se assentando sobre mim.
Larissa pegou uma régua de madeira pesada da mesa de um professor. Era uma antiga e ornamentada, com finas linhas de prata incrustadas para decoração.
Seus olhos brilharam com malícia. "Isso é por ter me tocado", ela rosnou.
Ela ergueu a régua bem alto e a desceu sobre minhas costas.
Uma linha de fogo puro irrompeu em minha pele. A incrustação de prata tornou-a mais do que apenas um golpe; era tortura. Outro golpe, e outro. Cada um enviava um choque de agonia através de mim, o cheiro da minha própria carne queimando enchendo minhas narinas.
Do outro lado da sala, Vicente observava, seu rosto impassível. Mas eu vi. Vi as veias saltando em seus punhos cerrados. Vi o músculo saltando em sua mandíbula. Através do nosso elo danificado, eu podia sentir um fantasma da minha dor ecoando nele. O elo de companheiros funciona nos dois sentidos. Meu sofrimento era o dele.
E ainda assim, ele não fez nada. Ele ficou ali e observou enquanto sua companheira era espancada por um plano que ele havia colocado em movimento.
Eu tossi, um esguicho de sangue e saliva atingindo o chão polido. Levantei a cabeça, meu cabelo grudado no rosto de suor, e encontrei seus olhos.
Eu lhe dei um sorriso ensanguentado e quebrado.
"Você vai se arrepender de rejeitar sua Luna", eu grasnei, minha voz fraca, mas clara.
Assim que as palavras saíram dos meus lábios, um novo som encheu o ar. Um zumbido baixo e profundo que cresceu rapidamente. Era o som de rotores pesados batendo o ar até a submissão.
WHUMP. WHUMP. WHUMP.
Todos congelaram, olhando para as grandes janelas.
Três helicópteros de nível militar pairavam do lado de fora, seus holofotes inundando a sala com uma luz branca ofuscante. Cordas caíram de suas portas abertas, e figuras em equipamento tático preto desceram com uma velocidade e precisão aterrorizantes.
As janelas se estilhaçaram para dentro. Soldados, armados e vestidos com a insígnia do Alto Conselho dos Lobisomens, entraram na sala, garantindo-a em segundos.
Seu líder, um oficial de rosto severo com mechas prateadas no cabelo, caminhou diretamente para mim. Ele ignorou o Alfa, os agressores, todos. Ele parou diante da minha forma ajoelhada e se curvou em uma reverência baixa e formal, um antigo gesto de lealdade dos lobos.
"Luna Luísa", ele disse, sua voz retumbando com autoridade. "O Juramento da Lua de Prata foi atendido. A Guarda do Alto Conselho está ao seu comando."
A sala inteira ficou em silêncio mortal. O poder acabara de mudar de mãos.
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