
A CEO Rejeitada e Sua Reviravolta
Capítulo 2
Sofia Mendes sentia o cheiro familiar de café torrado e terra molhada, o aroma que definia sua vida inteira, mas hoje parecia diferente, quase sufocante.
Ela estava sentada à mesa de um restaurante caro, um lugar que seu pai escolhera para um almoço de família. Do outro lado da mesa, seu noivo, Pedro Almeida, sorria, o tipo de sorriso que ficava perfeito em fotos de revistas, mas que nunca alcançava os olhos. Ao lado dela, sua melhor amiga, Camila Silva, apertou sua mão por baixo da mesa, um gesto que deveria ser de conforto, mas que fez a pele de Sofia se arrepiar.
"Então, o contrato com os japoneses está quase fechado", disse o pai de Sofia, um homem robusto cujas mãos mostravam uma vida inteira de trabalho nos cafezais. "Será o maior negócio da história da Fazenda Mendes."
"Isso é maravilhoso, pai", Sofia respondeu, tentando forçar um entusiasmo que não sentia.
Pedro se inclinou para frente, o interesse brilhando em seus olhos pela primeira vez durante o almoço. "Isso significa um grande lucro, certo, senhor Mendes?"
O pai de Sofia apenas o olhou, um olhar que misturava desprezo e resignação. "Significa que o trabalho de três gerações está sendo reconhecido, Pedro."
A família Mendes era tradicional e discreta, mas sua influência no agronegócio do café era imensa. Eram uma dinastia silenciosa, uma fortuna construída grão a grão, longe dos holofotes que pessoas como Pedro tanto cobiçavam.
De repente, uma figura alta e imponente parou ao lado da mesa deles.
Sofia ergueu os olhos e seu estômago revirou. Lucas Costa, herdeiro do império da soja dos Costa, seus rivais de infância e de negócios, estava ali, olhando diretamente para ela com um sorriso zombeteiro.
"Mendes", ele disse, a voz grave e divertida. "Não sabia que vocês comiam comida de verdade. Pensei que só se alimentassem de grãos de café."
O pai de Sofia enrijeceu. A rivalidade entre os Costa e os Mendes era lendária na região, uma batalha silenciosa entre o ouro verde da soja e o ouro negro do café.
"Costa", Sofia respondeu, a voz fria. "O que você quer?"
"Só passando para dar um oi", ele disse, seus olhos percorrendo a mesa e parando em Pedro com um desprezo mal disfarçado. "Aproveitem a refeição."
Ele se afastou, tão rápido quanto apareceu, deixando uma tensão desconfortável para trás.
"Que homem arrogante", Camila sussurrou, mas Sofia viu um brilho estranho nos olhos dela enquanto observava Lucas se afastar.
O almoço continuou, mas o clima havia mudado. Mais tarde, enquanto estavam saindo do restaurante, o celular de Sofia tocou. Era seu assistente.
"Sofia, tenho más notícias. O acordo com a cooperativa do Sul... eles recuaram. Disseram que receberam uma oferta melhor."
Sofia sentiu um soco no estômago. Ela havia trabalhado naquele acordo por meses. Era seu projeto, sua chance de provar ao pai e a si mesma que era mais do que apenas a herdeira.
"Como assim? Que oferta melhor?", ela perguntou, a voz falhando.
"Não sei os detalhes, mas a oferta veio de um concorrente local. Foi muito agressiva."
Sofia desligou, sentindo o peso do fracasso. Ela olhou para Pedro, esperando algum apoio.
Ele estava ocupado tirando uma selfie. "O ângulo aqui é ótimo, não acha, amor?"
Camila se aproximou, passando um braço pelos ombros de Sofia. "Não se preocupe, amiga. Você fez o seu melhor. Algumas pessoas simplesmente não nasceram para os negócios, sabe?"
As palavras eram doces, mas o veneno por trás delas era claro. Camila sempre fora assim, dissimulada, com uma inveja que ela mal conseguia esconder. Sofia sentiu um calafrio, uma sensação de que algo estava terrivelmente errado, muito além de um acordo de negócios perdido.
Naquela noite, deitada na cama, ela não conseguia dormir. Seu celular vibrou na mesa de cabeceira. Era uma mensagem de Pedro.
Preciso falar com você. Uma coisa séria.
Uma sensação de pavor tomou conta de Sofia. Ela sabia, com uma certeza assustadora, que sua vida estava prestes a desmoronar.
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