
A CEO Rejeitada e Sua Reviravolta
Capítulo 3
Na manhã seguinte, Sofia encontrou Camila em uma cafeteria perto do escritório onde Camila trabalhava. O cheiro de expresso e croissants normalmente a acalmaria, mas hoje só aumentava sua ansiedade.
"Você parece horrível", Camila disse com uma falsa preocupação, mexendo seu cappuccino.
"Não dormi bem", Sofia respondeu, indo direto ao ponto. "O que você quis dizer ontem, sobre 'algumas pessoas não nasceram para os negócios'?"
Camila arregalou os olhos, fingindo inocência. "Sofia! Eu só estava tentando te consolar. Você é tão sensível. Eu só quis dizer que você não precisa se estressar com isso. Você é uma Mendes, nunca vai precisar trabalhar de verdade."
A condescendência na voz dela era palpável. Cada palavra era um pequeno corte, calculado para diminuir Sofia.
"Eu gosto do meu trabalho, Camila. E eu sou boa no que faço."
"Claro que é, querida", Camila disse, dando um tapinha na mão de Sofia. "Olha, não vamos brigar. Eu só quero o seu bem. Talvez você devesse se concentrar no casamento. Planejar festas é algo que você faz tão bem."
Sofia se levantou, a raiva queimando em seu peito. Ela não conseguia mais ficar ali, ouvindo aqueles insultos velados. "Tenho que ir."
Ela saiu da cafeteria sem olhar para trás. Se tivesse olhado, teria visto o sorriso triunfante no rosto de Camila. Sozinha na mesa, Camila pegou o celular e enviou uma mensagem.
Ela está desconfiada. Você precisa fazer isso logo.
A resposta chegou um segundo depois.
Hoje à noite. Esteja pronta.
Camila sorriu, bebeu o resto de seu cappuccino e saiu, deixando para trás apenas o cheiro de falsidade.
Naquela noite, Pedro levou Sofia para jantar no restaurante mais exclusivo da cidade, o tipo de lugar onde as reservas precisavam ser feitas com meses de antecedência. Sofia pensou que talvez ele estivesse tentando se desculpar por sua atitude no dia anterior.
Ela estava errada.
Pedro mal olhou para ela durante todo o jantar. Ele estava no celular, rindo de algo que via na tela, respondendo mensagens com um sorriso no rosto. Quando o garçom veio anotar o pedido, Pedro nem perguntou o que Sofia queria.
"Vamos querer o filé com molho de trufas e uma garrafa do Malbec mais caro que tiverem", ele disse ao garçom, sem tirar os olhos do telefone.
Sofia sentiu uma onda de humilhação. Ela era invisível.
Para tentar salvar a noite, ela tirou uma pequena caixa de veludo da bolsa. "Eu tenho uma coisa para você. Pelo nosso noivado."
Dentro da caixa havia um relógio suíço de edição limitada, algo que ela sabia que ele cobiçava há muito tempo.
Pedro abriu a caixa, olhou para o relógio por um segundo e o colocou na mesa. "Ah, legal. Valeu, amor." Ele voltou a atenção para o celular imediatamente.
O relógio, que valia mais do que o carro da maioria das pessoas, ficou ali, esquecido ao lado do cesto de pães.
O coração de Sofia afundou. A indiferença dele era mais dolorosa do que qualquer briga.
Finalmente, depois que os pratos principais foram servidos e mal tocados, Pedro largou o celular. Ele a olhou nos olhos pela primeira vez naquela noite, e o que ela viu a gelou por dentro. Não havia amor, nem carinho. Apenas um tédio frio.
"Sofia, eu preciso ser honesto com você", ele começou, com a voz séria. "Isso não está funcionando."
Sofia sentiu o ar faltar em seus pulmões. "O que... o que você quer dizer?"
"Eu não posso mais fazer isso", ele disse, sem rodeios. "Eu quero terminar."
Ela o encarou, sem palavras.
Ele continuou, a voz desprovida de qualquer emoção. "A Camila está grávida."
O mundo de Sofia parou. As palavras ecoaram em sua cabeça, se misturando ao som distante dos talheres e das conversas no restaurante. Camila. Sua melhor amiga. Grávida. Do seu noivo.
A traição era tão imensa, tão completa, que ela não conseguia nem processar.
Pedro não pareceu notar seu estado de choque. Ele continuou, com uma crueldade inacreditável.
"Nós vamos nos casar. Na verdade, vamos dar uma festa de noivado no próximo fim de semana. E eu queria que você viesse."
Sofia o encarou, a incredulidade dando lugar a uma raiva fria e cortante.
"Por quê?", ela conseguiu sussurrar.
"Para mostrar a todos que não há ressentimentos", ele disse com um sorriso presunçoso. "Seria bom para sua imagem. E para a nossa."
Ele não estava apenas terminando com ela. Ele não estava apenas revelando que a traiu com sua melhor amiga. Ele estava pedindo que ela fosse cúmplice de sua própria humilhação pública, que sorrisse e fingisse enquanto ele celebrava sua nova vida construída sobre as ruínas da dela. Era um ato de crueldade tão profundo, tão descarado, que tirou o fôlego de Sofia.
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