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A CEO e o faxineiro

Angelique Bellerose superou um passado de rejeição e insegurança para se tornar a CEO mais influente da Itália. Após provar seu valor ao mundo, ela vê sua vida mudar drasticamente em uma única noite ao acabar nos braços de Brandon Haddock, seu próprio faxineiro. Embora pudesse conquistar qualquer homem, Angelique se apaixona justamente pelo rapaz que ela salvou das ruas, enfrentando o dilema de desejar aquele que parece ser o mais proibido para sua realidade.
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Capítulo 3

— Uh! – Eu arfei buscando o ar ao sentir o corpo dele me pressionar contra a parede depois de um beijo que tirou meu fôlego.

Alex estava certo, nos vimos algumas vezes em outras doações que ele mesmo tinha feito questão de vir fazer mesmo sem a presença dos pais. Em uma delas ele marcou um encontro comigo, nos vimos em uma madrugada na rua atrás do orfanato. No início só conversávamos e ríamos de diversas situações, de certa forma encontramos conforto um no outro. Alex fugia das discussões infernais em casa e eu tinha meu momento de escape depois de ser atormentada pelas Barbie's Girls.

Eu me sentia diferente e livre, Alex passou a me levar a lugares que jamais sonhei em ir. Conheci o mar em um dos nossos encontros proibidos, e também foi em um deles que ele me deu o meu primeiro beijo.

O problema é que nós nunca mais paramos.

Quando nos víamos Alex me atacava e me beijava feito um animal. E bem, eu até que gostava... Era gostoso e de qualquer maneira nunca passamos de alguns amassos.

A parte mais divertida de tudo isso era rir em silêncio enquanto Bárbara se esforçava para chamar atenção de Alex a cada vez que ele aparecia no orfanato. Nós ríamos dela nas nossas escapadas noturnas.

Depois que conheci Alex os dias pareciam passar mais rápidos e mais leves. Um ano inteiro se passou e na próxima doação anual Alex e eu nos pegamos no banheiro mais próximo. Quando fizemos um ano e meio ele se lembrou da data e me levou até um quiosque na Barra da Tijuca para comer camarões.

Uma das coisas que eu gostava nele era que mesmo sendo rico e tendo um gosto requintado ele não se importava em fazer os passeios simples que mais me agradavam. Na verdade ele até gostava. Com roupas leves e um palito cheio de camarões nas mãos nós sentamos na faixa de areia perto do quebra mar da Barra para olhar a beleza na natureza.

— Olha só como sua boca está imunda, cheia de mostarda. – Juntou as sobrancelhas, brincando.

— E você vai me obrigar a limpar, é? – Provoquei-o entre uma mordida e outra.

— Não, vou limpar para você. – Ele capturou minha boca, passando a língua nos meus lábios antes de tentar me beijar e ser afastado pela minha mão suja.

— Você é nojento, sabia? – Impliquei enquanto o vento fresco movia alguns fios rebeldes do meu cabelo.

— Gostoso, você quis dizer.

— Hmm, talvez um pouco disso também. – Tirei uma mecha de cabelo do rosto. — Um ano e meio é um bom tempo, não acha?

— Acho, baby. Isso só prova que temos química, resta saber se teremos química também em outros aspectos. – Alex cheirou meu pescoço.

— Também prova outra coisa. – Encarei seus olhos castanhos especulaculativos.

— O que?

— Que podemos namorar, tecnicamente já é isso que estamos fazendo. – Mordi meu último camarão.

— Se já é isso que fazemos então para que mudar? Estamos bem assim, gata. – Alex beijou meu ombro desnudo.

— Mas eu quero compromisso, Alexandro. Não estou com você como forma de passatempo, para isso eu tenho meus livros. – Limpei meus dedos em um guardanapo.

— Relaxa, anjo. Vou dar um jeito nisso mais para frente.

— Vou te apresentar ao meu irmão assim que for oficial. Não quero viver escondida como se estivesse cometendo um crime, se ele descobre que estamos nos encontrando...

— Ele não vai. Em breve vou conhecê-lo e ele vai gostar de mim. Prometo.

— Mesmo?

— Claro que sim.

Depois daquela noite eu fiz inúmeros planos para nós dois, especialmente porque em breve eu iria sair do orfanato para morar com Ahren, ele cumpriu a promessa de conseguir um lugar para nós. Era alugado, mas pelo menos teríamos um teto sobre as nossas cabeças, ou telhas, quem sabe?

O problema é que os meses foram passando e Alex se esquivava de todas as minhas cobranças. Sua desculpa era que tinha falado com os pais e que eles odiaram a idéia dele assumir publicamente um namoro com uma garota de um orfanato. Traduzindo, uma garota pobre e sem sobrenome de peso.

Aquilo me matou por dentro, passei a odiar aquele casal fingido e dissimulado, eles queriam o que? Que Alex ficasse com alguém para ter um relacionamento de aparência tipo o deles? O que me deixava com mais raiva era Alex acatar esse absurdo mesmo morando sozinho, brigamos por causa disso e ele disse que os pais eram responsáveis por bancar seus estudos, e que por isso tinha que fazer suas vontades, para enfrentá-los ele precisaria arrumar um emprego e se bancar sozinho.

Pois eu só baixei a guarda quando ele provou que estava mesmo buscando um trabalho.

Segurei a onda e continuamos saindo escondidos por mais seis meses, mas quando fiz dezoito anos ele já tinha conseguido um bom emprego graças aos contatos influentes. Então eu lhe dei um ultimato: Ou iríamos namorar sério ou poderíamos parar de nos ver no momento que eu pusesse os pés para fora do orfanato.

— Assim você me quebra, gata. – Reclamou ele, no telefone.

— Vai ficar quebrado então, amor. Minhas malas estão prontas e estou me mudando amanhã mesmo, se não assumir o namoro você vai ser só mais uma coisa que eu vou deixar para trás.

— Tá certo, hoje mesmo vou mudar meu status de relacionamento e dizer aos meus pais que estamos juntos. Satisfeita?

— É o mínimo que pode fazer se gosta mesmo de mim. – Pontuei.

— É claro que gosto, e vou provar. Boa noite, anjo.

Quando eu acordei no dia seguinte dispensei o café, estava ansiosa para ir embora daquele lugar de uma vez por todas. A diretora reuniu todos no refeitório para que se despedissem de mim e depois me acompanhassem até a saída.

O que aconteceu a seguir foi impagável.

Ao chegar na sala Alex estava com um buquê enorme de rosas vermelhas e balões em forma de coração que tinham a frase que abalou as estruturas daquele orfanato e fez os queixos caírem.

“FELIZ DOIS ANOS DE NAMORO”

A partir daí foram só gritos, confusão e chororô. Assisti de camarote Bárbara perder o brilho e as outras meninas me olharem horrorizadas. Corri para os braços de Alex e lhe dei um beijo.

— Mas o que significa isso?! – A diretora se exaltou.

— Alex e eu estamos juntos há dois anos. Mas isso não é relevante agora que sou maior de idade e estou indo embora. – Respondi sorrindo.

— NÃO ACREDITO NISSO!!! Como é que você pôde escolher essa feiosa ao invés de mim, Alex?! – O rosto de Bárbara ficou vermelho feito cerejas frescas, seus olhos brilharam de ódio.

Alex deu de ombros, enlaçando minha cintura.

— Ela é mais interessante do que você, o que posso fazer?

— Urrrgh!!! – Ela gritou, batendo o pé e saindo da sala depois de esbarrar em algumas meninas da turminha.

O resto das meninas continuou de boca aberta. Cacau cruzou os braços, com nojo, como se estivéssemos cobertos de bosta.

— Você poderia ter escolhido qualquer uma, Alexandro. – Desdenhou ela.

— É. Mas eu não quis, fazer o que? – O olhei com um sorriso de orelha a orelha, eu amava aquele garoto. — A gente está vazando, vejo vocês na próxima doação.

Saímos do orfanato sob os olhares de fúria daquelas mal armadas. Aquela foi a manhã mais feliz da minha vida até ali.

— Eu vivi para ver esse momento acontecer! – Vibrei enquanto tomávamos café da manhã na primeira lanchonete que encontramos a caminho da casa do meu irmão.

— Vai ser ainda mais épico quando eu te mandar a gravação por e-mail. – Ele tirou o celular do bolso.

— Você gravou?!

— Acha que eu ia perder a chance de rever a cara delas?

Eu gargalhei tanto que meus óculos foram parar na minha boca. Depois de comermos Alex me levou embora e deixou na frente do endereço que meu irmão tinha me mandado por mensagem.

— Nenhuma chance de eu entrar? – Perguntou quando o carro parou.

— Não se quiser continuar vivo. Deixa eu contar a ele primeiro. – Alex me beijou antes de me ajudar a tirar minhas malas do carro.

Ele se despediu de mim com um tapa no meu traseiro e eu esperei que Ahren não estivesse vendo isso de alguma janela.

Um uber não iria se despedir com uma palmada daquelas.

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