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Capa do romance A Cegueira do Meu Marido, Minha Doce Vingança

A Cegueira do Meu Marido, Minha Doce Vingança

No aniversário de casamento, Íris descobre a traição de Estevão com sua irmã. Após ouvi-lo humilhá-la, ela abandona o luxo e pede o divórcio, renunciando à fortuna. Estevão a despreza, acreditando que ela voltará por necessidade. Ele só não imagina que a esposa que ele chama de inútil é, na verdade, o cirurgião lendário que ele busca para salvar sua amante. Íris ressurge poderosa, cobrando parte do império dele enquanto planeja sua vingança final.
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Capítulo 3

O escritório de Estevão de Bragança no quadragésimo segundo andar parecia uma fortaleza de vidro e aço. O advogado Sr. Duarte colocou uma pasta de couro sobre a mesa imaculada com uma calma exasperante.

- Aqui estão os documentos finais, Sr. Bragança. Minha cliente solicita a dissolução imediata. Renúncia explícita a pensão alimentícia, bens imóveis e ações.

Estevão olhou para o advogado com incredulidade.

- Quem está pagando você, Duarte? Você é o advogado mais caro da cidade. A Íris não tem nem para pagar o aluguel de um porão. Ela tem um amante? É isso?

Duarte manteve sua expressão profissional.

- Meus honorários foram cobertos por um fundo privado. A Sra. Nobre valoriza sua liberdade acima de qualquer negociação.

A palavra "liberdade" cravou-se no ego de Estevão. Assinou os papéis com traços violentos.

- Ótimo. Se ela quer brincar de ser independente, que seja. Diga a ela que quando estiver morando debaixo da ponte, não venha me pedir ajuda.

Quando o advogado saiu, Estevão pressionou o interfone.

- Guilherme, descubra onde ela está morando. E bloqueie o acesso dela a qualquer conta conjunta residual. Quero saber cada passo que ela der.

Guilherme entrou no escritório mais tarde, parecendo desconfortável.

- Senhor, é estranho. Não há rastro dela nos hotéis da cidade. Também não há contratos de aluguel no nome dela. É como se ela tivesse evaporado.

- Ninguém evapora, Guilherme. Continue procurando.

Enquanto isso, Íris caminhava até uma revendedora de carros usados na periferia. Precisava de transporte, mas não podia se dar ao luxo de chamar a atenção. Nada de Ferraris ou carros esportivos que gritassem "olhem para mim". Precisava de algo confiável e anônimo.

- Quero aquele sedã preto - apontou para um modelo comum, de três anos atrás, com o motor em bom estado. - Pago à vista.

O vendedor, um homem com a camisa suada, sorriu ao ver o maço de notas.

- Boa escolha, senhorita. Papéis em nome de...

- Em nome de "Logística Gaio Azul" - disse Íris, entregando os dados de uma empresa de fachada que criara naquela mesma manhã.

Uma hora depois, dirigia em direção ao shopping de luxo. Precisava de roupas adequadas para as reuniões que se aproximavam, não os conjuntos bege que Estevão aprovava. Entrou em uma boutique de alta costura, movendo-se com uma segurança que antes escondia sob camadas de timidez fingida.

No fundo da loja, ouviu uma voz familiar.

- Mamãe, olha esse vestido. É perfeito para o baile de caridade. O Estevão vai babar.

Eram Escarlate e Eveline. Íris parou um momento atrás de uma arara de casacos de pele. Elas carregavam sacolas das lojas mais caras.

- Pobre Estevão - disse Eveline com sua voz viperina. - Ter que lidar com o divórcio daquela inútil. Dizem que ela saiu sem nada. Provavelmente vai terminar limpando banheiros.

Escarlate riu.

- Ela merece por tentar roubar minha vida. Ah, olha, quem é aquela mulher ali?

Íris sabia que não podia se esconder eternamente. Ajustou os óculos escuros e saiu de trás da arara. Caminhou com passo firme em direção à saída, passando a poucos metros delas. Sua postura era erguida, sua aura gélida.

- Íris? - sussurrou Escarlate, atônita, reconhecendo vagamente a silhueta.

Íris não parou. Nem sequer virou a cabeça. Ignorou-as com a indiferença absoluta com que se ignora um inseto na parede. Essa falta de reação, essa negação da existência delas, foi mais insultante do que qualquer grito.

- Ei! - gritou Eveline. - Estou falando com você!

Mas Íris já havia saído da loja, deixando que a porta de vidro se fechasse suavemente atrás de si.

Escarlate pegou o telefone e digitou furiosamente uma mensagem para Estevão: "Acabo de ver a Íris. Ela nos ignorou completamente. Estava vestida como uma qualquer, mas agia como se fosse a rainha da Inglaterra. É patética."

Estevão recebeu a mensagem enquanto dirigia para casa. A descrição contraditória o confundiu. Uma qualquer ou uma rainha? Marcos João ligou naquele momento.

- Cara, esquece as mágoas. Vamos para a boate 'The Void'. Hoje é noite de máscaras. Você precisa espairecer.

Estevão olhou a mensagem de Escarlate de novo. A curiosidade queimava. Se Íris estava na cidade, cedo ou tarde cometeria um erro.

- Eu vou - disse Estevão. - Preciso parar de pensar nessa mulher ingrata.

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