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Capa do romance A câmera escondida capturou tudo

A câmera escondida capturou tudo

Por sete anos, abandonei o jornalismo para apoiar Heitor Montenegro na política, vivendo como sua esposa oculta. Tudo ruiu quando ele trouxe a amante para nossa casa. Após a mulher forjar uma queda e me acusar, Heitor me agrediu com ódio, escolhendo acreditar nela. Ao renascer naquele exato momento de traição, despertei com sede de justiça. Ele esqueceu um detalhe crucial: a câmera escondida registrou a farsa e a agressão que pretendiam esconder.
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Capítulo 2

Aurora POV:

A sala zumbia com sussurros, uma corrente frenética de fofocas estimulada por minhas palavras. O rosto de Bárbara era uma máscara de compostura forçada, mas seus olhos, fendas estreitas, prometiam guerra. Heitor, ao lado dela, parecia que queria me estrangular ali mesmo. Ótimo. Deixe-o sentir.

De repente, uma voz calma cortou a tensão crescente. "Aurora? Me desculpe, acabei de sair do meu turno. Pronta para ir?"

Todos se viraram. Meus olhos seguiram os deles, pousando em Gabriel Mendes. Ele estava na beira da multidão, um farol de elegância discreta. Ele não usava um terno sob medida como os outros homens; vestia uma camisa polo escura e calças sociais, o tipo de casual elegante que gritava "CEO de tecnologia que não responde a ninguém". Seu cabelo escuro estava levemente despenteado, como se ele tivesse acabado de passar os dedos por ele, e um par de óculos de aro fino realçava seus olhos inteligentes. Ele segurava uma pasta de notebook elegante e minimalista.

Ele encontrou meu olhar e ofereceu um sorriso caloroso e genuíno. Não o sorriso praticado e político que eu estava tão acostumada a ver. Este era diferente. Calmante.

"Gabriel!", ouvi-me dizer, o nome como uma tábua de salvação. Caminhei em sua direção, uma sensação de alívio me invadindo. "Na hora certa."

Ele pegou minha mão, seu toque firme e reconfortante. "Não perderia por nada neste mundo", ele murmurou, seu olhar varrendo os curiosos.

A esposa do senador, Dona Heloísa, ofegou novamente. "Gabriel Mendes! Meu Deus, Aurora, você guarda tantos segredos! Eu não sabia que vocês dois estavam... envolvidos." Seu tom mudou de especulativo para genuinamente impressionado. Gabriel Mendes era uma estrela em ascensão no mundo da tecnologia, uma mente brilhante por trás de algoritmos que moldavam a segurança nacional. Não apenas um namorado "reservado"; ele era o Gabriel Mendes.

"É um desenvolvimento recente", eu disse suavemente, deixando meus dedos se entrelaçarem com os de Gabriel. Sua mão era quente, me dando segurança.

"Bem, ele certamente é um partidão, querida", sussurrou outra socialite, alto o suficiente para ser ouvido. "Muito mais... substancial do que alguns desses tipos de Brasília."

Lancei um olhar para Heitor. Seu rosto era uma nuvem de tempestade. Bárbara estava praticamente vibrando de fúria ao lado dele. A percepção do público já estava mudando. Heitor odiava quando a opinião pública se voltava contra ele. Era exatamente isso que eu queria.

"Se nos dão licença", eu disse, dirigindo-me à sala, minha voz clara e confiante. "Gabriel e eu temos um compromisso muito cedo amanhã."

Ao me virar para sair, senti o olhar de Heitor queimando em minhas costas. Era um peso físico, pesado e possessivo. Ele não podia me deixar ir, não assim. Não publicamente. Eu o conhecia bem demais.

"Aurora!" Sua voz, afiada e imponente, ecoou pelo salão de festas.

Parei, a mão de Gabriel ainda na minha. Virei-me lentamente, encontrando seu olhar furioso. Minha expressão era cuidadosamente neutra. "Sim, Heitor?"

Seu rosto estava contorcido com uma raiva mal contida. "Você está esquecendo algo", ele disse entredentes, seus olhos dardejando para Gabriel, depois de volta para mim. "Somos esperados no jantar particular do Senador Queiroz."

Bárbara, sempre a oportunista, interveio, sua voz doentiamente doce. "Sim, Aurora, é uma oportunidade importante de networking para nós. Você sabe o quanto Heitor valoriza esses eventos." Ela enfatizou "nós", como se cimentasse seu lugar.

Olhei para Heitor, depois para Bárbara, um lampejo de nojo em meu coração. Nós. Era o que ele sempre dizia. Nunca eu. Nunca nós como em Heitor e eu.

"Agradeço o convite, Bárbara", eu disse, minha voz pingando falsa sinceridade. "Mas como eu disse, Gabriel e eu temos compromissos anteriores." Olhei para Gabriel, que deu um aperto suave em minha mão, uma afirmação silenciosa.

"Talvez em outra ocasião", acrescentei, meus olhos encontrando os de Heitor. Uma mensagem silenciosa passou entre nós: Não haverá outra ocasião.

Então me virei, puxando Gabriel gentilmente, e me afastei. Não olhei para trás. Não precisava. Podia sentir a fúria de Heitor como uma força física, mas ela não tinha mais poder sobre mim. Era um fogo morrendo.

Saímos para o ar fresco da noite. O manobrista trouxe o carro de Gabriel, um veículo elétrico elegante e discreto. Enquanto me acomodava no banco do passageiro, senti os últimos resquícios do olhar de Heitor. Foi só quando Gabriel se afastou do meio-fio, deixando a festa de gala brilhante para trás, que o peso realmente se dissipou.

"Obrigada, Gabriel", eu disse, soltando uma longa e lenta respiração que não percebi que estava segurando.

Ele olhou para mim, seu perfil iluminado pelas luzes da cidade. "Não precisa agradecer, Aurora. Foi um prazer." Sua voz era calma, reconfortante.

Não o pressionei por detalhes, e ele não ofereceu nenhum. Simplesmente dirigimos, o silêncio confortável um contraste gritante com o caos que eu acabara de deixar.

"Para onde?", ele perguntou, seus olhos na estrada.

"Minha casa, por favor", respondi, dando-lhe o endereço.

"Certo." Ele fez uma pausa, então sua mão foi para o bolso. "Antes de te deixar, posso pegar seu número?"

Virei-me para ele, surpresa. "Meu número?"

Ele ofereceu um pequeno sorriso. "Só para o caso de eu precisar te 'resgatar' de novo. Ou, sabe, para futuros compromissos matinais." Seus olhos brilhavam com um toque de humor.

Uma risada genuína borbulhou de mim, a primeira em anos, parecia. "Ok, Gabriel", eu disse, pegando meu celular. "É o mínimo que posso fazer pelo meu herói."

Trocamos números. Seus dedos roçaram os meus e, por um momento fugaz, senti uma faísca. Uma faísca boa. Uma faísca de esperança.

Quando paramos em frente à minha casa, aquela que Heitor e eu tecnicamente compartilhávamos, uma sensação de pavor me invadiu. Esta casa, antes um símbolo de nosso futuro compartilhado, agora parecia uma jaula. Ele raramente estava aqui, sempre em seu escritório de campanha ou com Bárbara, mas sua presença ainda assombrava as paredes. Estava cheia de nossas memórias, minhas esperanças.

Destranquei a porta, o silêncio lá dentro ainda mais pesado do que lá fora. Assim que entrei, meu celular vibrou na minha mão. Uma ligação. Minha chefe. Meu coração afundou. Lá vamos nós.

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