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Capa do romance A câmera escondida capturou tudo

A câmera escondida capturou tudo

Por sete anos, abandonei o jornalismo para apoiar Heitor Montenegro na política, vivendo como sua esposa oculta. Tudo ruiu quando ele trouxe a amante para nossa casa. Após a mulher forjar uma queda e me acusar, Heitor me agrediu com ódio, escolhendo acreditar nela. Ao renascer naquele exato momento de traição, despertei com sede de justiça. Ele esqueceu um detalhe crucial: a câmera escondida registrou a farsa e a agressão que pretendiam esconder.
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Capítulo 1

Durante sete anos, fui a esposa secreta de Heitor Montenegro, uma estrela em ascensão na política. Sacrifiquei minha própria carreira no jornalismo para ser sua "rocha", o fantasma nos bastidores de sua vida perfeita, sempre acreditando em sua promessa de que tudo aquilo era por nós.

Essa promessa se estilhaçou na noite em que ele trouxe sua amante, Bárbara, para nossa casa. Ela me olhou de cima a baixo, depois se jogou escada abaixo, soltando um grito teatral.

"Ela me empurrou!", ela gritou.

Heitor não hesitou. Ele me deu um tapa no rosto, seus olhos ardendo com uma fúria que eu nunca tinha visto.

"Sua vadia! O que você fez?!", ele rosnou, correndo para o lado dela.

Ele a aninhou em seus braços, seu rosto uma máscara de preocupação por ela e de puro ódio por mim. Ele acreditou nela instantaneamente, pronto para me pintar como um monstro violento e ciumento para proteger seu caso e sua carreira.

Naquele momento, vendo-o escolhê-la, vendo minha vida desmoronar sob seu olhar frio e indiferente, a mulher que o amou por vinte anos morreu.

Mas então eu estava de volta. Renascida naquele mesmo instante, com a memória de sua traição queimando em minha alma. E eu me lembrei da única coisa que ele havia esquecido: a câmera escondida na entrada, gravando seu crime perfeito.

Capítulo 1

Aurora POV:

Ele me disse que meus sonhos eram apenas fantasias bobas de garota, não planos reais para uma mulher destinada a estar ao seu lado.

Esse foi o primeiro sinal de alerta, talvez, mas eu era jovem demais e apaixonada demais para ver. Nossas famílias eram praticamente entrelaçadas. Heitor Montenegro. Até o nome dele soava importante, destinado a grandes coisas. Crescemos nos mesmos círculos de elite de Brasília, nossas infâncias um borrão de feriados compartilhados e segredos sussurrados sob mesas de mogno polido. Ele sempre foi o menino de ouro, encantando a todos com aquele sorriso fácil, mesmo quando estava fazendo algo totalmente errado.

Como na vez em que tínhamos dez anos. Entramos escondidos no escritório particular do Sr. Medeiros. Heitor me desafiou a tocar no globo antigo, aquele sobre o qual o pai dele sempre nos avisava. Eu toquei, claro. Sempre a obediente. Meus dedos traçaram os continentes desbotados, uma curiosidade inocente. Então Heitor agarrou minha mão, apertando-a, e apontou para o mapa antigo na parede. "Vê aquela mancha vermelha?", ele sussurrou. "É onde os bandidos moram. Você não pode confiar em ninguém de lá."

Eu não entendi. Não de verdade. Apenas senti um arrepio que não tinha nada a ver com a corrente de ar da janela.

Algumas semanas depois, minha professora de geografia, Dona Heloísa, mostrou um documentário sobre culturas globais. Um segmento apresentava um festival vibrante e colorido em um país marcado em vermelho no mapa do Sr. Medeiros. Fiquei fascinada. Eu soltei: "O Heitor disse que as pessoas de lá são más!"

A classe inteira ficou em silêncio. Dona Heloísa me olhou com uma expressão de dor. Mais tarde, ela me chamou de lado. Explicou como generalizações como aquela eram ofensivas, como não era verdade. Senti um nó de vergonha no estômago.

Quando meus pais descobriram, ficaram furiosos. Não comigo, mas com Heitor. Eles o repreenderam, mas ele apenas deu de ombros. "Foi só uma brincadeira, Sra. Rezende. A Aurora é sensível demais." Ele fez parecer que o problema era eu.

Ele ficou de castigo por uma semana. Eu me senti mal, mesmo ele estando errado. Ele nunca me pediu desculpas. Em vez disso, começou a me chamar de "Dedo-duro" e "Chorona" sempre que estávamos sozinhos. Ele beliscava meu braço com força quando ninguém estava olhando, o suficiente para deixar um hematoma, sorrindo seu doce sorriso para nossos pais momentos depois. Isso me ensinou desde cedo que seu rosto público e seu eu privado eram duas pessoas diferentes.

Uma vidente em uma feira de caridade uma vez disse às nossas famílias que Heitor e eu estávamos destinados à grandeza, mas nossos caminhos estariam para sempre entrelaçados, para o bem ou para o mal. Minha tia bateu palmas, já imaginando o casal poderoso da política. Meus pais apenas trocaram um olhar nervoso.

Anos depois, depois que nossos pais morreram em um trágico acidente, nos deixando órfãos, mas ricos, a pressão aumentou. Nós nos agarramos um ao outro. Ele era minha rocha, ou assim eu pensava. Tínhamos vinte anos, consumidos pelo luto, quando os advogados e conselheiros de nossas famílias pressionaram por nosso casamento. Uma aliança estratégica, eles chamaram. Uma forma de consolidar poder e confortar um ao outro. Eu concordei. Cegamente.

"Temos que manter em segredo, Aurora", ele disse, passando a mão pelo meu cabelo. "Minha carreira, sabe. A percepção do público."

Eu assenti. Sempre. Por sete anos, nosso casamento foi um fantasma.

Então veio Bárbara Bittencourt. Sua "assessora júnior". Olhos grandes, inocente, sempre por perto. Eu vi o jeito que ela olhava para ele, o jeito que ele se exibia sob a atenção dela. Os sussurros começaram, claro. Sua "assistente" passando noites no escritório dele.

"É só trabalho, Aurora", ele dizia, descartando minhas preocupações com um aceno displicente. "Você está sendo paranoica."

Eu tentei uma vez, anos atrás, me impor. Estávamos em um evento de arrecadação de fundos para a campanha, e um repórter me perguntou sobre meu estado civil. Eu estava cansada da farsa. "Sou felizmente casada", eu disse, olhando diretamente para Heitor do outro lado da sala.

O sorriso dele congelou. Mais tarde, no carro, sua voz estava perigosamente baixa. "Que porra foi aquela, Aurora? Você quer arruinar tudo?" Ele gritou comigo, me acusando de ser egoísta, de sabotar o futuro dele. Eu chorei, claro. E pedi desculpas. Eu sempre pedia.

Mas então, naquela noite, tudo mudou. Eu vi tudo. A armação. A traição. Seu olhar frio e indiferente enquanto minha vida desmoronava. Eu morri. E então eu estava de volta. Bem aqui.

Esta noite. A festa de gala. A vitória de sua última campanha. O ar vibrava com seu sucesso. Ele estava radiante, apertando mãos, o político perfeito. Eu estava parada perto da fonte de champanhe, observando-o. Desta vez, eu não choraria. Eu não pediria desculpas.

"Aurora, querida", uma esposa de senador murmurou, tocando meu braço. "Ainda solteira, meu bem? Um partidão como você, estou surpresa."

Eu sorri, um sorriso genuíno e frio. "Ah, não, Dona Heloísa. Não mais." Minha voz estava calma, firme. "Na verdade, estou em um relacionamento muito sério. Vamos ficar noivos em breve."

A esposa do senador ofegou, seus olhos se arregalando. "Minha querida! Que maravilha! Quem é o felizardo?"

Eu mantive meu olhar fixo em Heitor, que estava de costas para mim. "Ele é... reservado. Mas ele me faz muito, muito feliz."

O suspiro de encanto dela se espalhou pelo pequeno grupo. Vi a cabeça de Heitor se virar bruscamente, seus ombros enrijecendo antes mesmo de ele se virar. Ele me viu, viu a multidão ao meu redor, os rostos surpresos e encantados. A notícia estava se espalhando.

Bárbara Bittencourt, agarrada ao braço dele, me olhou com olhos venenosos. Sua fachada inocente não me enganava mais. "Ah, Aurora", ela chilreou, sua voz um toque doce demais. "Não me diga que você está inventando outro namorado imaginário para deixar o Heitor com ciúmes. Você sabe como isso sempre acaba."

Meu sorriso não vacilou. "Bárbara, querida. Você deve estar me confundindo com você mesma." Tomei um gole de champanhe. "Acredito que essa seja a sua especialidade, não é? Relacionamentos imaginários para impulsionar suas... perspectivas de carreira."

O rosto bonito dela se contorceu, um flash de puro ódio em seus olhos antes que ela rapidamente o mascarasse. Ela apertou mais o braço de Heitor. Ele estava me encarando, seu sorriso encantador sumido, substituído por uma carranca sombria e furiosa. Sua mandíbula estava tão cerrada que eu podia ver os músculos saltarem. Era isso. A primeira peça do dominó.

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