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Capa do romance A babá que acusei é a mãe do meu filho

A babá que acusei é a mãe do meu filho

Vitória Clarke foi injustamente acusada por mim de dopar minha irmã, resultando em um acidente fatal. Após destruir sua vida, reencontro-a grávida e em condições precárias. O choque é avassalador ao descobrir que ela carrega meu próprio filho no ventre. Diante das consequências de meus erros e de uma investigação falha, agora enfrento o maior desafio da minha existência: lutar pelo perdão e pelo amor da mulher que tanto fiz sofrer no passado.
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Capítulo 2

Ponto de vista de Maximus Trevisani.

A babá da minha sobrinha mal tinha chegado na minha casa e já estava causando problemas.

Vitória, esse era o nome da babá que minha irmã Helena tratava como hóspede na casa dela e pagava mais do que devia. Na minha casa, as coisas eram bem diferentes. Ela era uma funcionária como qualquer outra e eu não aceitava insubordinação.

Apesar de tudo, tinha que admitir que ela era uma excelente babá. Vitória sempre cantava uma canção boba para Allegra. Acho que era uma daquelas infantis, que grudava na mente. Algo sobre estrelas e sonhos. Vitória Clark era um nome simples para a garota que tinha um jeito delicado de embalar a Allegra e dançar devagar enquanto a colocava para dormir.

Não a conhecia direito, mas, desde que chegou com a minha sobrinha, eu a observava do meu escritório através das câmeras. Gostava de saber o que acontecia em minha casa. Afinal, tudo ali era meu. Menos Allegra. Ela era a única parte da minha vida que me fazia sentir humano.

E Allegra só sorria e comia com a babá, que foi notada por minha noiva pouco depois de uma discussão acalorada que tivemos.

Foi naquele dia que eu a vi pessoalmente. Vitória se recusava a fazer o que Bianca pediu, mas eu precisava manter a autoridade. Reforcei a ordem da minha noiva e saí apressado.

No escritório, olhei para os documentos empilhados sobre a minha mesa. Inesperadamente, Bianca entrou.

— Já disse que não gosto que entre sem bater.

— Quer mesmo fazer isso, Max? — Minha noiva voltou a tocar no assunto que fez meu sangue esquentar.

— Se fizer aquela cena de sexo na novela, então, considere o noivado terminado.

— Ótimo! Queria cumprir o acordo que o meu pai fez com sua avó, mas não vou permitir que acabe com minha carreira profissional. — Dando as costas, Bianca se foi sem qualquer hesitação, deixando-me ainda mais revoltado. — Adeus, Maximus. — Ela disse antes de sair, batendo a porta como se estivesse numa cena de novela.

Soquei a mesa com força, fazendo com que porta-retratos caísse. Imediatamente, eu o levantei e toquei na foto de minha irmã, que segurava minha sobrinha no último aniversário de Allegra, alguns meses antes do acidente que ceifou sua vida.

Novamente, fui interrompido. Só que, dessa vez, a pessoa do outro lado bateu.

— Entre! — Bufei, irritado.

— Com licença, senhor Trevisani… 

O choro de minha sobrinha ecoou quando a governanta adentrou, seguida pela babá.

— Por que ela ainda está chorando? — Num sobressalto, fiquei em pé.

— A babá da sua sobrinha está bêbada.

— Não estou, não… — replicou Vitória, franzindo as sobrancelhas.

— Ela está com cheiro de uísque, senhor Trevisani.

Dando a volta na mesa, peguei minha sobrinha dos braços da governanta. Não precisei chegar muito perto para sentir o cheiro do uísque Macallan 1926 que Bianca e eu bebíamos na sala de estar.

— Quebrei um copo e mandei a babá limpar, deve ser por isso que está com esse cheiro.

Allegra se acalmava aos poucos. Minha sobrinha se aconchegou em meus braços e encostou a cabeça em meu ombro. 

— Livre-se desse cheiro e volte logo — ordenei, sem deixar espaço pra contestação. — Eu tenho muito trabalho agora e não tenho como cuidar da minha sobrinha.

— Sim, senhor! — Vitória respondeu. — Já volto, anjinho… — falou com Allegra antes de sair.

— Quer que eu fique com ela? — A governanta fez menção de pegá-la, mas Allegra se encolheu em meu colo.

— Vou cuidar da minha sobrinha até a babá retornar.

— Tem certeza, senhor?

— Volte ao trabalho…

— Sim, senhor! — A governanta me deixou em paz.

Acomodando-me na cadeira atrás da minha mesa, olhei para a tela do computador e abri o e-mail com a mensagem do detetive que investigava o acidente que matou a minha irmã mais nova.

“Caro senhor Trevisan,

Venho, por meio deste e-mail, avisar que a culpada pela morte de sua irmã pode estar dentro de sua casa. Helena dirigia dopada naquela noite e, pelas imagens cedidas da casa de sua irmã, a babá Vitória Clark foi quem deu os comprimidos para sua irmã pouco antes de Helena sair. A polícia continua investigando o caso. Em breve, a babá será chamada para depor.

Em breve, entrarei em contato para enviar mais informações.

Atenciosamente, detetive Rivera.”

Afoito, voltei ao e-mail e abri o vídeo anexado que o detetive enviou. A minha irmã estava bebendo na sala de estar quando Vitória trouxe uma pequena bandeja com copo de água e três comprimidos. 

— Mamãe… — Allegra apontou para a foto no porta-retratos sobre a minha mesa. — Tio, quero a mamãe. — O pedido dela partiu meu coração.

— Ela está viajando, querida… — menti, não sabia como explicar.

Aquela babá tinha que pagar pelo que fez com a minha irmã.

Ponto de vista de Vitória.

Estava feliz por vencer mais um dia de trabalho. A menina era um doce e quase não dava trabalho. Mais cedo, eu tinha pegado ela no escritório. Quando entrei, o belo rosto do senhor Trevisani tinha assumido uma carranca sombria que nunca vi nas fotos que encontrei na internet. Foi por isso que pedi licença e saí antes que ele me demitisse. 

À noite, coloquei Allegra na cama, puxei o cobertor devagar e cantei uma música de ninar. Não demorou muito até que ela adormeceu.

Queria ir direto para a cama pra descansar um pouco, mas estava com muita sede. Tentei ignorar, mas não suportei aquela secura na boca. Calcei as pantufas e saí do quarto de Allegra.

Desci as escadas com bastante cautela até que cheguei ao primeiro andar.

A cozinha estava silenciosa e o resto da equipe já havia se recolhido. Estava me achando invisível como sempre, quando ouvi passos atrás de mim. Assustada, eu virei. E lá estava o poderoso magnata Maximus Trevisani. Ele ainda usava terno, mas a gravata estava solta e o seu olhar continuava mais escuro do que o normal.

— Ainda acordada? — perguntou ele, arranhando o silêncio da madrugada.

Assenti, sem conseguir falar de imediato, pois o meu coração batia forte.

Ele colocou uma garrafa de vinho sobre o balcão da ilha branca. Pegou o saca-rolha e abriu.

— Não devia andar desse jeito pela minha casa. — Os olhos dele analisavam a camisola que eu vestia.

"Não está tão indecente", pensando, fitei o tecido que batia nos meus joelhos. "Melhor eu pedir licença e cair fora antes que ele me mande fazer um lanche".

— Desculpe, senhor Trevisani, vim pegar uma garrafa de água, mas já vou me recolher.

— Fica! — O pedido dele soou mais como uma ordem.

Contra toda lógica, fiquei. Senti o meu rosto começar a enrubescer diante do constrangimento. Estava em frente a um dos homens mais poderosos da cidade de Turim e só queria abrir um buraco no chão só para enterrar a minha cabeça feito um

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