
A babá e o CEO - Reencontrando o amor
Capítulo 3
Capítulo 3
Dalila
Eu não podia acreditar no que estava acontecendo, eu estava na casa do Diretor das empresas Chevalier Perfumes, onde que eu queria tanto trabalhar, mas o destino mudou tudo.
Me colocando em sua cama, dormindo com ele e sua filha como se eu fosse sua esposa, acordar sentindo seu peitoral foi demais para mim.
Fiquei assustada e fui correndo para a cozinha, eu prepararia algo para o café da manhã, assim Marie poderia se acostumar com a minha presença. Assim que entrei na cozinha, Rose olhou para mim com um grande sorriso.
— Tudo bem, senhorita Dalila? Dormiu bem?
Meu rosto aqueceu, será que ela sabia onde eu tinha dormido?
— Tudo bem, sim, eu dormi bem, por favor me chame apenas de Dalila.
Ela sorriu e continuou cortando as frutas.
— Sente-se vou preparar o café da manhã. Você aceita café ou chá? Talvez um pouco de leite?
— Obrigada, mas eu gostaria de preparar o café da manhã do Senhor Marcus e da pequena Marie. — Insisti
— Se você quiser, não vejo um problema nisto. Mas esta não é sua tarefa aqui e o Senhor Marcus é bastante exigente com as regras, cada um ocupa sua função.
Eu tinha percebido o quanto ele era rigoroso, arrogante e prepotente. Mas a garotinha precisava de uma mãe postiça e lá estava eu, pois além de precisar do dinheiro, algo me comoveu quando Marie me abraçou e me chamou de mãe.
— Eu assumo a responsabilidade, se ele se ofender com meu café da manhã explicarei que sou a única culpada, pois eu te implorei para que me deixasse preparar tudo.
— Como eu te disse, eu não me importo. E eu gosto de você querer criar uma conexão com Marie, a pobre criança precisa disto. — Rose comentou tristemente.
Eu sorri e comecei a preparar tudo o que eu precisava, montei a mesa e esperei pelos dois, indecisa se eu deveria ir acordar Marie. Mas quando eu estava prestes a fazê-lo, eles desceram.
Marcus estava vestido elegantemente e a garotinha ainda usava pijamas e estava sonolenta em seus braços. Mas quando seus olhinhos me viram, ela sorriu e estendeu seus braços.
— Mamãe...
Eu sorri e a peguei no colo. Não teria coragem de corrigir ou explicar nada para ela. Se o pai achava que esta mentira traria felicidade para a pequena, eu compactuaria com isto.
Marcus me olhou de uma maneira estranha e apenas resmungou um bom dia, que eu respondi, mas não mantive meu olhar nele, desviei para a garotinha nos meus braços, colocando-a em sua cadeirinha.
— Bom dia, Marie. Eu preparei panquecas de ursinho para você. E muitas frutas...
— Sim! Panquecas de ursinho! Com chocolate... quero chocolate… não quero frutas! — fez beicinho
Olhei para Marcus, que apenas desviou seu olhar e continuou a beber o seu café como se não fosse um problema seu.
— Marie, prometo que te darei um pouco de chocolate. Mas primeiro frutinhas e panqueca. Combinado?
Ela não parecia muito feliz com isto. Mas quando dei o primeiro pedaço em sua boca, ela sorriu e comeu sem reclamar.
Eu de soslaio vi que Marcus comia as panquecas que coloquei em seu prato. Ele não disse nada, apenas se levantou quando acabou veio até Marie beijando seus cabelos e enquanto olhava para mim apenas disse:
— Vejo vocês mais tarde.
Ele saiu e eu voltei minha atenção para Marie. Naquela manhã fomos ao shopping, comprei o necessário para passar aquele um mês que combinei com ele, até ter certeza se daria tudo certo.
Nos dias a seguir a cena se repetiu. Dormi com eles, preparei o café da manhã, brinquei com Marie e tive poucas informações sobre Marcus ou sobre a mãe da pequena.
Diante da pequena éramos cordiais um com o outro como se fossemos um casal, mas sem contato íntimo. Era o bastante para a garotinha ficar feliz.
No fim de semana decidi ir visitar a minha avó no hospital. Passei o dia com ela mesmo que fosse em vão, já que ela estava em coma, desde o seu maldito acidente de carro.
Tinha acontecido alguns anos após o acidente que me fez perder a memória, mais uma tristeza em nossas vidas. Meu pai nunca me procurou para em ajudar, obviamente ele vivia sob o efeito e comandos de minha madrasta que sempre me odiou.
Se papai tivesse me ajudado, eu não estaria naquela situação, em um ônibus que estava quebrado, esperando por outro em meio a uma tempestade, a caminho do meu emprego na casa de um estranho que parecia me odiar.
E para piorar naquele momento eu estava presa nele, em um contrato em troca de dinheiro, algo que o meu pai possuía de sobra.
Olhei mais uma vez o meu telefone sem bateria, eu teria problemas, eu não tinha permissão de ficar tanto tempo longe da casa.
***
Horas depois ...
Eu estava finalmente chegando na casa de Marcus, mas quando passei pelos grossos portões ignorando a forte chuva, ele veio em minha direção, parecia furioso. Agarrou meu braço e estreitou seu olhar enquanto me dizia:
— Onde você estava? — Se enfiou em embaixo do meu guarda-chuvas
Atordoada por seu gesto, seu olhar duro e seu perfume inebriante, eu apenas tentei me justificar.
— Eu pedi o dia livre, eu precisava ver a minha avó. Você disse que eu poderia ter uma folga, então pensei...
— São quase nove da noite! Você foi irresponsável, minha filha está doente, chamando por você, você não está cumprindo seu papel de mãe, ela está com febre alta… a culpa é sua!
Senti uma dor imensa no peito, puxei meu braço fazendo com que ele me soltasse e o encarei com fúria.
— Eu peço desculpas pelo meu atraso, não tive culpa. Mas agora preciso ver Marie...
Sai correndo em direção a casa, sentindo os passos largos de Marcus atrás de mim.
Quando cheguei no quarto de Marie, um médico estava saindo acompanhado de Rose.
— O que ela tem Doutor?
Ele me olhou tentando entender quem eu era, provavelmente eu mesma estava sem entender o meu desespero, eu gostava da criança, mas o que eu estava sentindo era uma angústia como se ela fosse minha.
— Desculpe meus modos, eu sou...
— Dalila, a mãe de Marie, suponho. Ela não parava de chamar por você enquanto eu a examinava. Ela está com uma intoxicação alimentar. Já deixei os medicamentos com a senhora Rose. Qualquer coisa o Senhor Marcus me chamará a qualquer hora que precisarem. Boa noite para vocês.
Eu olhei para Rose, que apenas sorriu enquanto eu entrava no quarto, ainda escutando a voz de Marcus falando com o Doutor no corredor.
Assim que entrei no cômodo, vi Marie, debaixo das cobertas, gemendo e chorando baixinho. Me aproximei, me sentei na cama e ela se virou. Quando me viu, ela sorriu.
— Mamãe, você voltou. Me abraça…
Que dor que senti, envolvi a pequena em meus braços enquanto cantava até acalmá-la. Depois eu a mediquei com os remédios e observei o quanto ela suava.
Retirei as cobertas de seu corpo, mesmo ela estando sonolenta a levei para a banheira e preparei um banho morno.
Rose e Marcus entraram quando eu já tinha terminado e estava vestindo Marie.
— Papai... — Ela sorriu para o pai e estendeu os braços
Ele a pegou e delicadamente colocou Marie na cama. Rose estava recolhendo as toalhas e roupas de Marie que estavam espalhadas no chão.
Eu fiquei sem jeito, me sentindo rejeitada. Mas eu estaria ali pela garotinha, independente do que ele achava, eu me importava com ela.
— Eu tenho fome. — Marie choramingou.
— Rose, por favor...
— Eu mesma vou preparar algo. — Eu o interrompi.
Rose olhou assustada em nossa direção. Eu o encarei e ele não desviou seu olhar do meu.
— Rose pode ficar aqui por uns minutos, preciso fazer alguns e-mails.
Ela concordou e ele saiu do quarto. Bom, esta era a maneira dele me dizer que eu poderia fazer a comida de Marie.
Desci para a cozinha e comecei a cortar os legumes, refoguei cebola e alho picadinhos finos, acrescentei tudo na panela e comecei a mexer a sopa.
Quando ficou pronta preparei uma pequena porção e esfriei ao máximo, levei para Marie e deixei com Rose, pois eu tinha esquecido de pegar um babador.
Quando eu estava voltando, esbarrei em um corpo musculoso. Marcus me segurou pelo braço.
— Prepare outra coisa! Marie não gostou da sopa e aquilo não é nutritivo...
Era demais para mim ficar calada naquele momento, então eu me soltei dele e levantei meu rosto para encará-lo.
— O que não é nutritivo são os doces, chocolates e batatinhas que você dá para ela a todo momento em que ela pede. Eu vi o quanto ela é mimada, isto estraga a criança. Você pode tornar a comida divertida para ela e ela vai comer, não precisa dar doce a todo momento para agradá-la. Ela na verdade, precisa de atenção e afeto...
Ele franziu sua testa e me olhou indignado. Eu tinha que admitir que ele realmente era bonito, arrogante, mal-educado e prepotente.
Mas o seu corpo alto com músculos bem definidos, seus cabelos loiros e seus olhos de um azul intenso me deixavam desconcertada. Mesmo queimando de raiva, eu ainda sentia uma ponta de interesse que não deveria existir.
— Você chegou a poucos dias nesta casa, deveria se adaptar aos meus desejos...
Ele parou sua fala quando estava a centímetros de minha boca. Ele se afastou rapidamente, me deixando com o coração acelerado, segui para o quarto.
Quando entrei, Rose estava tentando em vão fazer Marie comer, mas ela se recusava como eu pensava que faria.
Sentei-me ao seu lado, segurei-a em meu colo e peguei uma colherada da sopa, esfriando um pouco.
— Quero chocolate, mamãe…
— Chocolate não é alimento, meu amor. Eu fiz uma sopinha deliciosa para você. E sei que parece estranho, você não está acostumada a comer isto, mas prometo que se não gostar prepararemos outra coisa.
Ela me olhava com seus grandes olhos brilhantes, interessada em cada palavra. Era uma garotinha muito inteligente apesar da pouca idade.
E eu não falaria com ela como se não entendesse nada. Apenas escolheria palavras adequadas com sua idade para sua melhor compreensão.
— Mas o chocolate... — Ela tremeu seus lábios e fez sinal que entraria no choro.
Alisei seu rostinho enquanto falava com ela.
— Marie, prometo que vou te dar um pequeno pedaço de chocolate se você comer a sopa. Tudo bem?
Ela balançou a cabeça e relutante abriu a boca, experimentando a sopa. A primeira colherada ela estava indecisa, mas na segunda eu vi que ela estava apreciando e foi assim até terminar todo o prato.
Quando terminei de limpar sua boca ela estava sonolenta, eu a ninei em meus braços. E quando olhei para a porta, Marcus estava encostado na porta olhando para mim, desta vez não existia raiva em seu olhar, mas eu ainda não conseguia entender o que se passava em sua cabeça.
No dia seguinte...
Farrah
Marcus estava estranho, não que ele estivesse muito amoroso ultimamente, aliás sendo sincera comigo isto era algo que ele nunca era, amoroso.
Mas eu já tinha me acostumado com seu jeito de ser. E o que me interessava além de sua beleza, obviamente era o seu dinheiro. O que estragava meu envolvimento com ele era aquela pirralha que ele insistia em crescer.
Mas tive informações que eu deveria me preocupar com o sumiço dele. Eu estacionei o carro e segui para a porta, toquei a campainha e logo a insuportável da Rose abriu a porta.
— Senhorita Farrah, eu não sabia que viria...
Ignorei a velha e fui entrando, eu precisava ver Marcus. Naquele momento ele desceu as escadas com a pirralha em seus braços.
— Você não me disse que viria Farrah... — Ele se aproximou.
A garotinha como sempre fechou a cara para mim e se escondeu no peitoral de seu pai.
— Eu estava com saudades, você tem trabalhado muito. Pensei em tomar café da manhã com meu namorado.
Ele iria me dizer algo, mas uma mulher entrou na sala e a monstrinho gritou:
— Mamãe, quero panqueca, tenho fome...
A mulher se aproximou sorridente e eu vi por um instante de segundo como Marcus olhava para ela. Ela sorriu para mim, desejando bom dia, sorri fingindo simpatia, mas eu tinha odiado a sua presença ali.
A pentelha vivia pedindo para ter uma mãe, finalmente ele contratou uma babá e isto eu concordava, assim ele teria mais tempo para mim. Mas a babá não precisava ter aquela aparência.
Ela era bonita e isto não passou despercebido ao olhar de Marcus. Eu não me importava dele ter um caso aqui e ali se cassássemos, mas uma amante dentro de casa não.
Assim que Marie estava no colo da mulher virada de costas para nós, eu abracei Marcus e beijei sua boca na frente da babá. Para deixar claro que aquele homem era meu e eu não aceitaria ninguém entrar no meu caminho, eu tinha investido tempo demais com Marcus para deixá-lo escapar.
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