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Capa do romance A Aurora de Sua Amante, Meu Chão Frio

A Aurora de Sua Amante, Meu Chão Frio

Casada por conveniência com o bilionário Dênio Ferraz, suporte os seus escândalos públicos com a amante de infância por anos. Cansada da humilhação e da farsa exigida por ele, decido pedir o divórcio. Contudo, Dênio me chantageia a manter as aparências por meses, dividindo o quarto comigo enquanto me despreza. Entre o chão frio e gestos ternos e secretos na madrugada, percebo sua toxicidade. Decidi que ele pode ficar com sua florzinha; estou recuperando minha vida.
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Capítulo 2

Ponto de Vista de Alana Viana:

A caneta parecia um peso de chumbo em minha mão, pairando sobre a linha pontilhada dos papéis do divórcio. Meu estômago se revirava, um nó de velhas emoções se apertando a cada batida do meu coração. As palavras de Bruna, afiadas e verdadeiras, ecoavam em meus ouvidos, mas também o fantasma de um toque, um sussurro, um olhar breve e roubado de anos atrás.

"Você está radiante, Alana", Dênio dissera no dia do nosso casamento, sua mão traçando suavemente a pele nua do meu braço enquanto dançávamos. "Isso... isso pode não ser tão ruim." Uma promessa frágil, um lampejo de calor que, por um momento, me fez acreditar em um futuro diferente. Lembrei-me do cheiro de seu perfume, da força de seus braços, da maneira como seus olhos, geralmente tão guardados, se suavizaram apenas para mim, por um instante fugaz.

Mas esses momentos eram como vidro quebradiço agora, estilhaçando-se sob o peso da realidade atual.

"Ele não estava exibindo ela, Bruna", reiterei, pousando a caneta. "Kátia tem uma doença crônica. Suas crises são reais. Ele genuinamente a ajuda." Tentei me convencer, racionalizar suas ações, embora o escárnio de Bruna me dissesse que ela não estava acreditando.

"Ah, a pobre e delicada Kátia", Bruna zombou, revirando os olhos. "Ela sempre teve 'crises', não é? Todo ano, como um relógio, perto do seu aniversário de casamento, ou quando vocês dois deveriam fazer uma grande aparição pública. É a performance anual dela, Alana. Você sabe disso."

Suas palavras cortaram minha compostura praticada, trazendo de volta uma onda de dor. Três anos atrás, o jantar de aniversário. Dois anos atrás, o retiro de família. No ano passado, a gala de caridade. Cada vez, uma "crise" com Kátia, e Dênio correndo para o lado dela, me deixando sozinha, à deriva. Naquela noite, três anos atrás, depois que ele me deixou esperando no restaurante, eu dirigi sem rumo, cega pelas lágrimas, e bati meu carro. Não foi grave, mas o suficiente para me lembrar de como eu estava sozinha. Eu ainda carregava a cicatriz quase invisível no meu pulso, um lembrete constante daquela noite. Esse foi o verdadeiro ponto de virada, a noite em que meu amor começou a morrer, substituído por uma determinação fria e dura de me proteger. Dênio mal notou meus ferimentos. Ele estava muito consumido com a "crise" de Kátia.

Peguei a caneta novamente, minha determinação se fortalecendo. Mas então, meus olhos pousaram no braço enfaixado de Bruna.

"Eu não posso simplesmente deixá-lo na mão agora, Bruna. Não com a fusão, e definitivamente não com... com o que aconteceu com você."

A expressão de Bruna suavizou, uma rara vulnerabilidade brilhando em seu olhar feroz.

"Alana, este não é seu fardo para carregar. Meu 'acidente' é problema meu. E a fusão é um negócio. Vai sobreviver ao emaranhado emocional de Dênio."

"Eu sei", suspirei, passando a mão pelo cabelo. "Mas Geraldo Ferraz espera que eu gerencie isso. E minha família precisa dessa fusão, Bruna. Meu primo, Dênis, está depositando todas as suas esperanças nisso para sua startup que mal se aguenta em pé."

Bruna balançou a cabeça.

"Deixe-o se preocupar com a própria startup dele. Preocupe-se com você mesma." Ela fez uma pausa, depois inclinou a cabeça. "Falando da minha situação atual... preciso que você vá à abertura da galeria hoje à noite. Meu rival, Marcos Thorne, estará lá. Preciso que você colete discretamente algumas informações. Meu braço está inútil, e não confio em mais ninguém."

Olhei para ela, depois de volta para os papéis do divórcio. A ideia de enfrentar outro evento público, especialmente um onde Dênio poderia estar, fez meu estômago se contrair. Mas Bruna precisava de mim. Ela era minha única aliada verdadeira.

"Tudo bem", eu disse, uma aceitação relutante. "Mas você me deve um suprimento vitalício de comida de conforto."

Ela sorriu, um flash de sua antiga personalidade.

"Combinado. Agora vá, mostre a eles do que uma mulher Viana é feita. E não se esqueça que os papéis estão aqui. Esperando."

Naquela noite, entrei na galeria cintilante, o ar denso com o cheiro de perfume caro e arte pretensiosa. Coloquei meu sorriso mais sereno, meus olhos varrendo a sala em busca de Marcos Thorne. Ouvi fragmentos de conversas, sussurros sobre o escândalo.

"Você viu a notícia sobre Dênio Ferraz?"

"Ah, pobre Alana. Sempre em segundo plano para a Kátia."

"Sinceramente, o que ele vê naquela atrizinha frágil?"

Cada comentário sussurrado era uma alfinetada, me lembrando do espetáculo público que minha vida havia se tornado. Meu olhar se desviou para um grupo aglomerado em torno de uma peça particularmente abstrata. E lá estava ele. Dênio. Perto demais de uma mulher com um sorriso afiado e calculista, não Kátia. Ela era uma das socialites, conhecida por sua língua ácida.

"É uma pena, realmente", a mulher dizia, sua voz um pouco alta demais, tingida de falsa simpatia. "Alana sempre pareceu tão... estoica. Você pensaria que depois de três anos de separação, ela teria o bom senso de simplesmente desaparecer graciosamente. Mas não, ela se agarra a esse casamento como uma mulher se afogando."

Meu sangue gelou. Minhas mãos se fecharam ao meu lado. Dênio estava lá, uma expressão neutra no rosto, não oferecendo defesa, nem refutação. Era um padrão familiar. Seu silêncio era sempre sua declaração mais alta.

Justo quando eu estava prestes a me virar, Arthur Chaves, o melhor amigo e sócio de Dênio, um playboy descontraído com um talento incrível para observação, interveio. Sua presença foi uma interrupção bem-vinda, uma quebra na tensão sufocante.

"Vamos lá, Cynthia, isso não é justo", disse Arthur, sua voz suave, mas com uma ponta de aço por baixo. "Alana é uma arquiteta brilhante, tocando seus próprios projetos. Ela mal precisa de um homem para defini-la."

A mulher, Cynthia, se irritou, mas antes que pudesse responder, Dênio finalmente falou.

"Alana faz suas próprias escolhas", ele disse, sua voz desprovida de emoção, uma declaração fria, quase clínica, que parecia menos uma defesa e mais uma acusação. "Assim como todos nós."

Suas palavras me atingiram mais forte do que o veneno de Cynthia. Eram uma demissão, uma declaração pública de seu distanciamento. Meu coração parecia estar sendo espremido por uma mão invisível, de repente tornando difícil respirar. Eu me virei, uma dor aguda e inegável florescendo em meu peito.

"Alana?", a voz de Arthur estava cheia de surpresa genuína.

Eu me virei de volta, minha compostura se encaixando no lugar como uma máquina bem lubrificada. Meu sorriso era praticado, sereno.

"Arthur. Dênio. Não sabia que vocês estavam aqui." Eu me movi em direção a eles, meus passos leves, confiantes. "Bruna não pôde vir hoje à noite, então estou aqui representando-a. Ela está interessada em algumas dessas novas instalações." Ofereci um olhar pequeno e conhecedor para Arthur, um sinal sutil de que eu estava em uma missão.

Os olhos de Arthur, geralmente travessos, continham uma pitada de preocupação.

"Claro. Deixe-me mostrar o lugar. Há algumas peças que acho que você apreciaria."

"Na verdade", Dênio interveio, sua voz cortantemente calma. "Eu posso acompanhar Alana. O vovô quer que sejamos vistos juntos hoje à noite de qualquer maneira, não é, Alana?" Seus olhos continham um desafio, uma provocação sutil.

Meu coração deu um salto. Isso era inesperado. Eu queria recusar, queria escapar de sua presença, mas a ameaça não dita de Geraldo Ferraz pairava pesada no ar.

"De fato", eu disse, minha voz firme, embora meu estômago estivesse dando cambalhotas. "Uma demonstração de solidariedade, como sempre."

As sobrancelhas de Arthur se ergueram levemente, mas ele não insistiu.

"Tudo bem então. Eu encontro vocês mais tarde." Ele me deu um aceno tranquilizador, depois se moveu para se misturar com outros convidados.

Dênio ofereceu seu braço, um gesto rígido e formal. Eu o peguei, o contato parecendo elétrico e oco ao mesmo tempo.

"O vovô está organizando o jantar anual da fundação Ferraz-Viana no próximo mês", ele disse, sua voz baixa, apenas para meus ouvidos. "Ele espera que compareçamos. Como uma frente unida."

Minha mente disparou. O jantar da fundação era um dos eventos mais prestigiados do ano, uma vitrine do poder e influência da família. Era um palco perfeito para nossa falsa reconciliação.

"Eu já imaginava", respondi, minha voz fria.

"Bom", ele disse, o canto de seus lábios se contorcendo em um sorriso sem humor. "Porque ele foi bastante insistente." Ele me conduziu pela galeria, sua mão um peso frio em meu braço. Os flashes das câmeras nos seguiram, pintando um quadro de um casal devotado, uma mentira tão perfeitamente construída que quase parecia real. Eu me sentia como uma marionete, dançando em cordas seguradas por outros. O anseio pela verdadeira liberdade, pelo fim dessa farsa, se intensificou. Essa farsa tinha que acabar.

"Dênio", comecei, minha voz mal um sussurro, mas firme. "Precisamos conversar sobre este arranjo. Depois que a fusão for finalizada, depois do jantar da fundação... eu quero formalizar nossa separação."

Ele parou, seu aperto em meu braço se intensificando, seu olhar penetrante.

"Formalizar? O que você está sugerindo, Alana? Divórcio? Você tem alguma ideia do impacto que isso teria em nossas famílias, na fusão, em tudo que construímos?" Sua voz era baixa, perigosa.

"Uma separação quieta e privada", esclareci, minha determinação se endurecendo. "Longe dos olhos do público. Impacto mínimo. Podemos gerenciar a narrativa, assim como estamos fazendo agora. Mas não posso continuar vivendo essa mentira, Dênio. Não posso." As palavras, antes presas em minha garganta, agora fluíam, cruas e desesperadas.

Ele me encarou por um longo momento, seu rosto uma máscara de indiferença calculada.

"E o que te faz pensar que eu concordaria com isso?"

"Porque beneficia a nós dois", contestei, minha voz ganhando força. "Você consegue sua liberdade. Eu consigo a minha. E nossas famílias evitam um escândalo público que poderia custar-lhes bilhões. É um rompimento limpo, Dênio. Uma solução prática."

Ele soltou meu braço, sua mão caindo como se eu fosse desagradável.

"Tudo bem", ele disse, sua voz seca, seus olhos ainda fixos nos meus. "Mas sob uma condição. Manteremos essa fachada até que a fusão esteja completa. E você garantirá que sua família, especialmente seu primo Dênis, não cause mais problemas para meus projetos. Caso contrário, não haverá 'rompimento limpo'. Apenas um bem público e sujo." Suas palavras eram uma ameaça fria e dura.

"Concordo", eu disse, a única palavra parecendo uma rendição e uma vitória ao mesmo tempo. Eu havia estabelecido um prazo. Um caminho para a liberdade.

"Bom", ele disse, um fantasma de sorriso brincando em seus lábios. "Vamos garantir que façamos um bom show então, Sra. Ferraz." Ele estendeu o braço novamente, e eu o peguei, mecanicamente.

Continuamos nossa dança pública, um quadro perfeito de felicidade conjugal, cada flash da câmera um doloroso lembrete da mentira. Mas desta vez, era diferente. Desta vez, eu tinha um plano. Um cronograma para minha fuga. Eu só precisava sobreviver um pouco mais.

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