
A Ascensão do Homem Quebrado
Capítulo 2
Na véspera do nosso décimo aniversário de casamento, Maria, minha esposa, que nunca se importou com romance, de repente sugeriu que tirássemos novas fotos de casamento.
Ela se sentou no sofá, olhando para mim com um sorriso que eu não via há muito tempo.
"João, nós nos casamos quando éramos pobres, não tivemos uma cerimônia decente, nem fotos de casamento bonitas. Vamos tirar novas fotos, para compensar os arrependimentos da nossa juventude."
Ela segurou minha mão, seus olhos brilhavam.
"Você se esforçou tanto por esta família todos esses anos, considere isso como uma recompensa para você também."
Meu coração, que estava quieto há muito tempo, começou a bater mais rápido. Eu olhei para o rosto dela, o rosto que eu amei por dez anos, e senti uma onda de calor. Talvez ela ainda se importasse comigo. Talvez nosso relacionamento pudesse ser salvo.
Eu concordei sem hesitar.
No dia seguinte, no local da celebração que eu preparei cuidadosamente, o fotógrafo exibiu a foto de casamento que havíamos acabado de tirar. Nela, eu sorria feliz, mas na minha imagem, alguém havia pichado com tinta vermelha a palavra "amante".
A tinta era vermelha e chocante, como sangue fresco.
Os convidados ao redor começaram a sussurrar, seus olhares cheios de pena e desprezo. Meu sorriso congelou no rosto.
Nesse momento, o assistente de Maria, Ricardo, correu até mim, com os olhos vermelhos e cheios de lágrimas.
"João, eu não sei o que aconteceu. Alguém deve ter feito isso de propósito."
Ele soluçava, parecendo mais magoado do que eu.
"Talvez... talvez todos pensem que aquele que não é amado é o verdadeiro amante."
Sua voz era baixa, mas cada palavra era clara. Eu olhei para ele, um jovem que parecia inofensivo e fraco. Então, meu olhar caiu sobre suas mãos. Havia manchas de tinta vermelha em seus dedos, a mesma cor da pichação na foto.
A verdade explodiu na minha mente.
Um sorriso frio apareceu em meus lábios. Eu não disse nada. Apenas caminhei até a foto, arranquei-a do cavalete e, sob os olhares chocados de todos, rasguei-a em pedaços.
Os pedaços de papel caíram no chão, assim como meus dez anos de amor e dedicação.
Ricardo pareceu assustado com minha ação, recuando um passo. Maria, que estava ao lado, franziu a testa, seu rosto cheio de impaciência.
Naquela noite, Ricardo postou em suas redes sociais.
Eram duas fotos. Uma era um relógio de luxo, um modelo de edição limitada que valia mais de um milhão de reais. A outra era um conjunto de fotos de casamento, mas o noivo não era eu, era ele. Ele e Maria sorriam docemente, abraçados.
A legenda dizia: "Amor e desamor são óbvios, nós somos o par perfeito."
O relógio era o presente de aniversário que eu havia preparado para Maria. As fotos de casamento, que ela disse que eram para compensar nossos arrependimentos, eram na verdade para ele.
Eu estava sentado na sala de estar escura, o acordo de divórcio que meu advogado havia redigido estava sobre a mesa. A luz do celular iluminava meu rosto, e eu digitei um comentário sob o post de Ricardo, palavra por palavra.
"Respeito e felicidades, canalhas e vadias são feitos um para o outro!"
Assim que enviei, meu celular tocou. Era Maria.
Eu atendi, e a voz irritada dela veio do outro lado.
"João, você enlouqueceu? O que você está fazendo? Ricardo é apenas um jovem, por que você tem que intimidá-lo assim?"
Ela não perguntou sobre a foto pichada, não perguntou como eu estava me sentindo. Ela só se importava com o assistente dela.
"Você está causando problemas sem motivo! Vá e peça desculpas a Ricardo agora mesmo!"
Causando problemas sem motivo. Intimidando um jovem.
Dez anos de casamento, e aos olhos dela, eu era apenas um estranho que causava problemas.
O amor que eu acreditava existir havia se tornado uma piada. Eu estava cansado de ser manipulado, cansado de ser humilhado.
"Maria, vamos nos divorciar."
Eu disse calmamente, cada palavra pesando uma tonelada.
Houve um silêncio do outro lado da linha, seguido por uma risada zombeteira.
"Divórcio? João, você se acha? Sem mim, você não é nada! Você é um perdedor inútil, um sustentado! Agora, pare de fazer birra e se arraste para pedir desculpas a Ricardo!"
Sustentado.
Essa palavra atingiu meu coração. Eu desliguei o telefone. Minha dignidade, que já estava em frangalhos, foi completamente pisoteada por ela.
Eu me lembrei de como nos casamos na pobreza, de como prometemos construir um futuro juntos. Começamos do zero, e a empresa que construímos agora valia centenas de milhões. Eu achava que tínhamos tudo, mas perdi o mais importante.
A mulher que eu amava profundamente, Maria, tornou-se a maior dor no meu coração.
Eu peguei meu celular e liguei para o meu advogado.
"Prepare os papéis. Quero discutir a divisão de bens."
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