
A Ascensão de Gabriel
Capítulo 2
O verão chegou a Pedrago trazendo dias abafados e noites iluminadas por um céu estrelado. Gabriel seguia sua rotina de trabalho e estudos noturnos, mas havia algo diferente naquele mês. Sua determinação parecia mais forte, alimentada por um novo elemento em sua vida: Clara.
Clara era a filha do professor da vila, uma jovem de olhos castanhos profundos e cabelos longos que brilhavam sob o sol. Ao contrário de muitos na vila, ela parecia não se importar com status ou riqueza. Passava as manhãs cuidando do pequeno jardim de sua casa e, à tarde, lia livros no banco da praça central. Gabriel a observava de longe, intrigado por sua aura tranquila e enigmática.
Certo dia, reunindo toda a coragem que possuía, Gabriel decidiu se aproximar. Durante o almoço, enquanto Clara estava sentada na praça, ele caminhou até ela com o coração acelerado.
- Oi, Clara - disse, tentando soar confiante, mas sua voz tremeu levemente.
Clara levantou os olhos do livro e sorriu.
- Oi, Gabriel. Como vai?
Gabriel ficou surpreso com a receptividade dela. Eles conversaram por alguns minutos sobre o livro que ela lia, um romance sobre aventuras e descobertas. Gabriel demonstrou conhecer alguns dos autores que Clara mencionava, algo que pareceu impressioná-la.
- Não sabia que você gostava tanto de ler, Gabriel - comentou Clara, com um leve tom de surpresa.
- Gosto de aprender, mesmo que as oportunidades sejam poucas. Os livros me ajudam a enxergar além daqui - respondeu ele.
A conversa fluiu de forma inesperada, e, para Gabriel, aqueles minutos foram um raro momento de leveza. Nos dias seguintes, os dois começaram a se encontrar ocasionalmente, trocando ideias sobre livros, sonhos e o mundo além da vila.
Entretanto, a proximidade entre eles não passou despercebida por Álvaro, o velho algoz de Gabriel. Álvaro, que há tempos tentava atrair a atenção de Clara, não escondeu sua insatisfação ao ver Gabriel tão próximo dela.
- Você realmente acha que alguém como você tem alguma chance com ela? - provocou Álvaro, bloqueando o caminho de Gabriel na saída da oficina. - Clara merece alguém que possa oferecer algo de verdade, não um mecânico sem futuro.
Gabriel apertou os punhos, mas não respondeu. As palavras de Álvaro doíam, mas ele sabia que discutir seria inútil. Naquela noite, em casa, olhou para o notebook velho que havia sido sua porta de entrada para um mundo novo. Pensou em tudo o que queria alcançar e no quanto ainda precisava lutar para se tornar alguém melhor.
Clara, por sua vez, continuava a intrigá-lo. Sua gentileza era algo raro, mas havia momentos em que Gabriel sentia uma distância inexplicável em suas palavras. Mesmo assim, sua presença era uma inspiração, um lembrete de que ele não podia desistir de seus sonhos.
Enquanto as noites estreladas de Pedrago continuavam a iluminar o céu, Gabriel fortalecia sua determinação. Ele não sabia o que o futuro lhe reservava, mas estava decidido a seguir em frente, desafiando todos que duvidavam dele. E, sem perceber, estava mais próximo do que nunca de mudar sua vida para sempre.
Você pode gostar





