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Capa do romance Laços de Interesses: 365 dias de casamento por conveniência.

Laços de Interesses: 365 dias de casamento por conveniência.

Giulia perdeu tudo e fugiu após ser humilhada, mas o destino a coloca diante de Maximilian Salvini. O influente CEO e político descobre que ela espera um filho seu e, para evitar escândalos em sua campanha na Itália, impõe um casamento de conveniência de um ano. Encurralada e temendo perder o bebê, sua única família, ela aceita o acordo rígido. Em meio a jogos de poder e falta de confiança, restará saber se o amor pode florescer desse pacto de interesses.
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Capítulo 1

— Como está o meu pai, madrinha? — Giulia desceu as escadas até chegar ao primeiro piso da casa.

— O seu pai precisou de atendimento médico, mas já está se recuperando em casa. — Adelaide respondeu do outro lado da ligação. — Sebastian não queria que eu te contasse, mas ele ficou muito doente nos últimos dias.

— Ele está tomando os remédios? — Preocupada, Giulia indagou.

— Estou obrigando ele a tomar todos. — disse a voz crepitante de Adelaide. — Como vão as coisas na casa de sua tia? — Indagou a afilhada num tom complacente.

Apesar de ser tratada como empregada por Francesca ao longo dos anos e de fugir dos olhares furtivos do novo marido de sua tia, ela procurou forças para focar nos estudos, pois havia prometido ao pai que voltaria com o diploma.

— Tudo está ótimo por aqui. — Giulia mentiu, enquanto olhava para o termômetro na cozinha.

Naquela manhã de inverno, a coluna de mercúrio finalmente alcançou a faixa positiva.

— Cuidado, meu amorzinho! — falou Marco, abraçando Giulia por trás.

— Solte-me! — Ela se desvencilhou dos braços do marido da tia e foi para o outro lado.

— O que está acontecendo, Giulia? — Adelaide inquiriu durante a chamada.

— Não é nada, madrinha, eu só estou pensando no meu pai — a voz trêmula tratou de disfarçar. — Eu queria contar uma novidade para ele.

Marco sorriu para Giulia e em seguida, mandou um beijo.

— O seu pai está dormindo, tente ligar para falar com ele mais tarde, querida.

— Avisa ao meu pai que eu já fiz a inscrição na universidade e vou visitá-lo daqui a alguns dias.

— Claro, minha querida! — Adelaide confirmou.

— Até breve, madrinha! — Ela encerrou a chamada quando Marco a pressionou contra a parede.

— Quer dizer que você vai voltar para casa, — ele roçou o nariz pela base de seu pescoço. — Temos que apressar as coisas antes que você vá embora!

Giulia cresceu num sítio de uma pequena vila localizada em Arignano, na região do Piemonte. O sítio de sua família estava situado na província de Turim, próximo à fronteira com as belas colinas de Monferrato, no Norte da Itália. Após a morte da mãe, a garota de olhos dourados foi enviada para morar com a tia no Vale de Aosta, uma região do Noroeste da Itália.

— Deixe-me em paz! — Ela tentou empurrá-lo;

Persistente, Marco usou a força para roubar um beijo da garota que virava o rosto e se debatia, tentando se livrar dele. Mantendo a boca fechada, ela resistiu o quanto pôde. O estômago embrulhava só de estar perto do marido de sua tia.

— Hoje à noite, eu vou visitar o seu quarto! — Ele beliscou a bochecha de Giulia.

Ao ouvir os passos nas escadas, Marco a soltou.

Em um arroubo de fúria, Giulia ergueu o braço e colocou toda força quando esbofeteou o rosto do homem de meia-idade.

— O que está acontecendo aqui? — Francesca apareceu na cozinha como num passe de mágica.

— A sua sobrinha não me respeita, amor, — disse Marco.

— Oh, não! — Francesca viu a marca vermelha no rosto do marido. — O que você fez? — Encarou Giulia.

— Foi ele quem me atacou, tia, — a pobre garota tentou se defender.

— Não é verdade, — Marco aumentou a voz ao contradizê-la. — Eu pedi para Giulia preparar o meu café, — ele mentiu descaradamente, olhando para a esposa. — A sua sobrinha não precisava ser tão rude comigo.

— Coitadinho! — Francesca acariciou o rosto de Marco. — Vou preparar o seu café da manhã, meu amor.

— Ele está mentindo, tia. — Exasperada, Giulia declarou em voz alta. — O seu marido queria me beijar à força.

— Não é verdade, amor, — Marco pôs a mão no rosto. — A sua sobrinha tentou me seduzir e deu um tapa no meu rosto quando eu não quis beijá-la.

— É mentira, tia — os olhos dela estavam cheios de lágrimas.

— Você é tão suja e mentirosa quanto a sua mãe. — Francesca avançou na direção da sobrinha.

Slapt! Slapt! O som do tapa duplo veio seguido de uma ardência nos dois lados da face de Giulia.

— Quero que saia da minha casa! — Francesca expulsou a sobrinha. — Você já está abusando da minha hospitalidade.

— Não seja tão dura com a garota, meu amor. — Marco falou com a esposa. — Acho que ela está arrependida! — Os olhos claros fitaram Giulia.

— Ela é adulta e já passou na hora de cuidar da própria vida.

Giulia pegou uma maçã que estava na bandeja sobre a mesa da cozinha, mas ela foi contida pela mão da tia que segurou em seu punho e tomou a fruta de sua mão.

— Você não comerá mais nada nesta casa — Francesca comunicou em um tom hostil. — Vá embora!

— Pode me dar alguns dias até receber o meu pagamento, tia? — perguntou Giulia, sem saber o que fazer. — O meu carro continua na oficina e eu ainda não encontrei um apartamento.

— Não, você vai sair agora mesmo da minha casa. — Francesca enrolou os dedos nas mechas loiras de Giulia.

Ela puxou a sobrinha pelos cabelos, levando-a até a sala.

— E quanto aos meus pertences? — Indagou ao tentar se desvencilhar. — Eu preciso pegar as minhas roupas, os meus livros…

— Ficarão como pagamento do aluguel pelos anos que morou aqui. — Marco sorriu e, então, abriu a porta.

A dor no couro cabeludo aumentou quando Francesca arrancou alguns fios de seus cabelos após jogá-la na varanda.

— Está muito frio aqui fora, tia — disse a voz trêmula.

Marco desapareceu e, em menos de um minuto, ele retornou.

— O que está fazendo? — Francesca olhou para o marido que trazia agasalhos.

— Ela vai morrer de frio.

Mesmo contra a vontade da esposa, Marco tacou o cachecol, a touca, a bolsa e o casaco sobre a garota caída no piso de madeira da varanda.

Logo após ficar de pé, Giulia deu uma última olhada para a tia que bateu a porta, trancando-a do lado de fora.

Após agasalhar-se, Giulia arrumou a alça da bolsa no ombro direito antes de atravessar a varanda. O vento gelado chocou contra a sua pele. Ela sentiu um arrepio atravessando o corpo e então, prosseguiu com a sua caminhada até a cafeteria.

Aos 18 anos, Giulia dividia o tempo entre os estudos e o trabalho como garçonete, mas nunca esquecia de seu pai.

Ela costumava mandar dinheiro para a madrinha comprar os remédios de Sebastian, mas daquele em diante, o salário não seria suficiente.

Como iria pagar o aluguel de um apartamento, manter os gastos com a faculdade e auxiliar o pai? Os pensamentos martelavam em sua mente. Ser expulsa de casa não estava nos seus planos.

Giulia prestou atenção nos gelo na calçada para não derrapar. Deu outra olhada no relógio digital numa enorme placa que exibia a hora e percebeu que ela estava atrasada.

Apressando os passos, ela tentou atravessar a rua, mas parou quando uma Lamborghini Miura quase a atropelou. Ela entreabriu os lábios com a neve que caía sobre seu rosto.

— Olha por onde anda, — a voz veio de dentro do automóvel.

Por uma fração de segundos, Giulia estreitou os olhos para os ocupantes do carro de luxo, que não paravam de rir.

________________

Ao chegar ao trabalho, a garota tocou na parte dolorida da cabeça, onde a tia arrancou alguns fios. Usando as mãos, ela tirou a touca e ajeitou os cabelos que emolduravam-lhe o rosto com um nariz afilado e maçãs proeminentes. Depois que prendeu as mechas num coque no alto da cabeça, ela tirou o casaco molhado e colocou o uniforme.

— Você se atrasou, — disse a gerente ao vê-la.

— Perdoe-me! — Giulia olhou nos olhos da mulher robusta enquanto os seus dedos faziam um laço no avental vermelho. — Eu estava fazendo a minha inscrição para a Universidade. — Forçou o riso ao contar.

Era óbvio que o motivo real do atraso foi o estresse que teve com sua tia e o atual marido; contudo, a garota estava animada para começar o primeiro ano na Universidade.

— E o que eu tenho a ver com isso? — A gerente perguntou num tom severo. — Vá trabalhar! — Mandou.

Resignada, ela cumpriu a ordem antes que o dia piorasse ainda mais. Ela estava limpando uma das mesas quando dois jovens casais entraram no estabelecimento e logo, eles foram atendidos pela garçonete que gentilmente perguntou:

— Querem fazer o pedido? — A atenção de Giulia se voltou para as grandes bilhas tão negras quanto uma pedra de obsidiana.

Max era o apelido dele. Ela havia escutado um dos amigos dele chamando-o pelo apelido quando passaram por lá no último fim de semana.

— Buongiorno, Giulia! — Cumprimentou Maximilian sem tirar os olhos dela. — Eu quero o de sempre!

— Claro, Max. — Ela baixou o rosto para anotar.

Giulia não percebeu que a garota ao lado do cliente franzia o cenho.

— Que intimidade é essa, Maximilian? — A mulher sentada ao lado dele perguntou. — Desde quando conhece essa garçonete?

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