
Laços de Interesses: 365 dias de casamento por conveniência.
Capítulo 2
— Eu já estive aqui outras vezes, Daniela! — O tom rouco de Maximilian replicou.
O outro rapaz e a sua companheira riram da situação.
— Olha, a garçonete é a garota que tentou atravessar a rua na frente do carro. — O amigo de Maximilian aproveitou a oportunidade para debochar.
— A sua mãe não te ensinou a olhar por onde anda, querida? — Daniela fez pouco caso ao questionar. — Precisa ficar atenta ao semáforo e só atravessar quando o sinal ficar verde, — a acompanhante de Maximilian explicou num tom desdenhoso, fazendo os os outros ocupantes da mesa rirem.
O rosto de Giulia ardia com o constrangimento. Ela baixou o olhar por um momento e em seguida, indagou:
— Eram vocês que estavam naquele Lamborghini?
— Desculpe, a minha noiva estava dirigindo, — A voz grave de Max explicou.
“Como ele se sente fascinado por esse tipo de mulher?” Giulia perguntou em seus pensamentos. Ela sentiu uma pontada de ciúmes por ver que Maximiliam era comprometido.
— Traga um café para a minha noiva, por favor! — Maximilian solicitou educadamente.
Após pedir licença, Giulia saiu para atender outros clientes da cafeteria. Podia ouvir as gargalhadas enquanto Daniela debochava dela. Ela olhou de soslaio para Max. “O sorriso dele é lindo”, murmurou em sua mente e voltou a passar o pano na mesa.
Alguns minutos depois, ela retornou para servir Maximilian e dos outros. Ao se aproximar, Giulia não teve tempo de ver o pé que apareceu em sua frente e acabou tropeçando. Os copos caíram da bandeja que desequilibrou de sua mão. Os cafés e os cappuccinos espirraram não apenas em seu uniforme, mas nas roupas dos ocupantes de outra mesa.
Enquanto os clientes escrutinavam-na, Giulia recolhia os copos apressada, tentando limpar a sujeira.
— Garota desastrada, — a gerente reclamou.
— Foi ela que colocou o pé na minha frente — Giulia apontou para a noiva de Max.
— Como ousa me culpar? — Daniela levantou a voz ao inquirir. — Vai permitir que a subalterna me trate dessa maneira? — Ela olhou para a gerente.
— Nos perdoe, senhorita! — A administradora da cafeteria disse antes de se virar para Giulia. — Pegue o esfregão e não estorve a cliente com as suas mentiras. A sua distração será descontada no seu salário.
— Sim, senhora! — Ela levou a bandeja com os copos vazios
Ao retornar, Giulia passou o esfregão no piso de cerâmica da cafeteria. Ela não ousou olhar novamente para a mesa onde Maximilian estava. Era melhor fingir que eles não existiam e deixar que outra garçonete os atendesse.
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Ao fim do expediente, Giulia saiu do trabalho com um ar desolado depois que a gerente enumerou todos os motivos para dispensá-la de suas funções. Cruzando os braços, ela continuou a caminhar, sentindo os flocos de neve caindo sobre o agasalho.
“O que vou fazer para continuar a viver nesta cidade?” Absorta, Giulia seguia para oficina mecânica onde deixou o seu automóvel Impala 67. Inesperadamente, um luxuoso veículo começou a acompanhá-la.
— Giulia!
Ao reconhecer a voz máscula, ela manteve o olhar fixo no horizonte.
— Quer uma carona? — Maximilian insistiu.
— Não, obrigada!
Os passos dela ficaram mais ágeis. Giulia tinha medo do que aquele homem e os seus amigos poderiam fazer se ela entrasse naquele veículo.
— Você vai ficar gripada! — A Lamborghini prata continuava acompanhando-a. — Venha logo!
— A sua noiva sabe que o senhor oferece carona para garçonetes?
— Daniela não está aqui. — Ele confidenciou. — Estou sozinho.
— Por favor, deixe-me em paz ou vou à polícia! — Ela ameaçou e em seguida, correu.
Max parou em um sinal vermelho no cruzamento. Neste instante, Giulia tomou distância. Ela olhou sobre o ombro direito e de repente, escorregou no gelo sobre a calçada. Uma pequena descarga elétrica percorreu por seu cérebro quando ela tombou e a cabeça se chocou contra o chão. Havia neve nos cílios que tremeluziam. Ela tentou manter as pálpebras abertas, no entanto, o cansaço foi mais forte. Giulia mergulhou numa total escuridão.
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— Onde estou? — A garota tentava abrir os olhos. — Papai! — Viu o borrão ao seu lado.
Quando ela se acostumou com a luz, observou o homem calvo parado perto de sua cama.
— Quem é você? — Indagou ela, estreitando a vista.
— Sou o Dr. Mancini. — O médico se apresentou.
— Como vim parar aqui?
— Você estava desacordada na calçada quando o seu amigo te encontrou. — Dr. Mancini apontou a luz da lanterna, examinando os olhos cor de âmbar.
— Que amigo?
— O senhor Maximilian Salvini.
Salvini? Repetiu em seu subconsciente, tentando lembrar de algum conhecido com o mesmo sobrenome.
De súbito, outro pensamento lhe ocorreu. Giulia sentou-se na cama no instante em que refletiu sobre como pagaria a conta do hospital.
— Não houve concussão, — O médico mexeu na tela do tablet. — Eu vou te liberar.
Ao sentar na cama, Giulia tocou na nuca antes de perguntar:
— Onde eu posso conversar sobre o pagamento, doutor?
— O senhor Salvini já cuidou disso. — O médico avisou.
O Dr. Mancini prescreveu analgésico para dor de cabeça e lhe deu a receita antes de sair. Pelo quarto, Giulia procurou por seu casaco, mas não encontrou.
— Aqui está, senhorita! — Uma enfermeira trouxe um sobretudo masculino preto. — O seu amigo pediu para te dar esse agasalho.
— Obrigada! — Esboçou um sorriso refreado.
Logo após vestir o casaco, Giulia meteu a mão nos bolsos para aquecer as mãos. Os seus dedos puxaram um papel dobrado em duas partes. Os seus olhos percorriam sobre as letras que mais pareciam garranchos: “Pegue um táxi e fique atenta ao atravessar a rua. Ah, tome cuidado para não escorregar na rua de novo. Nos vemos em breve! Cordialmente, Maximilian Salvini!”.
— Prefiro não vê-lo nunca mais, — murmurou para si mesma.
— Quer alguma coisa, senhorita? — A enfermeira indagou.
— Posso ir?
— Claro, só precisa assinar os papéis da alta.
O tratamento pareceu-lhe bastante especial. Ela esteve no hospital da cidade outras vezes e nunca foi atendida com tanta cordialidade. Após assinar, ela deixou o quarto.
O sol brilhava fracamente quando Giulia saiu do hospital; contudo, o dia ainda era frio. Não podia voltar para a casa da tia para retirar o restante de suas coisas.
Metendo a mão no outro bolso, ela retirou uma nota de 200 euros. Giulia não teve outra opção a não ser arrumar um jeito de voltar para o sítio em Turim, em Piemonte.
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