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Capa do romance West Moon: Cidade das Bruxas - Vol I.

West Moon: Cidade das Bruxas - Vol I.

Em Midnight-Sun, a prosperidade dos clãs ocultos deu lugar a um rastro de sangue e sombras. Acusada injustamente por crimes que jamais cometeu, Adelaide Campbell acaba sentenciada à morte na fogueira em praça pública. Diante dessa execução brutal, resta a Sarah Campbell uma única alternativa para salvar seu irmão e o restante do clã: expor as atrocidades e os segredos sombrios de uma sociedade que outrora vivia em harmonia, mas que agora sucumbiu ao caos.
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Capítulo 3

Parte I

Sarah Campbell

Doze anos atrás.

Eu corria animadamente com o Dante pela floresta até encontrar aquele homem, o homem no qual a minha mãe sempre insistiu para que ficássemos longe porque ele era um homem mau.

No começo eu não achava que ele realmente fosse, nas missas da igreja ele sempre aparentou ser um bom dirigente e um bom homem, até que minha opinião e visão dele mudou naquele dia.

Depois que a nossa mãe nos mandou colher algumas ervas, fomos animado floresta adentro, era o nosso passatempo quando não tínhamos atividades dentro da nossa função no clã, que basicamente se resumia em plantação. E assim que estávamos quase chegando no limite de West Moon encontramos ele em cima da pobre Agatha do clã Scott, uma garotinha que na época também tinha oito anos de idade, o bispo Antônio não estava a castigando, ele estava fazendo uma coisa muito diferente de um castigo, e eu não sabia o que era.

Quando percebemos que aquilo não era um carinho, corremos de volta em direção a nossa casa para pedir ajuda, mas nenhuma das mulheres acreditaram nas palavras de duas crianças de oito anos, até que então, fomos repreendidos por nossa tia Anastacia, irmã da minha mãe. Ficamos nos nossos aposentos naquele dia, e minha mãe e avó foram as únicas que acreditaram na nossa palavra.

Dias depois, a pobre Agatha morreu com uma hemorragia interna, os médicos da cidade não souberam o que tinha acontecido, de fato, mas agora eu sabia. Uma hemorragia uterina interna só poderia ser causada por uma lesão, e para ter acontecido com uma garotinha de oito anos só podia ser causado por alguém, e esse alguém era o bispo Antônio, que me causava repulsa todas as vezes em que os nossos olhares se encontravam.

Dias atuais, 1830, West Moon.

一 Você gostaria de ouvir novamente a história? 一 Minha avó me perguntou logo após me ver chegar perto de seus aposentos.

一 Como a senhora sabia que era eu? 一 Indaguei.

一 Eu te conheço, Sarah Campbell, e sei de todos os seus passos 一 Ela sorriu.

一 E então, a senhora me contará a história?

一 Mas é claro que sim, venha minha querida 一 Ela bateu com a mão para que eu me juntasse a ela no seu grande acento de madeira acolchoada.

一 Por onde começaremos dessa vez?

一 Na bênção da deusa Lua 一 Ela sorriu.

一 Então poderás começar vó.

一 West moon foi criada a milhares de anos atrás, assim como as outras vilas 一 Disse-me se sentindo nostálgica 一 Como um presente para os seus quatros filhos, a deusa Lua, nomeou cada uma das vilas, que foram passados de geração em geração.

一 A senhora nasceu aqui assim como eu? 一 Indaguei.

一 Assim como todas as outras e você, sim. Mas diferente das outras, houve uma época da minha vida, que eu acabei fugindo para longe de West Moon, para longe do país de Midnight-Sun.

Minha avó sempre relembrava a sua aventura, mas ela nunca completou a história, sempre parava quando tudo estava ficando interessante, mas o que eu não entendia era o porquê ela não gostava de falar da sua volta a West Moon.

一 E o que a senhora achou da sua pequena fuga de Midnight-sun?

一 No começo, eu adorei conhecer coisas novas, coisas que em West moon eu não poderia ter. Roupas novas, sapatos e espartilhos eram algo no qual West Moon jamais teria.

一 Mas agora temos, vó.

一 Depois de anos finalmente temos algo.

一 E por que a senhora resolveu voltar? 一 Indaguei querendo obter respostas concretas sobre a sua volta.

一 Creio que isso não lhe diga a respeito, Sarah Campbell 一 A voz ecoou pelo pequeno aposento de minha avó, e eu reconhecia melhor do que ninguém a dona daquela voz.

一 Mama! 一 Me levantei num grande pulo.

一 E finalmente te encontrei. Viajaremos até o centro de Midnight-sun, uma senhora da capital está prestes a dar a luz ao seu primeiro filho, se apresse porque virás comigo 一 Minha mãe se retirou do quarto logo após me entregar a notícia.

一 Continuaremos isso em outra hora, vó 一 Avisei, eu realmente gostaria de saber o restante da história.

一 Como queira, criança. Agora vá, creio que Adelaide não ficará contente se você se atrasar.

一 Exatamente. Bênção, minha avó.

一 Que a deusa Lua te abençoe, minha criança.

Logo após a reverência, sai de encontro a minha mãe por toda parte da casa, e a encontrei na nossa pequena sala de estudos, onde tínhamos livros e várias ervas.

一 Queres ajuda? 一 Perguntei me aproximando enquanto a mulher arrumava a sua pequena mala.

一 Pegue para mim dois punhado de calêndula e um pouco de álcool 一 Pediu.

Depois que ouvi as palavras da mulher, caminhei em direção até o grande armário de madeira antiga e procurei por todo o lugar, até que finalmente achei na última fileira um enorme pote com as folhas laranjas e amarelas. Assim como a minha mãe pediu, peguei dois punhados de flores e coloquei em um saquinho de algodão que minha mãe sempre usava para guardar as suas ervas para venda ou ajuda.

O próximo passo era o álcool que eu também podia encontrar no lugar, o grande barril no canto da sala estava sempre estava cheio para a nossa sorte, pois sempre ocorria festa na vila West moon, e como temos um estoque de álcool em nossa casa, compartilhamos todas as vezes com as pessoas da vila.

一 Está tudo aqui, mamãe.

一 Teremos que partir agora, Sarah.

Minha mãe saiu apressada de nossa casa e foi diretamente em direção ao celeiro que para a minha surpresa, a nossa carroça já estava pronta.

一 Aqui está a carroça que a senhora me pediu mama 一 Dante disse assim que nos viu chegar.

一 Muito obrigada, meu querido filho. 一 Agradeceu.

一 Boa tarde, senhora Campbell.

一 Boa tarde, Matthew 一 Cumprimentou a minha mãe 一 Não seja uma moça má educada, cumprimente o rapaz, Sarah.

一 Boa tarde, doce Matthew 一 Cumprimentei como a minha mãe havia pedido mas com um leve tom de ironia.

一 Boa tarde, bela Sarah 一 O rapaz disse com um sorriso ladino.

Ignorei o seu comentário e subi na carroça na qual a minha mãe já se encontrava sentada e pronta para que pudéssemos partir, sem que eu pedisse, Matthew me ajudou a subir na carroça, e um choque passou por todo o meu corpo assim que nossas mãos se juntaram, e aparentemente o jovem rapaz também sentiu, porque assim como eu, ele também puxou a sua mão.

一 Voltaremos em breve 一 Disse a minha mãe para o meu irmão gêmeo, Dante.

Eu não entendia o nosso clã, de fato, na vila West Moon todos éramos campbell’s, mas nenhum de nós éramos parentes, talvez a terceira filha da deusa lua tivesse tido várias filhas ou filhos e então, eles se reproduziram aumentando a linhagem campbell, para mim, tudo aquilo fazia sentido.

Chegamos na cidade em duas horas, e o caminho inteiro observei a passagem pela floresta e como as ervas espalhadas me fascinavam. Deixamos a nossa carroça um pouco distante de onde iamos para o parto e depois que pegamos a bolsa com os instrumentos que usamos, fomos direto para a casa da mulher.

Depois de quinze minutos andando, finalmente chegamos em frente a casa da senhora, que de fato, já dava para ouvir os gritos ainda de fora do lugar. O filho mais velho do casal Joel, permitiu a nossa entrada e assim que nos viu, a mulher que estava deitada em sua cama, sorriu.

一 Graças a Deus vocês chegaram 一 Disse o homem.

一 Desculpe-me pela demora senhor roberto, quero que me traga uma tigela com água morna um pano quente 一 Minha mãe pediu.

Minha mãe havia feito o parto de três dos filhos da senhora Elaine, e que por sinal, agora estava no quarto filho da senhora. Eu não estava com um bom pressentimento sobre o quinto filho do casal, era como se alguém sussurrasse no meu ouvido e me falasse que aquele bebê iria morrer.

一 Sarah, ajude-me 一 Pediu a minha mãe.

一 Mama 一 Sussurrei e então ela me olhou assustada, mas ignorou e voltou a sua atenção para a mulher.

一 Força, Elaine, força 一 Minha mãe pediu enquanto colocava o pano de água morna em sua cabeça.

A mulher parecia fraca a cada vez que ela fazia força, e a minha mãe também estava vendo isso, e foi quando ela começou a ajudar a empurrar a barriga da mulher para baixo.

一 Só mais um pouco, Elaine, ele já está quase saindo 一 Minha mãe pediu, e assim a mulher fez, e finalmente a criança estava fora de seu ventre.

E como no meu pensamento, o bebê realmente estava morto. Ele não chorava como normalmente era feito, e diferente da cor normal, o bebê da mulher estava com a cor de seu corpo roxo e mole, minha mãe saiu de onde a mulher estava com o corpo da criança, e enquanto ela tentava reanimar, eu limpava a mulher com a calêndula e o álcool.

一 Por que ele não está chorando? 一 Perguntou-me a mulher aflita.

一 Se acalme senhora 一 Eu pedi.

一 Como eu posso me acalmar se o meu filho não chora? 一 tinha desespero na sua voz.

Não respondi a mulher, e depois de finalmente acabar de limpar-lá, minha mãe finalmente voltou com o corpo do bebe em suas mãos, e assim que a mulher percebeu que o seu bebê estava morto, ela caiu em prantos.

一 Infelizmente não consegui salvar o seu bebê 一 Minha mãe disse se aproximando da mulher que berrava de chorar 一 É um lindo menino, Elaine, você foi uma mulher muito forte tendo essa criança, que agora se encontra novamente nos braços do pai celestial 一 Minha mãe disse tentando a confortar, e então, os quatro filhos e o marido entrou no quarto, e assim como a mãe, o choro começou vindo deles, exceto do pai que estava imovel.

Não tínhamos nada que pudéssemos fazer por aquele casal e seus filhos, e assim que o senhor Joel nos viu, se aproximou devagar ainda sem expressão e então ele suspirou.

一 Obrigado pelos seus serviços Adelaide, aqui está o seu pagamento 一 O homem disse de uma maneira um pouco fria enquanto entregava o pequeno saco para a minha mãe.

一 Obrigada pelo pagamento, e lamentamos pela sua perda 一 Minha mãe disse e logo após a reverência, saímos do lugar sem falar nada.

Minha mãe caminhou apressada de volta a carroça, como se estivesse fugindo de alguém, mas assim como ela, eu também sabia que a população costumava colocar culpa nas parteiras pelas lamentáveis mortes dos bebês.

O caminho de volta a West Moon foi em completo silêncio, minha mãe parecia pensativa no caminho de volta para casa, e eu entendia perfeitamente como a minha mãe se sentia, Adelaide Campbell era uma mulher adorável e que amava criança, e todas as vezes que um parto dava errado, a minha mãe se sentia culpada por cada um deles.

Chegamos em casa e o Dante ainda estava nos esperando no mesmo lugar para guardar o cavalo novamente, dessa vez, ele não perguntou nada de como tinha sido o parto, porque ele percebeu que a nossa mãe ainda estava melada de sangue, todas as vezes ela costumava a se limpar, mas agora, ela não tinha feito isso, e a sua bata cinza, estava coberto pela cor vermelha.

A mulher saiu da carroça e seguiu para a nossa casa sem falar nada para nós, e nós dois, naquele estábulo, ficamos apenas observando a mulher ir em direção a nossa casa enquanto não aparentava estar nada bem.

一 Aconteceu algo de ruim na casa em que vocês foram?

一 O bebê veio a óbito, a mama fez de tudo para que pudesse salvar a criança mas nada adiantou.

一 Por isso ela está dessa forma.

一 Não comente nada com ela, Dante, espere ela se recuperar.

一 Seu pedido é uma ordem.

Como chegamos a noite, era provável que o jantar já estivesse servido, então entramos para a nossa casa sem dizer nenhuma palavra da nossa mãe, antes que eu pudesse me juntar a mesa para que então eu pudesse jantar com os outros, fui em direção a casinha do lado externo da nossa casa e então eu me banhei tranquilamente, mas nem tanto quanto eu queria, pois me lembrei da voz me avisando novamente sobre a criança que iria morrer.

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