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Vulgar

Mina é bem-sucedida, mas sua virgindade persiste como um desafio pessoal. Para resolver isso, ela contrata Ryker, um acompanhante. Contudo, após o encontro, a dupla presencia um crime da máfia russa em Paris, tornando-se alvos imediatos. Em uma fuga desesperada para a Holanda, eles lutam pela sobrevivência enquanto uma química intensa surge. Entre o perigo e a adrenalina em Amsterdã, Mina vê uma nova chance de finalmente se entregar a Ryker.
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Capítulo 3

O trem seguia deslizando pelos trilhos em alta velocidade e eu não conseguia

parar de repensar minhas decisões. Ia ser demitida. Não ia poder voltar para

casa, não era?

Não seja idiota, Mina, caso contrário eles te acham e te explodem também.

Ryker estava ao meu lado, lendo um livro como se não tivesse uma única

preocupação no mundo. Respirei fundo e repassei minha lista.

Listar era a única coisa que conseguia me acalmar em qualquer situação. Eu e

minhas preciosas listas.

1 – Você viu um assassinato.

2 – Foi cometido por um chefe do crime. Eu me sentia ridícula por pensar nas

palavras chefe do crime.

3 – Ele deve ter contatos na polícia, e são muitos. Ou você deu azar e

encontrou o único policial vendido de Paris. Provavelmente, a primeira

opção. Não que eu esteja questionando meu glorioso azar.

4 – Explodiram minha casa, a agenda telefônica com o número do seguro e o

Arthur.

5 – A única pessoa com quem eu podia falar sobre isso era o Ryker. E ele

estava na mesma merda que eu.

6 – Elise mandaria a polícia atrás de mim.

7 – Ryker dizia que conhecia alguém que podia nos tirar da merda.

8 – Eu ia ter que confiar em Ryker.

Não porque eu queria.

Mas pela mais absoluta falta de opções.

Respirei fundo mais uma vez. E mais duas.

– Você respira do jeito errado. – Ele mal tirou os olhos do livro.

– Desculpa? – resmunguei baixinho a fim de evitar que os dois jovens

sentados nas cadeiras de frente para nós me ouvissem. – E tem um jeito certo de

respirar?

– Você enche os pulmões para cima. Não dá certo assim.

– E o melhor jeito de respirar é sem encher os pulmões?

Ele abaixou o livro.

– É uma figura de linguagem, espertinha. É claro que, fisiologicamente, você

sempre enche os pulmões quando respira.

– Fisiologicamente? – Se ele ia rir de mim, então eu também ia rir dele. –

Estou surpresa. Não achei que homens como você conhecessem palavras com

mais de quatro sílabas.

– Minha cara, entre nós dois, quem está lendo um livro sou eu. Enquanto você

não para de encarar aqueles dois.

Ele falou um pouco alto demais quando apontou para os dois caras do outro

lado, e o ardor nas minhas bochechas me informou que eu devia estar ficando

vermelha. Agora eles estavam olhando para mim e sorrindo. Olhares demais.

Sugestivos demais. E me odiei por não ter ficado quieta.

– Só não descobri ainda se você preferiu o da direita ou o da esquerda. Diga

para mim, menina, você prefere loiros ou morenos?

– Ryker, cale-se – sibilei.

– Achei que estávamos brincando de deixar o outro com vergonha – sussurrou

para mim antes de se virar para suas duas novas amizades. – Nem se

empolguem, colegas. – Apontou o polegar para mim. – Virgem – anunciou. Eu

quis bater nele. – E dá um trabalho horrível. – Voltou para seu livro e afundei na

poltrona.

O loiro e o moreno estavam rindo para mim e considerei se não teria sido

melhor ser explodida junto com Arthur.

Acalme-se, Mina.

Respirei fundo.

– Jeito errado…

– Cala a boca, Ryker! Respiro do jeito que eu quiser!

– Se tivesse respirado certo ontem, a gente teria transado e eu poderia estar te

comendo até agora. Mas não! Você respira do jeito errado, entra em pânico e

quase arranca fora a ferramenta da minha masculinidade.

– Será que você poderia ser só um pouquinho mais discreto? – implorei e ouvi

os dois rapazes rindo incontrolavelmente.

– O que foi? Eu disse ferramenta da minha masculinidade. Não disse pau ou

cacete, exatamente para ser discreto.

Dei um soco no seu ombro e levantei.

Ele riu pedindo que eu ficasse, mas eu estava andando pelo corredor

procurando outro assento vazio. Encontrei um jogo de poltronas no final do

vagão e me enfiei ali.

– Eu estava só brincando. – Jogou-se na poltrona na minha frente e o ignorei.

Pelo menos ali não havia mais ninguém para rir de mim.

– Estava me humilhando. Era realmente necessário?

– E você com o garoto de programa que não sabe palavras com mais de

quatro sílabas era o quê? Brincadeira ou humilhação?

– Você foi longe demais.

– Tá legal. – Tocou meu joelho com um aperto amigável. – Desculpe, tudo

bem? Eu faço piada quando estou nervoso e o assunto sexo sempre me acalma. É

um momento complicado e eu não posso me aliviar do jeito que estou

acostumado porque você é virgem.

– Não vou transar com você porque está nervoso!

Ele riu.

– Obrigado por considerar. Mas eu disse aliviar no sentido de fazer piadas

sobre sexo. Mas se você quiser ficar nua comigo ali no banheiro, não vou

reclamar.

Chutei seu pé.

– Ai! Tá! Desculpa! Parei.

– Como você consegue ficar tão calmo?

– Não estou calmo.

– Com suas piadinhas e seu livro? Parece bem calmo para mim.

Sacudiu a cabeça encarando a janela por um instante.

– Acho que já estive em situações de merda o suficiente na minha vida para

aprender que entrar em desespero não ajuda.

– E essa é uma grande situação de merda, hein? – Suspirei, mais para mim

mesma do que para ele.

– Comemorar meu aniversário fugindo de um mafioso assassino? Sim, é o que

eu encaixaria na definição.

Minha boca estava entreaberta e eu não soube se desejava os parabéns ou se

expressava meu pesar.

– É seu aniversário?

– Daqui a alguns dias. – Abanou a mão, e eu soube que ele não queria se

demorar naquele assunto. – Mas e então? Vai me deixar ler? Ou prefere

continuar o programa de ontem à noite no banheiro do trem? – Piscou um olho

brincalhão e descarado, me fazendo expirar em desistência.

– Volta a ler seu livro, vai. Fica quieto.

– Acho que eu preferia você perdida, sem saber o que fazer. Você mandona é

chata.

– Isso não é ficar quieto, Ryker.

Fez uma careta para mim e levantou o livro.

Vi a capa de relance e…

Eu não acredito!

Tomei o livro das suas mãos e ele reclamou.

– O último resquício do pudor. Lexa Strome! – Eu tive que rir – Lexa Strome!

– O que você tem contra ela? – Tomou o livro de volta.

– Nada. Acho que ela escreve muito bem. Mas eu sou mulher.

– Não entendi o preconceito.

– Isso é literatura erótica para mulheres, Ryker. Não é preconceito, é um fato.

– Você já leu esse aqui?

– Ainda não.

– Então, é um conceito formado previamente de algo que você não conhece

em sua plenitude. Preconceito.

– Ela só escreve erotismo para mulheres. É o estilo dela! Posso não ter lido

esse, mas conheço a autora melhor do que você.

– Duvido muito.

Ri mais alto.

– É fã do estilo, Ryker? Gosta de se imaginar sendo o alvo da luxúria voraz de

algum homem rico e sedutor?

– Não entendi a graça. Se eu fosse bissexual seria até melhor, não é? Teria

uma clientela maior – constatou distraidamente. – E, além disso, isso aqui é

material de consulta para mim. Saber o que deixa mulheres virgens e fantasiosas

como você molhadas. Posso usar muita coisa.

– Está dizendo que literatura erótica é coisa de virgens fantasiosas? Quem está

sendo preconceituoso agora?

– Quer ouvir um segredo? Prefiro literatura erótica a qualquer outro gênero.

Acho o estilo mais basal e verdadeiro que existe da palavra escrita. E não sou

uma virgem fantasiosa. Então: não, senhorita Bault, não acho que seja coisa de

virgens fantasiosas.

– Falou só para me constranger?

– Precisamente.

– Obrigada.

– De nada. De qualquer modo, não é só por isso que leio os livros dela.

– E por quê, então?

Ele me olhou por cima das páginas por um segundo, como se considerasse.

– É minha irmã – respondeu, expirando longamente.

Pisquei o olho algumas vezes, recuperando o foco.

– Sua irmã? Lexa Strome é sua irmã? A autora de best-sellers eróticos

internacionais?

– É. Qual o problema?

– Não acredito.

– Por que não?

– Sua irmã tem um bocado de dinheiro e você se prostitui?

– Meus pais têm um bocado de dinheiro também.

Engoli em seco.

Não era mais engraçado. Ele estava falando sério.

– Eu não… entendo. Por que você se prostitui?

– Porque eu gosto. E o dinheiro é bom. Além disso, não é meu único trabalho.

– Não?

– Não.

Senti em seu tom que ele não ia responder à próxima pergunta.

Olhou para o relógio.

– Acho que a viagem ainda vai demorar um pouco.

– Vamos fazer uma escala em Bruxelas.

– E vamos descer do trem? Achei que íamos para Amsterdã.

– E vamos. Mas tenho um amigo em Bruxelas… Ele é como um irmão e me

deve uma porção de favores. Talvez seja bom passar para vê-lo.

– Por quê? Ryker… Acho que é melhor ninguém saber onde estamos.

– Não vou dizer a ele para onde vamos. Mas vou contar a história para ele,

fazer um relato em vídeo ou algo assim. E a gente vai precisar de dinheiro.

Fazer um relato em vídeo.

– Por que você quer contar a história para ele? – Minha voz tremeu.

– Por segurança. – Levantou um ombro.

Ele estava preocupado. Queria ter um plano B caso a gente morresse. Um jeito

de levar os culpados à Justiça. Era ao mesmo tempo incrivelmente lógico e

mórbido da parte dele. Sua coesão me fez admirá-lo.

– Mas agora é minha vez – falou animado. Deve ter notado meu nervosismo. –

Já fez suas perguntas, agora quero fazer as minhas. O que há de errado com

você?

– Como? – Levantei uma sobrancelha.

– Você é bonita, gostosa. Sagaz, esperta. Lê Lexa Strome – riu. – Por que

ainda é virgem?

– Uma mulher não pode escolher esperar? – desafiei.

– Pode. Mas as que fazem essa escolha raramente me contratam. – Seu sorriso

era descarado na medida certa, e me lembrei de seu hálito na minha pele poucas

horas atrás.

– Acho que… – Seu sorriso me desconcentrou, só que não estava pronta para

despejar todas as minhas inseguranças em um desconhecido que praticamente

tinha me visto nua. – Acho que quando chega a hora eu sempre respiro do jeito

errado. – Dei de ombros.

Ele sorriu, compreensivo.

– Eu sabia.

Segurei Mina pela mão quando descemos do trem. Ela entrelaçou os dedos

nos meus e um alerta disparou na minha cabeça.

Ela podia só estar insegura e com medo, buscando algum conforto.

Ou pode estar confundindo minha preocupação com carinho.

Eu podia ouvir a voz do meu cunhado estalando nos meus ouvidos. Apertei

meu livro na outra mão. Eu amava minha irmã, apesar de todos os nossos

problemas. Apesar do modo como ela abandonou todos nós e fugiu com o cara

que hoje seria seu namorado, caso os dois não fossem tão cabeças-duras. E ali,

naquele simples livro, estavam algumas respostas.

Mas não importava o quanto eu amasse minha irmã.

Eu admirava o quase namorado dela mais. Era por isso que eu preferia pular

as etapas e considerá-lo meu cunhado, de uma vez. Tê-lo como parte da família

era uma ideia que me agradava. Quase como se assim ele pudesse ser meu

irmão.

O cara simplesmente entendia como as coisas funcionavam e eu fazia questão

de não esquecer nada que ele me dissesse.

Se você acha uma mulher gostosa, Ryk, diga pra ela que ela é gostosa. Ela

pode te dar a boceta, a bunda, a boca ou um tapa. Mas não vai te dar o coração.

Fuja dos corações. Elas se apaixonam, então você para de foder e passa a ser o

fodido. É uma merda.

A última coisa de que eu precisava em uma situação como a minha era a

menina se apaixonar por mim. E com o nível de inexperiência e deslumbramento

que ela deveria ter, se apaixonaria inevitavelmente.

Se você as ignora, é pior, Ryk. Elas começam a alucinar que você está caindo

de amores, mas com medo de se envolver, aí partem em uma jornada para abrir

seu coração. É muito inconveniente e toda essa conversa sobre coração deixa

seu cacete com ciúmes da atenção. E você nunca quer contrariar seu cacete.

Eu precisava deixar bem claro que queria sexo com ela e nada mais que isso.

Soltei sua mão e passei o braço pela sua cintura. Deixei minha mão

perigosamente na parte baixa de suas costas.

– Ryker…

Sério?

Ela já ia reclamar?

Escorreguei a mão mais para baixo e já ia dizer alguma safadeza sobre como

era difícil me controlar perto dela, quando repetiu.

– Ryker. – E me segurou.

Mina estava olhando para algum ponto à nossa esquerda. Segui seu olhar e vi

imensos televisores no alto de uma das colunas. Nele, uma imagem borrada

minha, feita pelas câmeras de segurança na Gare du Nord, estava estampada

abaixo de uma grande manchete, “pode ter informações importantes”, com um

número para contato logo na sequência.

– Mas que merda… – As palavras escaparam descrentes da minha boca e eu

fiquei parado no meio do saguão.

– Vem. – Mina estava me puxando. – Mantenha a cabeça abaixada.

Todos os meus neurônios pareciam concentrados em entender o que diabos

estava acontecendo, e meu corpo seguiu Mina sem questionar.

A foto não era clara e seria difícil alguém me reconhecer. Mas não impossível.

– O seu amigo que mora aqui em Bruxelas, ele mora longe daqui?

– Não muito. Alguns quilômetros. Não é uma boa ideia ir andando.

– Então a gente pega um táxi. Ainda sobrou dinheiro? Do que eu te paguei?

– Claro. Eu sou caro e você me pagou a mais. – Talvez aquilo pudesse soar

como uma piada, mas as palavras foram ditas sem qualquer cortesia jocosa. Eu

ainda estava tentando colocar sentido nos acontecimentos.

A saída da estação estava poucos metros à nossa frente, mas para chegar até

ela, teríamos de passar por dois policiais que assistiam à notícia com atenção.

Baixei a cabeça e engoli em seco. Queria correr e passar por eles o mais rápido

possível. Mina segurou meu braço e os policiais se viraram para nós, olhando ao

redor. Tinha plena consciência de que eu estava parado no meio do salão com

uma cara de culpado, quando os policiais começaram a se aproximar. Meu

coração disparou e Mina se moveu do meu lado.

Eu estava preocupado demais com os policiais e só notei sua aproximação

quando ela já estava na minha boca. Os braços nos meus ombros. Os dedos

enfiados nos meus cabelos.

A menina tinha um cheiro bom. Abri os lábios e deixei que ela enfiasse a

língua na minha. Apertei sua cintura contra meu quadril e a beijei de volta. Sua

boca era delicada e desajeitada, mas uma delícia de morder. E foi isso que fiz.

Ainda tinha seu lábio inferior entre os dentes, quando ela abriu os olhos e me

empurrou.

– Vem. – Segurou-me pela mão, nos encaminhando para a saída, assim que os

policiais passaram por nós.

Algo no modo urgente e sem cerimônias como ela segurou minha mão me fez

pensar que talvez meu cunhado estivesse errado. Talvez ali estivesse uma garota

virgem e cheia de fantasias que não se apaixonaria.

Uma coisa estranha e miúda dentro de mim fez um bico de birra e desejou que

eu estivesse errado. Então, Mina parou um táxi e eu resolvi voltar a me

concentrar no que estava acontecendo.

– Belo truque. Já fugiu da polícia antes?

– Já assisti a filmes de ação antes. Entra.

Ela me empurrou para dentro do táxi e me beliscou no braço. Eu reclamei e

ela só me olhou de volta com uma careta raivosa e mandona. Eu disse o

endereço para o motorista e o táxi correu pelas ruas.

– Você disse que ele te devia uns favores, esse seu amigo – suspirou. – Tomara

que sejam uns favores bem grandes.

O amigo de Ryker, Antoine, parecia uma pessoa gentil. Apenas me

cumprimentou com uma palavra e um sorriso, mas tinha gentileza nos seus

olhos. Eles conversaram por poucos minutos; Ryker contou o que tinha

acontecido e Antoine lhe deu as chaves do seu carro e enfiou um tanto de

dinheiro em suas mãos.

Eu não sabia qual era a história ali, mas pelo modo fraternal como se

abraçaram antes de irmos embora, imaginei que havia confiança e carinho o

suficiente.

A viagem até Amsterdã aconteceu sem incidentes, ao contrário de tudo o mais

nas últimas doze horas. Ouvíamos o que tocasse na rádio e tentávamos manter o

assunto longe de sexo ou assassinatos. Era adorável como ele sorria cantando

pedaços das músicas e quase me fazia esquecer o verdadeiro motivo e o

propósito da nossa jornada. Já era quase meio-dia quando chegamos, e o sol

brilhava no meio do céu frio carregado de nuvens.

Ryker estacionou na rua e subiu as escadas até a porta de entrada de uma casa

comprida e vertical, enfileirada entre outras casas idênticas, mas de diferentes

cores.

– Estamos no meio do dia, Ryker! Ele não deve estar em casa. – lembrei-o

quando ele bateu com força na porta, pelo que deveria ser a quinta vez.

– Lucky trabalha de noite – explicou quase no mesmo instante em que uma

voz rouca anunciou um já vai irritado, lá de dentro.

– Ryker? Mas o que diabos… – Ele era alto, comprido e vertical, como a casa

em que morava. Cobriu os olhos acinzentados com uns óculos de armação velha

e frágil, antes de passar a mão pelos seus ralos cabelos claros. Parecia ter mais

de cinquenta anos e menos de cinquenta quilos. Não era o que eu esperava de um

dono de uma boate em Amsterdã.

– Lucky… Eu tive um problema. É uma coisa séria. A gente pode conversar?

– Claro, claro… Entre! – convidou. – Olá. – Sorriu para mim ainda incerto se

deveria ou não ser simpático.

– Olá.

– Oi, Bessie! – Ryker cumprimentou uma mulher corpulenta e sorridente.

– Olá, querido! Quanto tempo!

– Essa é minha amiga, Mina.

Eles sorriram para mim mais uma vez.

– Está com fome, querida?

Eu fiz um gesto que poderia ser compreendido como um “sim”, um “não” ou

um “talvez”. Bessie sorriu e me puxou para a cozinha. Ryker entrou com Lucky

e eu pude apenas imaginar sobre o que eles estariam conversando.

Bessie me serviu um café da manhã exagerado, e bastou colocar a primeira

porção na boca para perceber o quanto estava faminta. Devorei o resto apressada

e logo Ryker veio se juntar a mim. Quando Lucky voltou, alguns minutos

depois, nós já tínhamos comido tudo que Bessie havia oferecido. Ela estava

sorrindo e nós agradecendo.

– Aqui. – Lucky ofereceu uma chave, balançando no ar, e uma pequena

mochila carregada. Ryker pulou da cadeira.

– Obrigado, cara.

– Não me agradeça – riu, coçando a cabeça. – Para que servem os amigos, não

é? E você vai me trazer dinheiro, então está tudo certo. – Deu um tapa no ombro

de Ryker. O que Lucky disse foi apenas um sussurro, mas eu o ouvi muito bem

quando ele apontou para mim e disse: – Você fala com ela?

O pomo-de-adão de Ryker se moveu quando ele engoliu em seco antes de

dizer:

– Falo.

O quarto ficava no primeiro andar da boate de Lucky. A escada comprida

terminava em um corredor estreito com apenas duas portas. Uma se abria para

um pequeno depósito e a outra, para um quarto com banheiro.

Um quarto.

Só um.

– Lucky morava aqui antes da Bessie. – Fechou a porta atrás de nós.

– Ele não tinha uma sala ou cozinha?

– Tem uma TV no escritório dele, lá embaixo. E a cozinha do bar.

Ryker esvaziou os bolsos sobre a mesa e a calma temporária permitiu que eu

organizasse meus pensamentos.

– Você disse que conhecia alguém que poderia nos ajudar.

– Disse.

– E quem é? Quero dizer… Quanto tempo você acha que vamos ter de ficar

aqui?

– Meu pai. Ele é um político influente, tem bons contatos.

Um político influente com um filho garoto de programa.

– Algo me diz que você não é o filho favorito.

– A alternativa seria preferir a filha que fugiu aos dezessete anos com um

moleque sem educação, criado em um prostíbulo. – Achou graça do próprio

argumento. – Mas você está certa, ele não é exatamente meu fã.

– Mas é seu pai.

– É meu pai.

– Família sempre se ajuda nessas horas.

– É… Eu não prenderia a respiração enquanto espero por ele. Vai considerar a

carreira umas oito vezes antes de nos ajudar e talvez acabe nem fazendo isso.

Vou tomar um banho.

– Como assim talvez acabe nem fazendo isso? Você disse que…

– Sei o que eu disse. Mas também disse que talvez fosse necessário sair do

continente. Kulik é poderoso, mas não é onipotente. Se a gente vai para longe da

França, ou da Europa, ele perde o apoio. Minha irmã e meu cunhado me

ajudariam, caso meu pai não consiga resolver. Ou não quiser.

– Eu tenho uma vida na França. – Sentei na borda da cama. E não estava

criticando o que ele tinha dito. Sabia que Ryker só queria ajudar, mas era uma

perspectiva assustadora ainda assim.

– Você não é obrigada a me seguir, Mina. Mas acho que deveria. Você tem

alguém que possa te ajudar?

– Não. – Sorri.

– O que foi? – Deve ter achado curioso meu sorriso em um momento tão

inoportuno.

– Você me chamou de Mina – expliquei.

– É. Estamos a salvo. Acho que é seguro te ver como uma mulher de novo. –

Piscou um olho para mim e começou a tirar a roupa.

A camisa saiu primeiro e me peguei encarando as linhas que contornavam sua

pélvis, emoldurando um caminho em direção à base de sua cueca e além.

– Pode tocar, se quiser. – Ele tinha, claramente, notado meu olhar fixo. – Ou

lamber – acrescentou com um sorriso safado.

– Vá tomar seu banho, Strome.

– Alguma chance de você vir também?

– Não, obrigada. – Tamborilei os dedos nos joelhos. – Vou depois.

Ele puxou a pequena mala que Bessie havia preparado para nós. Alguns

poucos utensílios necessários, roupas dela que certamente ficariam folgadas

demais em mim e uma mochila com algumas roupas de Ryker.

– Por que tinha uma mochila sua na casa do Lucky?

– Sempre deixo alguma coisa por aqui. – Levantou um ombro. – Por um

motivo ou outro, a vida sempre acaba me trazendo de volta para Amsterdã.

Pegou uma toalha antes de soltar o cinto e tirar os sapatos.

Eu estava encarando seu corpo de novo…

– Quer que eu tire tudo logo? – brincou, e me lembrei da noite anterior. – Ou

você quer tirar para mim?

– Vai parar de fazer piadas sobre isso alguma hora?

– É pouco provável – admitiu com um sorriso devasso, antes de se enfiar no

chuveiro.

Deixou a porta entreaberta e me controlei para não enfiar o rosto na brecha da

porta e assistir. O chuveiro foi desligado e acordei do meu devaneio. Ryker saiu

enxugando o cabelo com a toalha. Gotas de água ainda se espalhavam pelo seu

corpo úmido, e meus olhos foram atraídos para cada linha dos músculos como

que por magnetismo… Descendo do seu tórax firme para o abdômen desenhado,

seus pelos e…

Senti seu riso antes de ouvi-lo.

Virei os olhos para longe.

– Gostou de algo que viu?

Seria assim. Eu já tinha entendido. Ele ia me irritar mais e mais e mais.

Ia me deixar envergonhada, constrangida e… Por que eu estava sentindo uma

vontade incontrolável de apertar minhas pernas e esfregar minhas coxas? Tinha

um gancho pontudo fazendo cócegas na minha vagina e seria bastante

desagradável se não fosse tão bom.

Entrei na banheira e pensei em tomar um longo banho quente… Mas era

melhor tentar dormir um pouco. Liguei o chuveiro e a água escorreu pelo meu

corpo; minha mão buscou um espaço entre minhas pernas de forma involuntária.

Um dedo deslizou pouco mais de um centímetro dentro de mim enquanto meu

polegar brincava no meu clitóris. Passei a língua nos lábios e só o que minha

mente inconveniente conseguia fazer era exibir um slideshow de todas as partes

do corpo de Ryker que eu já tinha visto, sempre voltando para os seus pelos e

sua nudez de poucos minutos atrás.

Movimentos circulares fizeram meu clitóris se inchar de prazer e um gemido

baixo e incontrolável se fez ouvir, ecoando pelo banheiro abafado.

Apoiei um braço contra a parede e senti uma corrente de ar fazendo meus

pelos se arrepiarem. Virei de costas e, sem cortina ou box de vidro para nos

separar, a primeira coisa que vi foi aquele sorriso que a cada minuto eu tinha

mais vontade de morder.

– Ah, por favor, continue. Não pare por minha causa.

– RYKER! – Joguei uma mão de água nele antes de me tapar. – Saia daqui!

– Agora estamos quites. – riu.

Puxei a toalha, me cobrindo como pude e avancei para cima dele dando um

murro no seu peito.

– Seu pervertido nojento!

– Só fui avisar como fazia para a água ficar quente, sua maluca. – Segurou

minhas mãos, ainda rindo, e perdi o apoio para segurar a toalha. – Aqui. Eu pego

para você. – Colocou as mãos ao meu redor mantendo minha toalha no lugar. –

Pronto. Ainda está vestida. Por favor, não me bata – provocou.

– Por que você precisa fazer isso?! – gritei. – Por que precisa me deixar com

vergonha?

– Vergonha? Só entrei no banheiro… Você já me viu nu e me despindo…

– Não é a mesma coisa. Não faça isso de novo!

– Ah, então, você é do tipo hipócrita.

– Sou o quê?

– Estava pronta para pagar para transar comigo, mas quando é de graça não

quer e faz doce.

– Não estou fazendo doce!

– Não é hipócrita e não está fazendo doce?

– Não, seu insensível!

– Tá. Venha até aqui.

– Para quê?

– Para transar comigo de uma vez.

– COMO? – ri descrente.

– Você está nervosa, já me pagou e estava me encarando de toalha. Você me

quer. – Ao dizer as últimas palavras, riu de um jeito ordinário que irritou meu

orgulho.

– Não estava olhando!

– Ah, por favor. Vai mesmo jogar esse jogo?

– E não te quero.

– Acho que vou dormir nu, então, está bem? Já que você não dá a mínima…

Meus olhos passearam pelo seu corpo malvestido, me traindo.

– Você é… é… – Eu procurava alguma ofensa poderosa o suficiente, mas as

palavras falhavam.

– Gostoso?

– Arrogante! Insensível. E se superestima! Eu não quero você. – Fiz um bico

sério de birra.

– Olha. – Ele se aproximou de mim. Engoli em seco e cruzei os braços,

tentando manter o ar de resolução. – O que estou propondo é bem simples. A

gente vai ter que ficar preso aqui por um tempo, é uma boa maneira de se

distrair, aliviar a tensão e… Já era algo que você queria fazer comigo, não era?

– Em outra situação, Ryker! E quer saber? – Enfiei o indicador no peito dele.

– Já mudei de ideia. Acho que prefiro morrer virgem antes de transar com você.

– Vai mudar de ideia de… – riu.

– Odeio homens como você, sabia? Explodindo autoconfiança e achando que

são os melhores. E você! Você é a criatura mais prepotente do universo!

– Eu? A criatura mais prepotente do universo? – Ele estava gargalhando. – Ah,

Mina… Você precisa conhecer o meu cunhado.

– Não quero conhecer ninguém! Quero que você me respeite!

– Eu te respeito. Mas você vai ter que se acostumar com olhares se for

trabalhar aqui.

– Se eu for fazer o quê?

– Ah, é… Esqueci essa parte. Não sei quanto tempo a gente vai ter que ficar

aqui, e vamos precisar de dinheiro. Vou dar um jeito de vender o carro de

Antoine, já falei com ele. E Lucky vai nos pagar. Mas claro que vamos precisar

trabalhar. Suas opções são garçonete seminua ou stripper, pode escolher. –

Sorriu.

– Você perdeu o juízo.

– Eu mal te conheço. Não vou sustentar nós dois! Vamos ficar seguros aqui,

mas você vai ter que trabalhar. – Ele falou a última palavra como se estivesse

cometendo um atentando ao pudor, particularmente obsceno.

– Eu não me encaixaria em um lugar desse nunca, Ryker! Vou embora e

consigo um emprego. Consigo me virar.

– Não tenho dúvidas. – Ele ainda estava muito perto e, em minha raiva, não

percebi seus dedos em minhas coxas ainda não enxutas. – Não tenho dúvidas de

que consegue se virar muito bem – sussurrou na minha pele.

– Pare… – pedi. Mas sua mão subia e subia e meu pedido não demonstrou

qualquer tipo de convicção. Ele era cheiroso e seus músculos rígidos contra

minha pele molhada estavam me excitando como nada antes já conseguira. Sua

mão estava entre minhas coxas, passeando devagar, me tocando com suavidade,

acariciando meu clitóris inchado com os nós dos dedos. Tive de lutar para não

me esfregar contra sua mão como um animal.

Foi então que percebi que aquele era o momento em que eu precisava me

decidir. Ou deixava ele me manipular com seu erotismo e cedia, ou mostrava que

ele não ia me convencer do que quer que fosse com dois apertões deliciosos.

Empurrei seu tórax com força, afastando-o de mim.

– Pare com isso. Já disse que não te quero. E não me toque sem minha

autorização.

Ele sorriu mais discreto. Levantou as mãos, rendido.

– Sabe, Mina? Acho que você estava errada.

– Ah, é?

– É. Acho que vai se encaixar aqui. – Puxou o cobertor e deitou na cama.

Dobrou os braços sob o travesseiro, seus músculos pularam e minha resolução

estava fraquejando de novo. – Vai se encaixar bem direitinho.

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Capa do romance A Garota da Máscara Prateada
8.5
O reino de Cloudencie está em festa com o anúncio real: o príncipe herdeiro se casará com a princesa de Jurdanis, selando uma aliança histórica entre antigos rivais. Para celebrar a união, um grande baile de gala foi organizado, abrindo as portas do castelo para todos os súditos de ambas as nações. O convite é geral e a euforia toma conta das ruas, mas há uma restrição sombria e absoluta por trás do festejo: a entrada é terminantemente proibida para bruxas.
Capa do romance A Gêmea Errada para o Alfa Certo
8.9
Sophie enfrenta uma metamorfose brutal e aterrorizante. Sob o olhar enigmático de um Alfa, a jovem humana sente seus ossos partirem e instintos primitivos dominarem sua mente racional. Entre dores excruciantes e a sede de sangue iminente, ela mergulha em um destino sobrenatural repleto de traições e maldições. Enquanto luta para não perder a própria humanidade, Sophie deve navegar por rivalidades lupinas e escolhas impossíveis para encontrar seu lugar e a paz.
Capa do romance AS BRUXAS DELACOUR: A HERDEIRA
8.0
Mergulhada em satanismo e bruxaria, esta trama sombria revela os segredos profanos da linhagem Delacour. Madeline descobre ser a herdeira de um pacto demoníaco ancestral. Enquanto histórias se cruzam, o despertar de uma entidade milenar ameaça causar o apocalipse. Agora, Madeline precisa se unir a Rebecca, Daniel e diversas criaturas sobrenaturais, como vampiros e demônios, para deter essa força maligna e impedir a destruição total do mundo humano.
Capa do romance Dean- O Imbatível
9.5
Órfão aos nove anos, o lutador solitário Dean Conor retorna a Harmony após duas décadas longe das irmãs. Ele descobre que a herança da família foi esbanjada e que sua irmã Cam planeja casar-se com o canalha Roger. Enquanto tenta proteger a família e sobreviver a atentados contra sua vida, Dean conta com a ajuda da obstinada Eve Lavon. Entre combates e perigos, ele deve encarar seus traumas e sentimentos por Eve para se tornar o homem que suas irmãs precisam.
Capa do romance FILHOS DA LUA
8.2
Roderick Likaius Wolf, o poderoso Rei Alpha e magnata, governa alcateias há séculos sem desejar uma rainha. Ao supervisionar um resort na Austrália, seu caminho cruza com Liara Campbell, uma veterinária escocesa irônica que prefere animais a humanos. Enquanto uma atração explosiva surge, segredos sobre a origem de Liara começam a se libertar de selos antigos. Entre perigos e inimigos à espreita, o destino imposto pela lua desafia o controle do soberano.
Capa do romance Luna Abandonada: Agora Intocável
8.2
Cecília Moore foi a Luna exemplar por oito anos, até flagrar Xavier, seu Alfa, com outra mulher. Cansada de ser subestimada por sua linhagem, ela decide quebrar as regras desse mundo lupino. Ao entregar documentos financeiros, ela esconde a petição de divórcio, iniciando uma rebelião gélida contra a traição do companheiro. Xavier acredita manter o controle, mas Cecília planeja sua fuga definitiva. Ele logo descobrirá que o poder dela é maior do que imaginava.