
Você merece todo o meu amor
Capítulo 3
Pulando da janela, Kathryn foi rapidamente de encontro ao chão enquanto o vento soprava forte em seus ouvidos. Nos últimos segundos, ela conseguiu se virar para que seu ombro tivesse absorvido a maioria do impacto antes de ela rolar pela grama.
De repente, um barulho alto e estridente encheu o ar ao seu redor.
Eram pneus em atrito com o asfalto devido a uma brusca frenagem.
A jovem ficou deitada no chão, ofegante. Seu corpo se encontrava numa postura estranha, mas ela podia ver um par de brilhantes sapatos de couro preto andando em sua direção. Ela levantou a cabeça e viu Willard com os olhos baixados para ela.
Ele era um rapaz alto e magro, vestindo um terno preto perfeitamente alinhado, além de ter um belo rosto bem esculpido e angulado. Seus cabelos caíam impecavelmente arrumados e, abaixo das suas sobrancelhas, havia um par de olhos penetrantes.
Quando esse rosto familiar surgiu no seu campo de visão, Kathryn sentiu o coração acelerar. Por alguma razão, somente a visão dele causava um nó em sua garganta. "Willard..."
Assim que ela pronunciou o nome do rapaz, a força se esvaiu do seu corpo e a moça desmaiou. No mesmo instante, ele se abaixou e a pegou no colo. "Kathy! Kathy! Me ouça, você está bem?"
À medida que sua consciência ia se esvaindo, Kathryn pôde sentir o aperto dos fortes braços do rapaz ao redor dela. Seu abraço trouxe segurança ao seu coração. Pouco a pouco, sua mente foi ficando mais fraca enquanto escutava Willard chamando seu nome ansiosamente.
Pecebendo o quanto ele estava preocupado com ela, Kathryn sentiu a vontade de se punir por ter sido uma mulher tão idiota. Como ela não tinha percebido que Willard era um homem muito bom para ela? Em vez disso, ela acabou o abandonando e o trocando pelo canalha do Edmund!
Caylee estava parada nas sombras, observando tudo de não muito longe. Seus olhos severos eram como os de uma cobra venenosa. "Droga! Como Kathryn conseguiu escapar? Mas, não importa. Ainda terei tudo que pertence à família Ramsey só para mim!"
Na manhã seguinte, Kathryn finalmente acordou.
O brilho difuso da luz do sol iluminava o quarto através das cortinas, permitindo que ela olhasse para o ambiente ao seu redor. Ela estava em um quarto muito luxuoso, cercada por móveis elegantes. O ambiente era familiar e estranho ao mesmo tempo.
Kathryn se moveu lentamente e sentiu um leve puxão nas costas da mão. Ela se virou e viu uma agulha. Foi então que percebeu que estava recebendo soro intravenoso.
Ao ouvir seus movimentos, Willard, que estava sentado numa poltrona de couro, ergueu os olhos enquanto fechava a revista que estava lendo. Então, ele perguntou: "Acordou?"
A jovem olhou para ele, sentindo o coração palpitar.
Finalmente, ambos estavam na presença um do outro.
Willard estava vivo! Ele voltou ao seu lado, cuidando dela enquanto ela se recuperava! Por que ela foi cega ao ponto de abandonar um homem tão bom para ficar com um hipócrita vagabundo como Edmund?!
Como ela já estava acordada, Willard ficou com uma expressão mais dura e perguntou com rispidez: "Você não acha que me deve uma explicação sobre o que aconteceu na noite passada?"
Uma explicação?
"Kathryn, não me casei com você para vê-la estampada em manchetes ocasionalmente."
Willard se levantou, caminhou até a beirada da cama e lhe jogou a revista que estava lendo, na capa da qual estava estampada uma foto dela dançando sensualmente em um bar. O fundo da tal fotografia era vibrante e colorido e, entre a multidão, estava sua silhueta distinta numa postura atraente.
O título declarava: "A princesinha mais pura da Universidade de Iriebury mostrando sua verdadeira face!" E abaixo estava o subtítulo: "Ela festejou a noite toda, sozinha e insaciável!"
Os dizeres na capa implicavam que ela queria ser flagrada e mostrar sua nova identidade.
Mas Kathryn manteve-se impassível enquanto olhava para a capa da revista. Aquilo deixou Willard irritado, por isso, ele agarrou o queixo dela com seus dedos, forçando-a a encará-lo.
"Você parece não estar nem aí."
Será que era isso que ela realmente queria? Queria tanto deixá-lo ao ponto de destruir a própria reputação?
A jovem sentiu uma dor aguda no queixo, mas ela não tinha tempo para se importar com isso. Ela removeu a agulha das costas de sua mão com um movimento brusco e envolveu os braços ao redor da cintura dele.
"Sinto muito, Willard, sinto muito mesmo."
A mão do rapaz ficou paralisada e seus músculos ficaram todos tensos. Isso deixou Kathryn dominada pela culpa, enquanto se perguntava o quão fria ela tinha sido com ele para um mero toque causar tanta surpresa ao rapaz.
"Prometo que não farei mais nenhum alarde sobre nada daqui para frente. Irei viver em paz com você, tudo bem? Mas, por favor, não fique com raiva de mim, eu realmente estou muito arrependida."
Mas aquele pedido de desculpas só deixou o semblante de Willard mais sério. Com um movimento abrupto, ele afastou as mãos da moça. "Não precisa se preocupar mais com isso, já comprei todas as revistas e irei explicar a situação para seu pai. Fique tranquila."
Kathryn arregalou os olhos, sem palavras.
Será que ele estava pensando que ela estava pedindo desculpas porque estava com vergonha de estar na capa de uma revista? Aquele homem só podia ser um idiota mesmo!
Se ela ainda fosse a Kathryn do passado, teria ficado furiosa com Willard e sua reação. Mas, como era uma nova mulher, renascida, ela não soube como se portar nesse exato momento, sentindo-se impotente.
A atmosfera do quarto ficou pesado por um momento.
Com a mão esquerda no bolso, Willard manteve seus olhos frios em Kathryn.
"Descanse mais um pouco, tenho que ir trabalhar agora." Com isso dito, ele saiu do quarto e fechou a porta atrás de si.
Kathryn logo se sentou ereta na cama, sentindo-se um pouco amuada depois daquela atitude fria dele.
Por que ele foi embora e a deixou sozinha naquela condição?
No entanto, ela resolveu que não iria ficar desencorajada por conta daquilo. A jovem levou a mão até o peito e disse baixinho para si mesma: "Willard, não vou perder minha chance de ficar com você. Não o deixarei escapar!"
Poucos minutos depois que o rapaz saiu, alguém bateu suavemente na porta do quarto.
"Pode entrar", exclamou Kathryn.
Foi então que a governanta da família Ellsworth, Norah Deleon, entrou carregando uma caixa e se aproximou timidamente de Kathryn, entregando a ela o objeto.
"Senhorita Ramsey, este é um presente de Dia dos Namorados que o senhor Ellsworth me pediu para entregar. Ele espera que a senhorita goste."
O casamento entre Kathryn e Willard tinha sido um arranjo por questões puramente comerciais e financeiras.
A família Ramsey estava passando por problemas nas finanças para operar os negócios e precisava urgentemente de um grande investimento, enquanto os Ellsworths lideravam o grupo das quatro maiores e mais ricas famílias de Olisburgh e conheciam os Ramseys há gerações. Por fim, as duas famílias tinham concordado em se unirem através de um casamento.
Com apenas 20 anos de idade, Kathryn não estava sem escolha e tinha que se casar com Willard pelo bem dos Ramseys.
A verdade era que nenhum dos dois estivera pronto para um matrimônio, pois ambos eram jovens demais. Willard sempre fora um rapaz quieto, reticente e cauteloso, o que fazia com que Kathryn interpretasse mal suas ações, pensando que ele não gostava dela. Fora isso, Caylee tinha desempenhado o papel de intensificar essa sensação por meio de falar mal dele.
Quanto mais frio Willard se comportava em relação a ela, mais Kathryn pensava que ele não se importava nem um pouco com ela. Por isso, em dado momento, ela tinha proibido todos os funcionários da família Ellsworth de chamá-la de "senhora Ellsworth". Tudo aquilo era só para irritar Willard.
Contudo, apesar de todas as suas ações, ele nunca a tinha culpado por nada. Pelo contrário, o rapaz continuava a limpar toda a bagunça que ela causava e, ainda por cima, tolerava suas agressões.
Depois que se lembrou disso, Kathryn se virou para Norah novamente, seus olhos marejados com lágrimas.
"Norah, por favor, pode me chamar de senhora Ellsworth de agora em diante. Tenho sido uma pessoa muito teimosa. Como sou esposa de Willard, é inapropriado me chamarem de senhorita Ramsey."
Norah ergueu as sobrancelhas para ela, surpresa. "Senhorita... Quero dizer, senhora Ellsworth, você finalmente refletiu sobre isso?"
"Sim. E se eu fui rude com você em algum momento, Norah, por favor, me perdoe, tenho me comportado de maneira muito infantil."
"Ótimo, isso é bom. É bom que a senhora tenha refletido sobre suas próprias ações. Estou tão feliz que você e o senhor Ellsworth estejam finalmente se entendendo!"
Depois disso, com o maior cuidado do mundo, Norah abriu a caixa de veludo preto, em que descansava uma delicada pulseira de platina incrustada com pérolas. Seu brilho parecia iluminar todo o quarto.
Kathryn abriu a boca levemente, sem saber o que dizer ou como se comportar. Ela tinha se apaixonado por aquela pulseira já há muito tempo, mas não podia comprá-la, pois era uma peça exclusiva e não estava à venda.
A jovem se lembrou do quanto tinha ficado triste por saber daquilo.
No entanto, Willard foi capaz de dá-la de presente a ela.
Aquilo só podia significar que foi ele que pediu para fazer aquela joia!
Vendo a reação deslumbrada de Kathryn, Norah abriu um grande sorriso e disse: "Senhora Ellsworth, deixe-me ajudá-la a colocar a pulseira. Olhe como essas lindas pérolas combinam com você."
"Certo, obrigada."
Kathryn assentiu, abrindo um doce sorriso. Seu coração se encheu de felicidade e leveza.
Embora Willard parecesse sisudo muitas vezes, ele teve o cuidado de dar um presente de Dia dos Namorados a ela. Talvez ele nutrisse algum sentimento por ela, afinal.
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