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Capa do romance Você me Pertence (Livro 02)

Você me Pertence (Livro 02)

Após a confissão de Benjamin, Mel foca nos estudos para honrar o desejo de sua falecida mãe. Contudo, a distância atormenta Benjamin, que lida com segredos do passado. Ao reatarem, Mel mergulha em seu universo de luxo e excessos. Entre o desejo e a dor, ela tenta ajudá-lo a vencer antigos demônios. Em meio ao caos, uma descoberta inesperada surge: uma parte desconhecida do próprio Benjamin será entregue a eles, mudando tudo o que sentem.
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Capítulo 1

PRÓLOGO

~ Quase 1 mês depois ~

Estava impaciente. Na verdade, estava morrendo de raiva por ter dado a ela um tempo tão grande. Poderia ter lhe dado apenas uma semana para pensar sobre nós dois e decidir. Mas isso seria egoísmo da minha parte. Ela tinha acabado de receber a notícia de que sua mãe havia morrido, tinha acabado de descobrir que eu sou um filho da puta e que sua amiga estava a enganando esse tempo todo. Eu tentei... Tentei muito ficar esse tempo sem ter notícias dela. No início até pensei que se ignorasse as lembranças do dia que a conheci na floricultura, eu iria a esquecer e seguir a minha vida. Mas eu estava enganado. Eu não consegui! Meus pensamentos sempre acabavam em torno da minha ruiva, e pequenos detalhes me lembravam dela. Até o dia que eu estava dirigindo pela cidade, queria ir para uma casa no lago que tenho há duas horas de São Paulo, passei em frente à uma locadora de filmes, porém um maldito filme me fez lembrar dela. O dia que assistimos o mesmo romance juntos.

Achei que estava ficando louco, tanto que cogitei a ideia de me internar. Por que diabos ela estava mexendo tanto com a minha cabeça?

Eu nem busquei informações com seu segurança, o Jerry. Só sei onde fica a sua faculdade, mas o endereço do seu apartamento evitei perguntar. Tenho certeza que iria assim que soubesse. Até na empresa eu parecia distraído. Um dos diretores da empresa veio me perguntar diversas vezes se estava tudo bem comigo. Respondi com um breve "estou bem" e mandei ele voltar ao trabalho.

Pelo menos uma coisa boa em tudo isso, os pensamentos e pesadelos atormentantes não voltaram, já que tudo o que ocupa meus pensamentos é uma certa ruivinha...

Respiro fundo e jogo mais água em meu rosto.

Eu disse que não conseguia abrir mão de tudo o que me torna fodido, mas sem ela, eu nem consigo pensar em me encontrar com as diversas garotas que tem seu nome assinado em um contrato feito por mim. Simplesmente... Não dá! Não sinto vontade, ao menos por enquanto, eu acho. Mas se me perguntarem se eu virei um virjão adolescente... eu vou dizer que sim! Caralho! Eu não consigo me controlar toda vez que me lembro dela gemendo meu nome, eu me sinto um descontrolado!

Observo meu reflexo no espelho, já decidindo que tenho que cortar o meu cabelo, para assim que o mês acabar, ela não notar o quanto me sinto perdido sem ela. Mechas do meu cabelo já caem na minha testa...

Saio do banheiro, indo na direção do balcão onde deixei minhas chaves, decidido a ir e vê-la, mesmo que seja de longe, eu preciso lembrar da tonalidade de seus cabelos ruivos, da cor de seus olhos, e se assim eu tiver sorte, do seu sorriso. E de novo, estou me sentindo um louco por levar meus pensamentos a ela desse jeito.

Eu só queria entender o que está acontecendo comigo...

Me apressei em fazer o caminho até a sua faculdade, aumentando a velocidade em meu carro para eu não perder o momento em que ela estiver saindo. Consegui com Jerry algumas informações sobre o final das suas aulas em cada dia da semana, e após isso tive que me segurar para não à ver no mesmo instante, mas agora, eu sinto que não posso mais aguentar. É quase como uma necessidade.

Estava dentro do meu carro, do outro lado da rua da sua faculdade, ouvindo uma música para que eu pudesse me acalmar. Fiz questão de escolher um carro diferente dos quais ela já tenha visto, e por mais que ele seja luxuoso, eu não acredito que ela vá pensar que sou eu. 

Me pergunto se ela está bem, como está lidando com tudo o que aconteceu, e se pensa em mim de vez em quando, sentindo falta do que tivemos, porque eu sinto. Não tem um dia que eu não me sinta louco para vê-la, e isso está acabando comigo, pois não faço ideia do que é isso que eu estou sentindo.

Eu já consigo avistar o seu segurança encostado no carro, esperando por ela, já que além de seu segurança, eu o contratei como seu motorista. Eu pensei que ela não aceitaria, mas parece que está levando numa boa após saber que os paparazzi estão no seu pé.

Alguns minutos depois, várias pessoas começam a sair pela porta da faculdade, e logo a vejo. Eu endireito a minha postura, observando-a usando uma calça jeans e uma camisa justa de manga longa. O seu cabelo está preso em um rabo e eu posso perceber que ela abandonou o liso que usava na Itália, ressaltando ainda mais a sua beleza natural. Uma garota de cabelo cacheado, com o tom da pele da cor do chocolate, aparece ao seu lado. As duas parecem estar conversando, e a minha ruiva sorri…

Tão de leve, mas ainda assim, ela sorri me arrancando um suspiro satisfeito. 

Assim que ela se aproxima do seu segurança, alguém a surpreende por trás, a assustando. A minha vontade é de sair do carro e ir até ela, mas logo me sinto congelado no lugar quando vejo quem é a pessoa que a abraçou por trás.

Alan…

Ela se vira para ele com um sorriso e o abraça como se fossem íntimos. Porra! Eu juro que posso sentir uma enorme vontade crescendo em meu peito, e talvez tenha sido uma batida do meu coração que havia falhado. Nesse momento havia várias perguntas rondando da minha mente, e a principal é o porquê de ele estar aqui, tão coincidentemente na mesma cidade e faculdade que ela. Talvez ele seja um perseguidor? Terei que investigar isso…

Jerry os vê como se isso fosse algo normal de se acontecer. Porquê é que ele não faz nada para impedir? Alan abraça a morena, e logo se afastam de Mel, indo juntos para algum lugar. Talvez sejam namorados, ao menos pensar dessa forma me acalma. Mel cumprimenta Jerry, que lhe lança um sorriso amigável, o que me surpreende de certa forma já que o mesmo é bastante recrutado e conhecido por não demonstrar, nem se deixar levar pelas emoções. É um homem que já vivenciou muitas situações, e é muito duro consigo mesmo, mas também, quem é que não se comove tendo alguém como a Mel por perto?

Ele abre a porta do carro para ela poder entrar. Mel dá o seu primeiro passo, e eu posso suspirar aliviado, exceto ao perceber que o seu olhar se prendeu exatamente na minha direção. Ela franze o cenho e eu sinto as batidas do meu coração mais rápidas, me repreendendo pois o único carro comum que eu tinha, eu deixei na mão de Jerry. Mas como alguém poderia perceber? Não sou só eu que tem carros de luxo pela cidade, mas ainda assim… Ela parece convicta quando recua e dá o primeiro passo na minha direção, prestes a atravessar a rua. Me xingo mentalmente, aproveitando a deixa de que um ônibus está passando por nós, para dar partida no carro. Mesmo que ela já tenha certeza que se trata de mim, eu não sei se estou pronto para vê-la, mesmo que eu queira isso como eu preciso do ar. E por este motivo, eu faço o meu caminho rapidamente de volta para o meu apartamento, comprando uma pizza de calabresa no caminho. Comer pizza sem ela jamais será a mesma coisa, mas desde aquele dia em que eu comi, lembranças boas da minha infância vieram à tona, e a sensação que ficou foi maravilhosa.

Cheguei em meu apartamento, mas logo fiquei ocupado pelas diversas ligações que surgiram das minhas empresas, já que eu estava menos presente nelas do que de costume, deixando até mesmo os meus diretores para cuidarem das coisas caso eu não pudesse resolvê-las. A noite chegou rapidamente, e eu estava comendo a pizza requentada no micro-ondas enquanto encarava as chamas da lareira, percebendo como sempre fui sozinho, mas isso nunca passou pela minha cabeça até este momento.

As chamas também me traziam memórias, mas estas não eram agradáveis, e me lembravam do dia em que a minha pele ganhou cicatrizes, e eu ganhei a minha liberdade. Às vezes penso que as chamas me salvaram, e talvez isso se deva ao fato de eu nunca ter procurado ajuda psiquiátrica após ter passado por tantas coisas. Sempre me achei forte e invencível, mas a verdade é que olhando desse ponto de vista de agora, talvez eu não seja tão forte assim.

Meus pensamentos são dispersos por duas batidas na porta, que me fazem questionar quem é que está me procurando e porque os porteiros não me avisaram e pediram a minha permissão. Não é como se eu tivesse alguém que tem esse passe livre, somente Tadeu, mas pensei que ele estaria com Cristina…

Me levanto deixando a pizza de lado e vou até a entrada. Os meus olhos se abrem em espanto e surpresa assim que abro a porta e vejo a pessoa. 

— Ben, meu querido.

Eu reconheceria essa cabeleira ruiva em qualquer lugar...

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