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Capa do romance Vivendo para Lembrar

Vivendo para Lembrar

Após despertar de um coma em um hospital, uma mulher se vê sem memórias e cercada por estranhos que desconhecem sua origem. Em busca de sua identidade e passado, ela precisa conviver com essas pessoas enquanto tenta reconstruir sua vida. No processo, ela conhece Alex, um viúvo dedicado que cuida sozinho de suas três filhas. Entre mistérios sobre quem ela realmente é, surge uma paixão avassaladora que mudará o destino de ambos para sempre.
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Capítulo 3

Mulher sem Memória

Parecia um pesadelo, mas era bem real, estava em um hospital na cidade de Redding, sem qualquer tipo de memória, toda roxa, com a cabeça enfaixada e com um braço e uma perna engessadas. Os policiais que investigam meu caso disseram categoricamente que alguém queria me matar, possivelmente alguém que eu tinha confiança, porque assim que eu me lembrar do que aconteceu, essa pessoa não será digna mais da minha confiança. A Dra. Priscila que é psicóloga me aconselhou a ver TV como forma do conteúdo passado, sobretudo as imagens poderem me ajudar a lembrar de alguma coisa. Estava focada em tentar me lembrar de como eu fui parar em uma floresta toda machucada. Passei até assistir programas desse tipo em um canal de natureza. Escuto batidas na porta e quando ia abrindo a boca para autorizar a entrada, a porta é aberta.

- Bom dia, como passou a noite? - É a Dra. Carter que está entrando no quarto.

- Bom dia doutora, foi confuso passar essa noite, ainda estou tentando digerir tudo. - Respondo falando o que estou sentindo.

- Entendo que não deva ser fácil. - Ela fala. Desde ontem, percebo que ela tenta mostrar empatia por mim, sem ao menos me conhecer. - Gostou da doutora Albany?

- Sim, ela me deu dicas de como posso estimular minha mente a encontrar as minhas memórias. - Respondo.

- Ótimo. Geralmente em tratamentos de amnésia retrógrada, tratamos com um dos especialistas apenas, mas o seu caso é raro, acho melhor ficar em contato com as duas. - Ela explica. - Outra coisa é a doutora Albany pode trabalhar com você não ter ansiedade no processo.

- Vai demorar muito? - Pergunto quando ela fala sobre ansiedade.

- Cada indivíduo responde aos tratamentos de forma diferente, querida. Eu não posso te dar essa resposta. - Ela responde. - Mas estou aqui para falar que irá fazer uma ressonância magnética e uma tomografia, ambos os exames terei um mapeamento completo do seu cérebro para direcionar o tratamento certo para você.

- Quando farei esses exames? - Pergunto.

- As enfermeiras falaram que você tomou café as 9h, é necessário ficar de jejum por 6 horas antes de fazer o exame, então a equipe te buscará por conta das 15h. - Ela me responde.

- Sem almoço então? - Pergunto com a fala dela sobre o jejum.

- Você almoça após os exames. - Ela responde.

- Tá bom. Obrigada por tudo, doutora. Sei que ontem estava desesperada, mas eu só quero ter uma pequena lembrança de quem eu sou. - Falo. Essa angústia de não ter noção sobre mim está me consumindo.

- Eu não sei como é estar no seu lugar, mas penso que deva ser horrível. - Ela fala. - Se sentir alguma dor de cabeça ou qualquer outro sintoma, não evite me comunicar.

- Pode deixar, que eu vou te falar. - Falo.

- Às 15 horas eu volto para te buscar para os exames. Antes, porém, as enfermeiras vão fazer um teste alérgico em você, para saber se tem algum problema com o contraste que será usado. - Ela explica o procedimento.

- Pelo menos vou saber se tenho alguma alergia ou não. - Falo pensando positivo.

- Isso, continue pensando positivo. - Ela incentiva. - Preciso ir, tenho que ver outros pacientes.

- Tudo bem doutora, até mais tarde. - Falo com ela já na porta para sair.

- Até mais. - Ela fala e sai do ambiente.

Novamente sozinha, só com os programas de floresta na TV para ver se a minha mente puxa algo, mas nada. Me sinto uma completa inútil por não conseguir me lembrar de nada, mesmo assim não desisto de tentar.

---

Tudo tinha ocorrido bem na tomografia, agora estavam me preparando para a ressonância magnética, inclusive tinha um enfermeiro colocando soro para verificar se o meu acesso no braço direito estava bom para injetar o contraste.

- Sentiu alguma dor quando coloquei o soro? - O rapaz pergunta a mim.

- Não, só um geladinho. - Respondo.

- Normal, já que o soro fica na geladeira em temperaturas baixas. - Ele fala. - Nós vamos iniciar o exame sem o uso de contraste para comparação e depois eu volto e faço a aplicação do contraste, entendido?

- Entendi. - Respondo a ele.

- Tem claustrofobia? - Ele pergunta e eu dou uma pequena risada.

- Moço, olha se fosse a umas semanas atrás, tenho certeza de que conseguiria te responder, mas atualmente, não faço a mínima ideia, só sei que esse exame é necessário para avaliar o porquê estou com amnésia. - Respondo contando o meu caso.

- Certo, caso você se sinta incomodada com o espaço pequeno, você pode apertar esse botão aqui que estou colocando na sua mão direita, eu vou entrar o mais rápido possível e te tirar da máquina. - Ele me explica o procedimento. - É normal sentir uma pequena tontura ou vertigem, não se assuste, mas caso esses sintomas sejam fortes ou tenha outros mesmo de modo fraco que não seja esses dois, pode apertar o botão também.

- Captei tudo. - Falo.

- Vai ter momentos durante o exame que vamos passar orientações pelo microfone, precisamos que as siga. - Ele fala mais procedimentos. - Durante o exame tente não fazer movimentos bruscos com a cabeça e nem perto dela, para não afetar a qualidade das imagens.

- Certo. - Falo assentindo.

- O último e não menos importante, esses fones de ouvido são para te proteger do barulho da máquina. - Ele fala e coloca o item nas minhas orelhas. - Agora vou te colocar no tubo.

- Pode por. - Falo autorizando.

Ele aperta um botão e sinto a maca se mexer, me levando para dentro do enorme tubo. Estava posicionada, percebo que parte das minhas pernas estavam pra fora do grande tubo, por conta de um ventinho que sinto ocorrer passando por elas, algo que o aparelho do exame evita, já o buraco do tubo é relativamente estreito. A máquina é ligada e mesmo com fone os barulhos feitos pelo aparelho são altos. Em algumas vezes, escuto a voz da Dra. Carter pedindo para virar a cabeça para um determinado lado ou para que prenda a respiração por alguns segundos. Até que os barulhos cessam e eu sou retirada de dentro do aparelho.

- Tudo certo nessa primeira parte? - Era o mesmo enfermeiro de antes que pergunta.

- Sim, nenhum problema. - Respondo.

- Certo, agora vamos colocar o contraste, se sentir dor ou qualquer sintoma agora ou durante o exame, fale. - Ele pede mais uma vez.

- Até agora tudo tranquilo. - Respondo falando que estou bem.

- Contraste aplicado, daqui uns 5 minutos a gente inicia o exame, é o tempo necessário até a corrente sanguínea levar o contraste até o seu cérebro. - Ele fala.

- Entendi, obrigada. - Falo agradecendo.

- De nada. - Ele fala.

O tempo se passa e eu sou novamente inserida no tubo, repetindo os mesmos movimentos pedidos pela Dra. Carter, tudo normal, a máquina é desligada e eu entendo que acabou o exame. Até que começo a sentir uma dor de cabeça e uma tontura imensa, aperto o botão, a dor aumenta e não consigo mais enxergar nitidamente, aperto o botão novamente, mas não vejo ninguém aparecendo.

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