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Capa do romance Viúva do Herói, Justiça no Coração

Viúva do Herói, Justiça no Coração

Após perder Marcos, um policial, minha vida foca na pequena Clara. Mas o medo surge quando ela cita o Amigo Sombra, figura que induz crianças a atos fatais. Ao salvar minha filha de pular do telhado, percebo que o perigo é real. A morte de outra aluna e um nó militar em um boneco revelam a verdade: a facção que matou meu marido usa crianças para se vingar. Não é sobrenatural, é um alvo em nossas costas. Lutarei para destruir quem nos caça.
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Capítulo 3

No dia seguinte, pedi para sair mais cedo do trabalho e fui direto para a escola. Eu precisava falar com o Diretor Silva, cara a cara. O grupo de WhatsApp era um caos de opiniões, mas a conversa privada poderia me dar respostas.

Encontrei o diretor em sua sala, uma pilha de papéis sobre a mesa e uma expressão cansada no rosto.

"Dona Ana Paula, por favor, entre", ele disse, gesticulando para uma cadeira.

Eu me sentei, minhas mãos suando.

"Diretor, eu vim por causa da história de ontem. Sobre o 'Amigo Sombra'."

Ele suspirou, um suspiro longo e pesado.

"Olha, eu entendo sua preocupação, de verdade. Especialmente com tudo que a senhora passou recentemente", ele disse, e a menção indireta a Marcos me fez endurecer. "Mas, como eu disse no grupo, nós investigamos. Não há ninguém. As câmeras mostram o menino Léo brincando sozinho. Ele subiu no muro sozinho. Não há estranhos na escola."

"Minha filha, a Clara, também falou desse amigo", eu disse, minha voz um pouco mais alta do que eu pretendia. "Ela o descreveu. Uma sombra alta, sem rosto, com olhos brilhantes."

O Diretor Silva me olhou com uma mistura de pena e impaciência.

"Dona Ana Paula, crianças têm uma imaginação vívida. A Clara… ela passou por um trauma terrível. É natural que ela crie um amigo imaginário para lidar com a perda. É um mecanismo de defesa psicológico."

"Um mecanismo de defesa que diz para as crianças pularem de muros?", rebati.

"Foi um incidente isolado com o Léo. Talvez a Clara tenha ouvido a história e a incorporado em sua fantasia. Sinto muito, mas não há nada que a escola possa fazer sobre um amigo imaginário."

Saí da sala dele me sentindo frustrada, impotente. Ele estava me tratando como uma mãe histérica e superprotetora. Talvez ele estivesse certo, talvez eu estivesse vendo monstros onde não existiam.

Mas quando cheguei em casa, a dúvida se transformou em medo novamente. Encontrei Clara no quintal, conversando sozinha perto da velha mangueira.

"Com quem você está falando, meu amor?", perguntei, me aproximando devagar.

Ela se virou, um sorriso no rosto.

"Com o Amigo Sombra. Ele está bem aqui." Ela apontou para o espaço vazio ao lado dela.

Eu me ajoelhei na frente dela, segurando seus ombros com delicadeza.

"Clara, você sabe a diferença entre o que é real e o que é imaginação, não sabe? Como nos desenhos que a gente assiste."

"Eu sei, mamãe. O Amigo Sombra é real. Ele estava comigo na escola hoje, na hora do lanche. Ele dividiu o biscoito dele comigo."

"Mas… ele não come, come? Se ele é uma sombra."

"Ele come sim. Ele pegou um biscoito do prato do Lucas e me deu. O Lucas nem viu."

A simplicidade da resposta dela me deixou sem palavras. Ela não estava hesitando, não estava inventando na hora. Para ela, aquilo era a mais pura verdade. Cada detalhe que ela dava sobre as interações com essa "sombra" tornava tudo mais bizarro e real na minha mente.

Mais tarde, quando Clara já dormia, eu voltei para o grupo de WhatsApp dos pais. A conversa tinha mudado de tom. A preocupação inicial tinha se transformado em acusações veladas.

"Meu filho chegou em casa falando desse 'Amigo Sombra' também. Quem está inventando essa história e assustando as crianças?", escreveu uma mãe.

"Deve ser algum vídeo idiota da internet. Precisamos controlar o que eles assistem!", respondeu outra.

Beatriz, a mãe de Léo, interveio. "Não é vídeo. O Léo nunca viu nada assim. Ele disse que esse 'amigo' apareceu no parquinho."

A discussão se intensificou, um turbilhão de teorias da conspiração, acusações e pânico mal disfarçado. Ninguém tinha respostas, apenas mais perguntas e um medo crescente que se espalhava como uma doença. Eu lia as mensagens, sentindo um nó no estômago. Eu não estava sozinha na minha angústia, mas isso não era um consolo. Pelo contrário, significava que o perigo, real ou imaginário, era maior do que eu pensava. E a certeza de que a polícia local não me ajudaria, de que o diretor da escola me via como louca, me deixava completamente isolada, presa em um pesadelo que eu não sabia como combater.

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