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Capa do romance Vingança Tem Sabor Baunilha

Vingança Tem Sabor Baunilha

No meu aniversário, o doce aroma de baunilha marcou minha ruína. Minha tia Isabel e minhas primas armaram uma armadilha cruel: um bolo que me fez perder o bebê que eu esperava com Lucas. Humilhada e traída pelo meu companheiro, percebi que fui apenas um peão por dez anos. Num ato de libertação, marquei meu rosto e rompi minhas correntes. Deixei para trás a família manipuladora, fugindo como uma sobrevivente pronta para retomar sua própria história.
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Capítulo 2

O cheiro de açúcar e baunilha pairava no ar, uma nuvem familiar e reconfortante que sempre definira a casa de Sofia.

Hoje, porém, o cheiro parecia pesado, quase sufocante.

Era seu aniversário, e a família estava reunida. Sua avó, Helena, estava sentada em sua poltrona favorita, com um sorriso frágil, mas genuíno. Ao lado dela, sua tia Isabel e suas primas, Carla e Marta, exibiam sorrisos que não alcançavam seus olhos.

"Um presente especial para a minha sobrinha favorita" , disse a tia Isabel, colocando um pequeno bolo lindamente decorado na mesa à frente de Sofia.

O bolo era uma obra de arte, com delicadas flores de açúcar e um brilho suave. Era o estilo da mãe de Isabel, uma confeiteira famosa cuja sombra sempre pairou sobre Sofia.

Sofia olhou para o noivo, Lucas, um chef de cozinha em ascensão, que sorriu para ela com encorajamento. O brilho nos olhos dele era a única coisa que parecia real naquela sala.

"Você tem que experimentar, Sofia. Foi feito com todo o carinho" , insistiu Isabel, entregando-lhe um garfo.

Sofia, querendo evitar conflito no seu aniversário, pegou o garfo. Ela cortou um pedaço pequeno e o levou à boca. O sabor era doce, mas havia um fundo amargo, estranho, que ela não conseguiu identificar.

Ela engoliu.

Quase imediatamente, uma cólica aguda e violenta atingiu seu abdômen.

A dor era tão intensa que a fez perder o fôlego. Ela dobrou o corpo para a frente, o garfo caindo de sua mão e batendo no prato com um som metálico agudo.

"O que foi, querida?" , perguntou Lucas, a preocupação tomando conta de seu rosto.

Sofia não conseguiu responder. Uma nova onda de dor a atingiu, mais forte que a primeira. Era como se algo estivesse rasgando-a por dentro. Um suor frio brotou em sua testa.

Ela olhou para sua tia.

Isabel a observava com uma expressão fria e calculada, um leve sorriso de satisfação em seus lábios. Carla e Marta trocavam olhares cúmplices.

Naquele momento, Sofia entendeu.

Não foi um acidente. Não foi um ingrediente estragado.

Foi de propósito.

A dor se intensificou, e ela sentiu algo quente escorrer por suas pernas. Ela olhou para baixo, e o pânico a dominou ao ver a mancha vermelha se espalhando em seu vestido claro.

O bebê.

O filho que ela e Lucas esperavam, o segredo feliz que planejavam anunciar naquela noite.

"Meu Deus, Sofia! Você está sangrando!" , gritou Lucas, correndo para o seu lado.

A avó Helena tentou se levantar, o rosto pálido de choque.

Mas a voz de Isabel cortou o pânico como uma faca.

"Que drama. Ela provavelmente comeu algo que não devia em outro lugar" , disse Isabel, com um tom de desdém.

"Você nunca será tão boa quanto a minha mãe" , sussurrou Carla, perto o suficiente para que apenas Sofia ouvisse. "Nem em fazer bolos, nem em manter um homem."

Marta riu baixo. "O Lucas nunca te amaria de verdade. Ele só está com você por causa da confeitaria da vovó."

As palavras eram veneno, assim como o bolo. Elas se misturaram à dor física, criando uma agonia insuportável. O quarto começou a girar. O rosto preocupado de Lucas, o olhar horrorizado da avó, os sorrisos cruéis da tia e das primas, tudo se fundiu em um borrão.

Ela perdeu seu filho.

Eles o tiraram dela.

A dor em seu coração era mil vezes pior do que a dor em seu corpo. O calor que ela sentia por sua família, a esperança que nutria por seu futuro, tudo se transformou em cinzas. Um frio profundo se instalou em seu peito, uma dormência que a protegeu do colapso total.

Ela não sentia mais nada. Nem amor, nem tristeza. Apenas um vazio gelado.

Em meio ao caos, enquanto Lucas gritava ao telefone por uma ambulância, a mente de Sofia ficou estranhamente clara.

Não havia mais lugar para ela ali.

Com uma força que não sabia que tinha, ela se apoiou na mesa e tentou ficar de pé. Cada movimento era uma tortura, mas a necessidade de sair daquela casa era mais forte.

"Eu vou embora" , ela disse, a voz rouca e fraca, mas firme.

Isabel soltou uma gargalhada alta e cruel.

"Embora? Para onde você iria, sua ingrata? Você não tem nada. Não tem para onde ir."

Ela se aproximou de Sofia, o rosto contorcido pela inveja e pelo ódio.

"O Lucas nunca vai te perdoar por perder o filho dele. Você é inútil. Sempre foi."

A humilhação era a última camada de tortura. Sofia sentiu as lágrimas ameaçando cair, mas as segurou. Ela não lhes daria essa satisfação.

Ela se virou para a tia, o movimento lento e doloroso.

E pela primeira vez, ela não tentou esconder as cicatrizes.

As marcas profundas em seu rosto, de um acidente de infância, um incêndio na confeitaria que a família sempre usou para pintá-la como uma vítima frágil, uma boneca de porcelana quebrada que precisava de seus cuidados e de seu controle.

"Eu não sou uma vítima" , disse Sofia, a voz ganhando força.

Ela deu um passo em direção à porta, o corpo tremendo de dor e esforço. O sangue continuava a escorrer. Ela sabia que estava fraca, que poderia desmaiar a qualquer momento. Mas ela precisava sair. Precisava respirar um ar que não estivesse envenenado pelo ódio deles.

Ela precisava sobreviver.

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