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Capa do romance Vingança Que Floresce na Dor

Vingança Que Floresce na Dor

Após doar um rim e perder seu filho para salvar Lucas, a protagonista descobre uma traição cruel. Seus abortos e a mão destruída foram planejados pelo homem que amava. Lucas pretende interná-la e removê-la de sua vida para se casar com outra. Diante de tanta manipulação e ódio gratuito, ela abandona a posição de vítima. No leito de hospital, a dor se transforma em um desejo frio de vingança. Ela fugirá para arquitetar a destruição sistemática de seu carrasco.
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Capítulo 3

Os dias no hospital se arrastaram em uma névoa de dor física e uma clareza mental aterrorizante. Eu continuei a minha atuação, a esposa devotada e enfraquecida, sorrindo docilmente para Lucas e para as enfermeiras.

Ninguém desconfiava da tempestade que se formava dentro de mim.

Lucas era atencioso. Trazia minhas comidas favoritas, lia para mim, falava sobre o futuro que teríamos com nosso filho, a quem ele já chamava de Lucas Júnior. Cada palavra era uma facada. Cada gesto de carinho, um insulto.

Uma noite, enquanto ele dormia na poltrona ao lado da minha cama, usei o celular que mantinha escondido sob o travesseiro. Eu precisava de respostas. Comecei a pesquisar sobre Sofia.

A história oficial era trágica: uma jovem artista talentosa que, devastada por perder o prêmio principal para mim, sucumbiu à depressão e tirou a própria vida.

Mas a internet guardava segredos. Encontrei antigos fóruns de arte, blogs esquecidos. E em um deles, um comentário anônimo de dois anos atrás me chamou a atenção.

"A Sofia não se matou. Ela fugiu. O casamento com o herdeiro dos Vasconcelos era arranjado. Ela sempre amou o fotógrafo que morava na Europa."

Meu sangue gelou. Vasconcelos. O sobrenome de Lucas.

O noivado era com ele.

Continuei cavando, noite após noite. Juntei as peças. Sofia não estava morta. Ela forjou o próprio suicídio para escapar de um casamento sem amor com Lucas e fugiu para o exterior com seu verdadeiro amor. E Lucas... ele sabia? Ou ele foi enganado como todos os outros?

A resposta veio de uma forma inesperada. Uma enfermeira, com pena do meu estado, comentou comigo:

"Seu marido é um santo, dona Maria Eduarda. Fica aqui o dia todo. E ainda cuidando dos negócios da família... especialmente agora que o noivado com a prima dele foi anunciado."

Eu pisquei, confusa. "Noivado?"

"Sim! Com a senhorita Helena. Ouvi ele comentando no corredor. Parece que vai ser uma festa enorme, para comemorar a recuperação dele e o noivado."

Helena. Não Sofia. O plano dele não era se vingar por Sofia. Era se livrar de mim. O golpe final no "nosso" noivado não era para expor a minha "culpa" , era para me descartar publicamente para que ele pudesse se casar com outra. A história da Sofia era apenas a desculpa perfeita, a ferramenta para me torturar e justificar suas atrocidades.

A verdade era mais suja e mais cruel do que eu imaginava. Eu não era nem mesmo o objeto de uma vingança distorcida. Eu era um obstáculo inconveniente. Meu rim, meus filhos, meu útero... eram apenas o preço que ele me fazia pagar para sair do caminho dele.

Senti uma vontade de rir. Um riso amargo, que rasgaria minha garganta. Eu chorei por um amor que nunca existiu, por uma vingança que era uma mentira.

Naquela noite, meu plano deixou de ser apenas sobre fuga. Transformou-se em um roteiro de destruição.

No dia seguinte, quando Lucas entrou no quarto, eu o olhei com meus olhos mais doces e cansados.

"Luca" , sussurrei. "Eu estava pensando... na Sofia."

Ele enrijeceu por uma fração de segundo, imperceptível para qualquer um que não o estivesse observando como um predador.

"O que tem ela, meu amor?"

"Eu sinto tanto... Se eu pudesse voltar no tempo..." , deixei a frase morrer, observando a satisfação brilhar em seus olhos.

Ele segurou minha mão. "Não pense nisso agora, Duda. O importante é que estamos juntos. Vamos superar isso. Eu, você e nosso filho."

Suas palavras eram veneno. Ele prometia um futuro que planejava me roubar, assim como roubou meu passado.

Eu estava presa. Sabia que, assim que recebesse alta, ele me levaria para a casa que se tornaria minha prisão final. Onde ele me tiraria a última coisa que me restava: a capacidade de ser mãe.

Naquela noite, ouvi novamente sua conversa com Pedro do lado de fora.

"A cirurgia para remover o útero está marcada para semana que vem. O Dr. Almeida já arrumou tudo. Vamos dizer que foi uma infecção pós-parto."

"E depois?" , perguntou Pedro.

"Depois, a festa de noivado. Vou anunciar que o bebê não é meu, que ela me traiu. Vou humilhá-la na frente de todos e depois interná-la em um hospício. Ninguém nunca mais vai acreditar em uma palavra dela."

Fechei os olhos. O desespero era uma onda escura, ameaçando me afogar. Não havia saída. Ele tinha pensado em tudo.

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