
Vingança pela Mãe: Destruindo o Mundo da Máfia Dele
Capítulo 3
Ponto de Vista: Alessa
No dia seguinte ao funeral, Caio finalmente ligou. Eu estava sentada nos degraus da varanda da casa da minha mãe, o ar pesado com o cheiro enjoativo e doce das flores do funeral em decomposição.
Deixei tocar três vezes antes de atender.
"Alê." Sua voz era baixa, entrelaçada com uma tristeza ensaiada e vazia. "Acabei de voltar. Sinto muito."
Eu não disse nada.
"Por que você não está no apartamento?" ele perguntou, um toque de sua impaciência habitual surgindo.
"Estou na casa da minha mãe."
Ele suspirou, um som de pura inconveniência. "Eu deveria ter estado lá. Eu sei." Ele fez uma pausa. "Olha, a Isabela está arrasada. Ela está se culpando pelo que aconteceu. Ela está comigo agora, está completamente desmoronando."
Minha voz, quando falei, era uma linha reta, desprovida de toda emoção. "Põe ela no telefone."
Um momento de silêncio, depois a voz de Isabela, carregada de soluços teatrais e entrecortados. "Alê, eu sinto muito, muito mesmo. Eu nunca quis que isso acontecesse. O Caesar nunca... talvez sua mãe teve uma tontura? Talvez ela caiu em cima dele?"
E assim, a culpa mudou. Do cachorro agressivo dela para a minha mãe doente.
"O Caio já colocou os advogados dele para cuidar de tudo", ela acrescentou, sua voz ganhando um pingo de força. "Para me proteger. Para garantir que tudo seja resolvido."
Caio voltou para a linha. "Foi um acidente trágico, Alê. Você está fazendo drama."
"O médico disse que o cachorro não estava vacinado", eu disse, cada palavra um pedaço de gelo.
"Isso não é verdade", ele retrucou, instantaneamente na defensiva. "A Isabela é meticulosa com o cachorro dela. Você deve ter entendido errado. Você estava em um estado emocional alterado."
Seu tom se transformou, a raiva se dissolvendo no tipo de calma paternalista que se usa com uma criança histérica. "Me escuta. Eu sei que isso é difícil. Mas você não precisa se preocupar com nada. Eu vou resolver tudo."
*Eu vou resolver você.* Era isso que ele queria dizer.
Eu desliguei.
Então bloqueei o número dele. Bloqueei o da Isabela.
Sentei-me na varanda, a madeira fria sob mim, e finalmente aceitei a verdade. A vida pela qual eu lutei tanto para ser digna, o homem que confundi com minha salvação — eles eram fantasmas. Ilusões que eu conjurei para me manter segura.
Não havia mais nada a que se agarrar. Apenas uma casa vazia e a longa estrada à frente.
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