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Capa do romance Vingança Dança: Um Amor Perdido

Vingança Dança: Um Amor Perdido

Traída por Pedro e negligenciada pela família, Maria Eduarda perdeu sua carreira na dança e a mobilidade ao tentar salvá-lo de um incêndio no passado. Pedro a culpava pela perda de Sofia, condenando-a a uma vida de sofrimento. Ao despertar misteriosamente no exato dia da tragédia, ela decide mudar seu destino. Com um coração frio, Maria liberta Pedro para que ele corra em direção às chamas. Agora, ela planeja sua vingança enquanto ele caminha para a própria ruína.
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Capítulo 2

O cheiro de fumaça queimava minhas narinas, o calor era tão intenso que parecia derreter minha pele. Gritos enchiam o ar, misturados ao som assustador da madeira estalando e se quebrando no fogo.

"Sofia! Sofia está lá dentro!"

A voz de Pedro era um grito desesperado ao meu lado, e sua mão apertava meu pulso com uma força que machucava. Ele tentava me arrastar para longe da entrada da oficina de arte em chamas, não para me salvar, mas para que ele pudesse entrar.

No meio do caos, abri os olhos.

Não era um despertar normal, era como se uma vida inteira de dor e escuridão tivesse sido derramada na minha cabeça em um único segundo.

A memória do meu corpo quebrado em uma cadeira de rodas.

A dor fantasma nas minhas pernas que nunca mais dançariam samba.

O rosto de Pedro, dia após dia, me olhando com um ódio que gelava a alma, me culpando pela morte de Sofia.

"Você o impediu de salvá-la."

"A culpa da morte da Sofia é sua."

"Você só merece o inferno, Maria Eduarda."

As palavras dele, o veneno que ele me serviu por anos, ecoaram na minha mente. Mas agora, sentindo o calor do fogo real no meu rosto, eu não estava mais naquela vida de miséria. Eu estava de volta. De volta ao dia do incêndio.

Pedro me sacudiu com força, seus olhos fixos no inferno de chamas à nossa frente.

"Me solta, Maria Eduarda! Eu preciso salvar a Sofia!"

Na minha vida passada, eu me agarrei a ele. Chorei, implorei, me joguei na frente dele para impedi-lo de cometer suicídio. Naquele ato desesperado de amor, uma viga em chamas caiu sobre mim. Esmagou minhas pernas, esmagou meu futuro como dançarina, esmagou minha vida.

Desta vez, algo dentro de mim estava diferente. Frio. Duro. Inquebrável.

Olhei para a mão dele segurando meu pulso. Depois, olhei para o seu rosto, distorcido pela obsessão por minha irmã. A mesma obsessão que o fez me atormentar até o meu último suspiro.

Ele não me amava. Ele nunca me amou. Ele amava a ideia de ser o herói de Sofia.

Um sorriso gelado e minúsculo curvou meus lábios, um sorriso que ninguém no meio da fumaça e do pânico poderia ver.

Minha mão, que antes se agarrava a ele por amor, relaxou.

Meus dedos se abriram.

Eu o soltei.

"Então vá" , eu disse, minha voz soando estranhamente calma no meio do barulho.

Pedro não hesitou. Ele nem olhou para trás. Como um louco, ele correu direto para a boca do incêndio, o lugar de onde ninguém saía vivo. Eu fiquei parada, observando as chamas o engolirem.

A imagem da minha vida passada passou rapidamente pela minha mente. O casamento forçado, uma gaiola de ouro onde ele me exibia como seu troféu quebrado. Ele me usou para mostrar ao mundo o quanto ele era "nobre" por se casar com a mulher que "o fez perder seu verdadeiro amor" .

Meus pais, sempre cegos pelo favoritismo, apoiaram tudo. Para eles, Sofia era o sol, e eu era apenas a sombra. Mesmo depois do incêndio, eles me culpavam. Diziam que eu era egoísta, que minha teimosia tinha custado a vida de Sofia e a felicidade de Pedro. Eles só se importavam com o status e o dinheiro que a família de Pedro representava.

A dor daquelas memórias era real, mas não me paralisou. Pelo contrário, ela me alimentou.

De repente, um estrondo ensurdecedor veio de dentro da oficina. O teto, enfraquecido pelo fogo, desabou completamente. Um grito agudo cortou o ar, um grito de dor pura.

Não era a voz de Sofia.

Era a de Pedro.

Os bombeiros, que gritavam ordens e tentavam controlar as chamas, finalmente conseguiram abrir um caminho. Poucos minutos depois, eles saíram carregando uma maca.

Nele estava Pedro. Seu corpo estava coberto de fuligem e queimaduras, mas o pior era visível. Suas costas estavam em um ângulo estranho, e suas pernas pendiam, sem vida, da beira da maca. Seus olhos estavam abertos, fixos no céu noturno, cheios de um horror mudo.

Ele estava vivo, mas algo fundamental nele havia se quebrado para sempre.

Outra equipe de bombeiros saiu logo depois, carregando outra pessoa, menor. Sofia. Ela também estava viva, mas seu corpo estava coberto por queimaduras terríveis. Ela choramingava, mal consciente.

Eu olhei para baixo, para as minhas próprias pernas. Elas estavam ali, intactas, fortes. As pernas que me levaram aos palcos, que me fizeram uma das mais promissoras dançarinas de samba da minha geração.

Naquela noite, eu não perdi nada.

Pedro, o herdeiro de uma das famílias mais ricas da cidade, agora era um homem quebrado. Um alvo fácil. Sofia, a irmã mimada e invejosa que iniciou o fogo porque não suportava meu sucesso, estava desfigurada.

Um novo roteiro para a vida deles estava sendo escrito.

E, desta vez, a roteirista era eu.

A vingança não seria rápida. Seria uma dança lenta e calculada, um samba da redenção e da retribuição. Eu os faria pagar por cada lágrima, cada humilhação, cada dia da minha vida que eles destruíram na outra linha do tempo.

O inferno que Pedro disse que eu merecia? Eu o traria para ele.

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