
Vingança da Noiva Abandonada
Capítulo 3
Pedro sorriu, satisfeito com o silêncio que suas palavras causaram. Ele acreditava ter o controle, que eu era a mesma garota indefesa que ele esmagou anos atrás.
"O que me diz, Sofia? O salário é bom. Você pode limpar meus sapatos, servir meu café. Talvez até mesmo limpar o quarto que divido com a Camila. Seria como nos velhos tempos, não é? Você e ela, juntas de novo."
A oferta era tão vil, tão calculada para me quebrar, que quase senti vontade de rir. Ele não fazia ideia de quem eu era agora. Ele não fazia ideia de que seu poder sobre mim era uma ilusão que só existia em sua mente doentia.
Para enfatizar seu ponto, ele puxou Camila para mais perto e a beijou na frente de todos. Foi um beijo teatral, barulhento, feito para me provocar. Camila se aninhou nele, olhando para mim por cima do ombro dele com um ar de triunfo. A cena era patética, um espetáculo de mau gosto que só reforçava o quão pequenos eles eram.
Naquele momento, a lembrança da traição voltou com uma clareza dolorosa. Não a noite de núpcias, mas os dias que se seguiram. Eu estava trancada em meu quarto, afogada em vergonha e dor, recusando-me a ver qualquer pessoa. Mas eu ouvi. Através da porta, ouvi a conversa que selou meu destino e revelou a profundidade da enganação.
Era a voz de Pedro, falando com o pai dele no corredor.
"A farsa da amnésia funcionou perfeitamente, pai. Ninguém suspeitou. A família dela está arruinada, prestes a declarar falência. Eu não podia me casar com a filha de um fracassado. Consegui me livrar dela sem quebrar o contrato e sem manchar nosso nome."
E então, a voz de Camila, baixa e conspiratória, se juntou à conversa.
"Eu fiz como o senhor pediu, Dr. Pedro. Contei a ele todos os segredos financeiros da família da Sofia. Eles não têm mais nada."
"Bom trabalho, Camila. Você será bem recompensada."
Eu estava do outro lado da porta, meu corpo tremendo, o coração se partindo em mil pedaços. A amnésia era uma mentira. A humilhação foi planejada. Minha melhor amiga, a garota que cresceu comigo, me traiu pela promessa de dinheiro. Aquele foi o momento em que a tristeza se transformou em um vazio gelado. A dor foi tão avassaladora que meu corpo cedeu. Desmaiei ali mesmo, no chão frio do meu quarto.
Meus pais, ao verem meu estado, tomaram a única decisão que podiam. Eles me mandaram para longe, para a capital, para a casa de uma tia distante. Eles queriam me proteger, me dar a chance de recomeçar onde ninguém conhecia minha história, onde o nome "Sofia" não era sinônimo de vergonha. Foi um exílio necessário, uma fuga da crueldade que quase me consumiu. E foi lá, na cidade grande e anônima, que eu encontrei a minha salvação.
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