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Capa do romance Vendida, Armada, Agora Ela Está Livre

Vendida, Armada, Agora Ela Está Livre

Traída no aniversário de 21 anos, fui vendida por meu noivo Caio e minha irmã Bárbara. Após três anos na prisão por um crime que não cometi, sobrevivi lutando em clubes clandestinos para recuperar o casarão da minha família. Contudo, Caio confiscou meus bens para financiar a fundação de Bárbara, destruindo meu último laço com meus pais. Desesperada e sem nada, busco Bruno, minha única esperança de resgate, para escapar dessa ruína e buscar justiça.
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Capítulo 3

"Oh, Clara, querida, você está bem?" A voz de Bárbara escorria uma preocupação açucarada, mas seus olhos brilhavam com um prazer malicioso. Ela estava ao lado de Caio, a imagem da inocência perfeita e preocupada.

Caio, com o rosto uma máscara de fria indiferença, interrompeu antes que eu pudesse formular uma resposta. "Ela não faz mais parte desta família, Bárbara. Suas ações deixaram isso claro."

As palavras pareceram um golpe físico, embora eu soubesse que estavam vindo. O anúncio formal, a denúncia pública. Ele descreveu meus supostos crimes, as mentiras em que ele tão prontamente acreditou, me pintando como uma pária, uma desgraça.

O mundo inclinou. Os rostos familiares dos repórteres, os flashes das câmeras, os sussurros que me seguiam por toda parte. Senti uma onda de raiva branca e quente, me impulsionando para frente. Abri caminho pela multidão, meu corpo machucado gritando em protesto, até ficar diante deles, uma ferida aberta exposta ao mundo.

"Caio!" Minha voz falhou, crua de emoção. "Como você ousa?!"

Uma onda de murmúrios percorreu a multidão. Seus olhos, cheios de julgamento e desprezo, me percorreram. Os sussurros ficaram mais altos, mais afiados, cortando o fino véu da minha compostura. "Olha ela aí", uma mulher sibilou. "A herdeira do escândalo. Tão patética."

Eu congelei, o peso do julgamento deles me esmagando. A vergonha era uma companheira familiar, mas a crueldade pura dela, naquele momento, era quase insuportável.

De repente, uma mão agarrou meu braço, me puxando bruscamente para debaixo de um guarda-chuva. Caio. Seu toque, antes um conforto, agora parecia uma marca de ferro. "Pare de fazer cena, Clara", ele sibilou, sua voz baixa e perigosa. "Você só está piorando as coisas."

Puxei meu braço, a dor atravessando meu ombro, mas não me importei. Eu não o deixaria me controlar novamente. Eu não o deixaria me silenciar.

"Piorando?", cuspi, minha voz se elevando. "Pior do que vender o legado da minha família para ela?" Apontei um dedo trêmulo para Bárbara, que recuou com um suspiro teatral. "Esta era a minha casa, Caio! A casa dos meus pais! Eu sou Clara Guedes, a única filha deles! Ela não é nada além de uma... uma parasita adotada!"

PLAF!

O som ecoou pelo silêncio atordoado. Minha cabeça virou para o lado, uma dor ardente florescendo em minha bochecha. Minha visão embaçou, lágrimas ardendo em meus olhos, mas me recusei a deixá-las cair.

Caio estava diante de mim, a mão ainda levantada, os olhos ardendo de fúria. Ele puxou Bárbara para mais perto, protegendo-a com seu corpo, como se ela fosse a vítima, não a arquiteta da minha destruição.

"Não se atreva a falar da Bárbara assim!", ele rosnou, a voz tremendo de raiva. "Ela é mais família para mim do que você jamais foi! Ela é mais filha desta família do que você jamais poderia sonhar em ser!" Suas palavras eram veneno, torcendo a faca mais fundo no meu coração já sangrando. "Você, Clara, é uma desgraça. Uma mentirosa. Uma bruxa manipuladora que tentou queimar a própria irmã viva!"

A acusação me atingiu como um golpe físico. Era tão absurdamente ridículo, tão grotescamente injusto, que uma risada histérica borbulhou na minha garganta. Eu me lembrava. Lembrei-me de cada instância da crueldade calculada de Bárbara. A boneca de porcelana que ela "acidentalmente" quebrou, me culpando. As entradas de diário forjadas "confessando" seus tormentos imaginários. Os joelhos ralados e as acusações chorosas, sempre terminando comigo em apuros, sempre com Bárbara ao lado dele. Suas lágrimas eram suas armas, sua inocência fingida seu escudo.

E Caio. Ele sempre esteve lá, uma presença sólida e inabalável, sempre me defendendo, sempre acreditando em mim. Sempre. Até três anos atrás. Até a noite em que ele ficou parado e assistiu minha vida queimar.

Eu tinha sido tão ingênua, tão tolamente otimista. Eu acreditava em sua proteção, em seu amor. Eu acreditava que ele sempre seria meu porto seguro. Agora, olhando para seu rosto frio e furioso, eu via apenas um estranho. Um monstro.

"Estou decepcionado com você, Clara", ele disse, sua voz tingida de um desdém cortante. "Profundamente decepcionado."

Sua postura fria e calculista, suas palavras desdenhosas, sobrepuseram-se chocantemente a outra memória: ele de joelhos, uma caixa de veludo na mão, seus olhos brilhando de adoração. "Case-se comigo, Clara. Prometo protegê-la, valorizá-la, amá-la para sempre." A ilusão se estilhaçou, deixando para trás apenas cinzas amargas.

"Esta é sua última chance", ele continuou, sua voz fria como gelo. "Peça desculpas a Bárbara. Publicamente. E talvez... talvez possamos salvar alguma coisa."

Meu olhar caiu sobre suas mãos, entrelaçadas com as de Bárbara, um símbolo grotesco de sua aliança distorcida. Uma risada amarga e sem alegria escapou dos meus lábios.

"Não", eu disse, a palavra inabalável. "Não vou me desculpar por suas mentiras. E não vou implorar pelo que é meu por direito." Meus olhos, queimando com uma nova e feroz determinação, encontraram os dele. "Eu quero o dinheiro. O dinheiro que ganhei pelo casarão."

Seu rosto se contorceu de raiva. "Você é realmente incorrigível! Você quer dinheiro?! Ótimo! Pegue seu maldito dinheiro! Mas saiba disto, Clara Guedes, a partir deste momento, você e eu acabamos. Fim de papo. Entendeu?"

Um silêncio súbito e sufocante desceu sobre a multidão. O ar crepitava de tensão. Os olhos de Caio, escuros e ameaçadores, perfuraram os meus. "Você entendeu?!", ele rugiu, sua voz tremendo de fúria mal contida.

Encarei seu olhar, meus próprios olhos duros e desafiadores. Vi um lampejo de algo nos dele, um momento de confusão, de descrença desesperada. Ele não estava acostumado a eu revidar, não assim.

Nesse momento, Bárbara, sempre a manipuladora, entrou em ação. Ela se soltou do aperto de Caio, o rosto uma máscara de angústia chorosa, e se jogou aos meus pés. "Oh, Clara! Sinto muito! Eu nunca quis que nada disso acontecesse! É tudo culpa minha! Eu vou embora! Eu vou embora e você pode ter o Caio e o casarão de volta!"

Ela se lançou escada de mármore abaixo, uma descida dramática e lamuriosa. No meio do caminho, ela tropeçou, uma queda teatral e agonizante. Um grito agudo de dor. Então, silêncio.

Caio, o rosto contorcido de horror, correu para o lado dela. Ele se ajoelhou, as mãos tremendo enquanto embalava sua cabeça. Uma mancha carmesim crescente floresceu sob ela, encharcando o tecido branco imaculado de seu vestido.

"Bárbara! Bárbara! Meu Deus!" Sua voz era um suspiro engasgado, um grito desesperado. "Alguém! Chame um médico! AGORA!"

Seu olhar furioso se voltou para mim, ardendo com uma ira profana. "Você! Você fez isso! Você a empurrou! Você tentou matá-la e ao nosso bebê!"

"Prendam-na!", ele rugiu, a voz grossa de intenção assassina. "Prendam Clara Guedes! E que Deus te ajude, Clara, se a Bárbara e nosso filho não sobreviverem, eu juro, farei você pagar por isso pelo resto da sua vida miserável!"

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