
Vale dos Aehmons
Capítulo 3
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Seu celular já não tinha mais sinal e ela o desligou pra economizar a bateria, ela havia tirado a mochila das costas com o intuito de guardar o aparelho e um dos 'amigos' pra lá de estranhos de Carlos tirou da sua mão no momento em que ia colocar novamente nas costas.
Ela tinha dito que nem mesmo estava pesado e o sorriso do sujeito lhe provocou um arrepio de alerta na espinha. Ele disse que preferia que ela não se cansasse tão cedo ou por tão pouco e deslizou os dedos no seu ombro. Ela prendeu o ar e gelou com o contato atrevido, ele arqueou às grossas sobrancelhas estudando-a, e ela abaixou a cabeça, seus olhos se fixaram no chão. Merda...
Ela não devia estar ali, o seu instinto não dizia, gritava! Lilian tinha ligado na ultima hora dizendo que não ia. Ela e a Jane discutiram ‘feio’ pelo telefone e Jane a havia acusado de tratante e feito ameaças do tipo; 'vai se arrepender se der com a língua nos dentes' e, 'se souber que foi com ele, tá fodida' e isso, dito em alto e bom tom!
Nem dava pra não ouvir!
Elas discutiram mais um pouco e Kassia desconfiava que o 'ele' da discussão acalorada fosse Edmundo, mas também poderia ser qualquer outro cara, até mesmo um do grupo sinistro e ao que lhe pareceu não lhe dizia respeito e ela não seria atrevida em perguntar...
Já se sentia mal o suficiente por ter sido obrigada à ouvir a conversa e chegou até a sentir uma pontinha de inveja da Lilian...
Foi nessa que a intratável Jane desligou o celular com violência e pegou no seu braço conduzindo-a a vã do grupo.
Um dos ‘não’ apresentados se dirigiu a ela com cara de aborrecido e perguntou, 'e agora' e Jane deu de ombros e disse 'vamos improvisar, eu tenho algumas coisas que pode substituir' para ela, já enfiada dentro da vã, Jane fechou os olhos e balançou a cabeça em desaprovação dizendo;
'Não esquenta com aquela vaca, ela não vai fazer falta e vamos nos divertir mais ainda sem ela'.
Kassia balançou a cabeça assentindo, mas a sua maldita timidez fez travar a sua língua. Tudo o que ela queria era inventar uma menstruação que havia chegado de surpresa, uma dor de cabeça ou qualquer outra coisa que a livrasse do que já imaginava ter sido uma péssima ideia.
Eles que pensassem o que quisessem dela, ela... ‘Teria’ saído da vã...
Se outro dos 'amigos' não devidamente apresentados à ela não tivesse sentado ao seu lado e um tanto abusado passado o braço no encosto do assento por traz da sua cabeça a conversar com Jane que se postou do outro lado consolando-a.
E isso, como se Kassia nem estivesse entre eles...
O sol ainda não havia raiado quando a vã arrancou e saiu pela intermunicipal. O destino mencionado ficava nos arredores das montanhas localizadas entre os municípios serranos e o grupo conversava entre si com animação, só Jane estava carrancuda, mas ainda assim, sorriu uma ou duas vezes para tentar amenizar o clima pelo furo da Lilian.
Quando chegaram ao pé da montanha, Kassia observou à tudo com encantamento, pensando que talvez não fosse tão ruim, afinal... Ao menos até sentir os olhares estranhos dos quatro homens do grupo sobre si, avaliando-a como se fosse ela um animal exótico ou/e em extinção e como sempre acabava fazendo em situações assim, o que fez? Fugiu, claro! Ela fugiu dos olhares em vestir a mochila e olhar em torno como se examinasse o lugar. Era realmente impressionante e nem foi preciso fingir o seu deslumbramento, mas se lembra de ter contido a vontade de se esticar toda e rodar sobre si mesma com os braços abertos perante à tamanha beleza. Já estava sendo estudada sem fazer nada e seu instinto implorava que se mantivesse o mais transparente possível...
Janete estava um pouco mais distante e novamente com o celular no ouvido e pouco tempo depois ela voltou toda animada com um sorriso nos lábios, que Kassia desconfiava ser resultado de Botox, mas não ia ser maliciosa, ou pelo menos não queria ser, então...
Mochilas nas costas, carro trancado e pé na trilha que um dos homens disse, ‘rumo ao paraíso’...
Que paraíso!...
Já caminhavam à cerca de cinco ou seis horas, ela desconfiava, mas não saberia dizer ao certo. Porque simplesmente não estava de posse da própria mochila e seu celular estava lá dentro!
Seu desconforto e suposições já à estavam deixando paranoica e ela decidiu se dar um tempo, então se pôs a admirar a paisagem verde que os cercava por todos os lados... Jane seguia mais à frente e assentia pra tudo que Carlos e um dos seus amigos diziam como uma aluna bastante interessada e parecia estar se divertindo.
O sol já castigava alto e inclemente no céu do mais puro azul e o seu esgotamento físico e mental já tinha chegado ao ápice à horas atrás, mas estava até temerosa de pedir por uma pausa, sentia estar sendo testada e podia até ser um tanto introvertida, mas ainda tinha o seu orgulho... Não era só o seu celular que estava dentro da sua mochila, suas garrafas de água e os suplementos energéticos que a sua irmã insistia que usasse também e todos com exceção dela já haviam bebido no caminho, mas se estavam esperando que ela ia pedir pelo óbvio...
O abusado que praticamente sequestrou a sua mochila ofereceu pra Srta. Oferecida Janete dos Quintos dos Infernos à sua porcaria de água!
Kassia engole a frustração e finge não estar vendo quando o ser urg olha de relance pra trás. A sua camiseta estava ensopada e grudada no corpo e o seu jeans surrado estava sujo e rasgado de uns dois ou três tombos que levou ao longo do caminho, o que para seu alívio ninguém tentou ajuda-la à levantar, pois já imaginava que se algum deles tocasse nela de novo, acabaria passando pela vergonha de vomitar o pouco que tinha, se é que ainda tinha algo pra vomitar em seus pés.
Kassia já pensava seriamente em virar nos calcanhares e voltar pelo mesmo caminho de onde vieram quando eles, finalmente, resolveram parar pra descansar! Montanhas exuberantes os cercavam por todos os lados e perto de onde estavam havia uma cachoeira que imaginou ser a única à considerar fascinante.
Dava até pra ver peixinhos multicoloridos no fundo do lago de tão claras e cristalinas que eram as suas águas.
E foi ali, no largo banco de areia que rodeava piscina de água natural que Kassia foi devidamente apresentada ao resto do grupo...
Renato, Lucas e Sergio eram os que não haviam sido apresentados antes e Sergio, gelou ao reconhecer, foi o abusado que tirou a mochila das suas costas. Ele sorri de maneira sombria logo que é apresentado e à certa distancia retira às mãos dos bolsos da calça cargo, com a canhota ele oferece uma maçã e com a destra ele lhe aponta e move o indicador em chama-la. Ela calcula malcriada que a distancia é a mesma entre eles, mas treme por dentro em perceber que está cercada pelos demais e que todos à observavam com expectativa e estão seriamente calados.
Sergio fecha a expressão com ar de desagrado, volta a enfiar a maçã no bolso e é explicitamente direto;
– Vamos às regras, e é bem simples. Você obedece, é recompensada e todos nós iremos nos divertir. Desobedece e será devidamente punida, e ‘nós’ nos divertiremos de qualquer forma. – ela chegou a abrir a boca, mas ele continuou sério e com tom autoritário;
– Agora, faça o que mandei pequena, e venha até aqui.
Ah merda. Ele não estava de brincadeira e ela moveu lentamente a cabeça em negativa engolindo em seco.
Queria argumentar ou perguntar o que estava acontecendo, mas sua garganta escolheu uma péssima hora pra travar. Uma dor ardente varou por suas costas e a fez arquejar e no mesmo instante foi puxada pelos cabelos e forçada à ajoelhar na areia úmida. Outra varada a fez gemer alto de dor e seu agressor ordenou que ficasse quieta apertando ainda mais a pressão com que a continha pelos cabelos. O pânico a assaltou de imediato, mas ela permaneceu de boca fechada. O mesmo que a agrediu se inclinou e beijou na sua fronte elogiando-a.
– Boa menina... Aprende rápido.
Kassia lançou em Jane um olhar indignado e acusador, mas ela move os ombros como se não fosse nada e rebate;
– É quatro vezes mais do que Ed poderia te dar... e há de concordar que é uma barganha até razoável para te satisfazer e deixar meu dono em paz.
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