
Uma nova oportunidade para te amar - História de Liz e Alex.
Capítulo 3
Londres, Inglaterra.
Ponto de vista de Liz.
O primeiro ano em Londres não foi fácil. Embora a minha família fosse abastada, eu sabia como os meus pais estavam lutando para manter os negócios em pé e me ajudar. Com a chegada do meu irmão caçula, meus pais deixaram de focar tanto em mim. Eles estavam ocupados demais enquanto cuidavam dos trigêmeos adolescentes e do bebê para me visitar.
Os primeiros meses na King's College London foram complicados. Meu inglês britânico não era tão bom como eu pensava e eu fui obrigada a me aperfeiçoar.
Morava num apartamento localizado no centro de Londres, com fácil acesso a vários pontos de interesse. Dividia o aluguel com Anne Taylor, uma jovem britânica que me ajudou nos primeiros meses em que mal conseguia compreender o que os professores falavam durante a aula.
Sempre vesti moletons e casacos largos para esconder minha pequena barriga que crescia com o transcorrer das semanas.
Oito meses depois, senti fortes dores enquanto estudava anatomia numa madrugada fria. Não tinha ninguém além de Missy na noite em que minha bolsa se rompeu. Fiquei horas sentindo dor até que minha amiga entrou no quarto e viu uma mancha vermelha na cama.
— Oh, my God! — Com as pupilas dilatadas, ela falou. — What happen?
— Meu bebê está nascendo… — sussurrei fracamente e fiz força.
Ela até tentou me ajudar a levantar para ir ao hospital, mas parou.
— Está saindo… não dá tempo.
Missy usou a pouca experiência que tinha para fazer o parto do meu filho enquanto o socorro não chegava.
Aquele pequeno ser, envolto num lençol, tremia os lábios ao chorar.
— Bem-vindo, amorzinho! — Toquei nos dedinhos pequenos enquanto lágrimas escapavam dos meus olhos.
— Já tem o nome para ele?
— Ainda não… quer escolher?
— Olá, pequeno Charlie! — Missy falou e então o bebê parou de chorar e sorriu.
A voz de Missy foi a única que ele ouvia constantemente nos meses em que compartilhamos aquele apartamento. Ela era engraçada, gostava bastante de ler e estudar. Dificilmente, Missy saía de casa.
Um ano depois, os meus chegaram de surpresa no meu aniversário de dezenove anos. Missy tinha feito uma festinha surpresa, mas não tinha ideia de que meus pais não sabiam sobre o meu filho.
— Caralho! — O meu pai vociferou ao me ver chegando com o bebê no colo. — De quem é esse bebê, Liz? — Ele se agigantou.
— Gabe… — minha mãe se intrometeu. — Viemos aqui para comemorar o aniversário de Liz.
Os trigêmeos me abraçaram e deram um feliz aniversário em uníssono. Enquanto meu pai estava com uma taça de vinho, respirando como um animal enfurecido perto da janela, a minha mostrava os presentes que trouxeram.
— Deixa eu só colocar o Charlie no berço, já volto.
Naquele dia, fui para a faculdade, depois ao trabalho. No fim do expediente, busquei Charlie na creche. Seria um dia como outro qualquer se meus pais não tivessem aparecido sem avisar.
Respirando aliviada, eu me livrei do olhar opressor do meu pai. Chegando ao quarto, vi outro bebê que estava deitado sobre a minha cama. O pequeno Gabriel Welsch Filho era muito parecido com o meu pai.
— Por que não contou, filha? — Indagou minha mãe ao adentrar.
— Fiquei com vergonha, mãe. — Baixei o rosto para o Charlie que se mexia em meu colo.
Os olhos claros dela estavam cheios de lágrimas. Não sabia dizer se era de alegria ou de decepção.
— Ele é lindo… — minha mãe disse sem tirar os olhos do meu filho. — Posso segurar?
Fiz que sim com a cabeça e entreguei Charlie para ela.
— Olá, sou sua vovó… — andou pelo quarto enquanto conversava com Charlie.
Por dentro, estava com medo de que meus pais notassem os traços de Charlie com os do doutor Alex. Meu filho tinha olhos azuis como pedras de safira, bem diferentes dos meus. “Tomara que eles não perguntem sobre o pai”, falei em pensamentos enquanto assistia minha mãe conversando com meu filho.
De repente, uma sombra surgiu na parede atrás de mim. Virei e vi minha amiga,
— Forgive me, sis! — Missy pediu. — Seus pais chegaram com o bolo e então, ajudei a preparar a festa surpresa.
— Tudo bem, não fui totalmente sincera com você.
Ela realmente não tinha culpa. Não comentei nada sobre o meu passado antes de chegar a Londres. Aliás, a Missy nem fazia ideia de que estava grávida até o bebê nascer.
O homem grandalhão com barba grisalha, surgiu como num passe de mágica. Meu pai tinha aquele jeitão autoritário e eu tinha certeza que ele não iria se aquietar até que eu soltasse a verdade.
— Quem é? — Lançou-me um olhar inquisidor. — É algum britânico?
— Pai, não quero falar sobre isso com o senhor.
A testa dele vincou ainda mais.
— Eu te mandei para estudar nesse país e você decidiu cair na gandaia e ter um filho.
Engoli em seco. As lágrimas começaram a arder em meus olhos.
— Gabriel Welsch, abaixa o tom da voz! — Minha mãe surgiu, atacando meu pai. — Liz é adulta e você não pode se meter na vida dela.
— Você tem que casar com o pai do seu filho. — A voz gutural do meu pai exigiu,
— Não, — neguei com veemência enquanto lágrimas escorriam do meu rosto. — Não quero casar!
— Elizabeth Welsch Bernardi, você não pode criar esse bebê sozinha. — Empertigando-se, meu pai continuou alterando a voz.
— Gabe, olha que coisa mais linda… — minha mãe se aproximou, mostrando o meu filho. — Charlie, esse é o seu vovô ogro. Ele é turrão, mas sempre vai te amar e te proteger.
Minha mãe sempre tinha aquele jeitinho meigo de amansar a fera. Instantaneamente, o rosto do meu pai suavizou. Ele quase não piscava enquanto observava o netinho.
— Quer segurar? — Minha mãe perguntou a ele.
Embora aquele aniversário fosse conturbado, finalmente, eu tirei um peso dos meus ombros.
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