
Uma Noite com o Irmão Alfa do Meu Ex
Capítulo 3
Ponto de vista de Liora
Joguei o celular na cama como se ele tivesse me queimado.
Tudo havia sido mentira?
Os cinco anos, as promessas, os beijos, as noites sonhando com a nossa cerimônia... Eu achava que o Kade estava esperando o momento certo. Que ele estava construindo algo pra nós. Pra mim.
Mas, na verdade, ele estava construindo isso com ela.
As lágrimas começaram a cair sem resistência. Nem me dei ao trabalho de enxugá-las. Apenas fiquei lá, sentada, olhando para o nada, com o peito vazio e dolorido. Meus dedos se agarraram ao lençol, apertando como se aquilo pudesse me manter firme.
O toque do celular cortou o som que zunia em meus ouvidos. Estendi a mão para ele, metade esperando mais uma notificação de notícia. Mas não era isso.
'Vô', indicava a tela do identificador de chamadas.
Meu coração deu um salto.
Hesitei por um instante, clareando a garganta antes de atender. "Alô?"
"Liora," veio o som familiar da sua voz, calorosa, mas desta vez cautelosa. "Eu vi as notícias. Você está bem?"
"Tô sim, vovô, eu tô bem," respirei fundo, segurando as lágrimas para não deixá-las sair na voz. Eu nunca fui de demonstrar fraqueza, e não seria agora, nem mesmo no pior momento da minha vida.
"Você está-" ele começou, mas parou no meio, decidindo que era melhor não insistir. "Venha jantar aqui hoje, querida," ele disse gentilmente.
"Claro," concordei sem pensar duas vezes. Não queria ficar sozinha agora de jeito nenhum. Meu avô morava na alcateia vizinha, Moon Park, que compartilhava a fronteira com a Alcateia Nightshade. Eu havia me mudado para cá alguns anos atrás para poder levar uma vida normal, mas ainda o visitava regularmente.
***
Oito horas depois, estava na varanda da frente da mansão do meu avô. A porta se abriu segundos depois que toquei a campainha, revelando meu avô com um sorriso contagiante.
"Minha querida neta, senti tanto a sua falta." Ele disse animado. Me abraçou com carinho imediatamente.
"Também senti sua falta, vô," respondi com toda a empolgação que consegui demonstrar. Seguimos para a sala de jantar elegante, e as empregadas começaram a servir os pratos, que, aliás, eram mais do que o suficiente apenas para nós dois. O jantar havia durado apenas dez minutos antes que meu avô finalmente soltasse a pergunta que eu sabia que estava presa na ponta da língua dele o dia todo.
"Querida, o que aconteceu com o Kade...?" ele perguntou com cuidado.
De alguma forma, ouvir o nome de Kade já não me afetava tanto como horas atrás, quando ele perguntou pela primeira vez.
"Ele traiu, mas tanto faz," murmurei.
"Aquele cretino vai se arrepender com certeza. Se você quiser, eu dou um jeito nele. Como ousa fazer isso com a minha neta? Eu vou fazê-lo pagar!" rosnou com indignação, mas balancei a cabeça rapidamente, desaprovando.
"Tá tudo bem, vô. Eu vou resolver as coisas entre nós sozinha. Não se preocupe," falei com confiança.
Apesar da minha tentativa de tranquilizá-lo, meu avô ainda me olhava com preocupação.
"Se você tivesse revelado que é minha neta, a família daquela garota não teria tido nenhuma chance." suspirou ele, franzindo as sobrancelhas em irritação.
Meu avô era o Alfa de Moon Park e havia me criado desde que meus pais faleceram. Ele manteve minha identidade em segredo com o plano de me anunciar como herdeira quando eu ficasse mais velha, mas, ao chegar nessa idade, eu escolhi manter minha identidade privada porque gostava da minha vida discreta. Apesar de inicialmente resistir à ideia, acabou cedendo.
"Dessa forma, eu consigo ver as verdadeiras intenções das pessoas. Era justamente isso que eu precisava para enxergar aquele monstro como ele realmente é!" respondi, enquanto apertava a pega da colher.
"Então, podemos anunciar amanhã que você é minha neta?" ele insistiu.
"Não precisa, vô. Estou um pouco cansada e só quero descansar," eu disse com cansaço, pois meu corpo ainda estava dolorido.
"Então, daqui a alguns dias, haverá um banquete. Você vai comigo, e eu vou anunciar a todos que é minha neta. Assim, aquele perdedor vai se arrepender!" ele decretou. Suspirei, derrotada, sabendo que ele não deixaria o assunto morrer até que eu concordasse.
***
As notícias sobre o casamento de Kade e Selene se espalharam como fogo em mato seco, e eu tinha quase certeza de que toda a alcateia já sabia. Afinal, envolvia a realeza da alcateia.
Havia passado a maior parte do dia em casa, dormindo para ignorar a dor no peito. Quando acordei, fiquei surpresa ao ver que Kade havia me bombardeado com várias mensagens.
"Liora, não é o que você pensa. Eu me casei com a Selene porque minha família me forçou. Vou me divorciar dela o mais rápido possível. Por favor, espera por mim, tá?"
"Liora, a pessoa que eu amo é você. Isso nunca vai mudar. Por favor, me dá outra chance."
Forçado? Dei uma risadinha da bobagem da mensagem dele.
Kade realmente era um canalha de outro nível. Namorou minha amiga por três anos e tinha coragem de dizer que foi forçado a se casar com ela? Também foi forçado a transar com ela? Até onde ele estava disposto a chegar? Parecia que eu nunca o havia conhecido de verdade. O homem que eu chamava de companheiro era, na verdade, um completo estranho.
Sem querer aguentar mais a bobagem dele, bloqueei o número dele.
"Liora, você viu as notícias que estão bombando? O que tá acontecendo? Seu companheiro realmente se casou com a Selene?"
Outra mensagem apareceu, dessa vez de Raya, minha melhor amiga de infância.
"Você está bem? Devo voltar para a alcateia para ficar com você?" A segunda mensagem veio na sequência.
"Vi sim. Não é nada. Ele é só um lixo. Já o rejeitei" digitei imediatamente e cliquei em enviar.
"Você tá livre amanhã? Vamos sair amanhã à noite." Raya respondeu quase imediatamente.
"Você não está de férias no exterior?" Perguntei.
"Com uma coisa dessas acontecendo, é claro que preciso voltar pra estar com você. Já estou no aeroporto e prestes a embarcar. Te mando o endereço do restaurante depois. Não esquece de ir!"
Raya realmente era especial e eu era imensamente grata por tê-la. Como prometido, Raya mandou o endereço do restaurante. Era um dos restaurantes mais badalados da alcateia, que por acaso também era um no qual eu tinha participação societária majoritária.
Na noite seguinte, cheguei ao restaurante dez minutos mais cedo. O manobrista pegou meu carro com um leve gesto de reverência, enquanto eu saía para a noite fresca, ajustando os punhos da minha blusa branca.
A recepcionista me recebeu com um sorriso educado e me conduziu à área de jantar privativa que Raya havia reservado.
Foi então que os vi.
Kade e Selene.
Sentados em uma das cabines abertas à direita, rindo. Kade tinha um curativo na testa, exatamente onde eu o havia acertado naquela noite. Como se sentissem meu olhar ardente, os dois desviaram o olhar na minha direção naquele exato momento.
Droga-
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