
Uma Noite Com Meu Chefe Bilionário
Capítulo 3
A manhã de segunda-feira chegou com a sutileza de uma marreta. Hali estava parada em frente ao espelho, ajustando a gola de seu suéter de caxemira mais grosso e de gola mais alta. Era cinza-carvão e sufocantemente quente para setembro, mas era a única coisa que escondia eficazmente os hematomas em seu pescoço.
Ela aplicou uma camada extra de corretivo sob os olhos, tentando mascarar as sombras deixadas por um fim de semana sem dormir. A náusea do Plan B havia se transformado em uma dor surda e constante em seu baixo-ventre.
Ela checou o celular. Nenhuma mensagem nova de Irving desde seu SMS de domingo à noite dizendo "espero que tenha tido um bom fim de semana". Ela não havia respondido.
Na viagem de metrô para Midtown, Hali atualizava obsessivamente o Instagram de Irving. Nada. As fotos em que ele estava marcado estavam limpas. Mas a dúvida plantada pela mensagem de Lia havia criado raízes e estava crescendo rápido.
Ela passou o crachá nas catracas da Gardner Holdings, o bipe soando como uma acusação. O saguão era uma colmeia de atividade, saltos estalando no mármore, o zumbido de ambição e cafeína preenchendo o ar.
Hali manteve a cabeça baixa, agarrando seu copo de café como uma tábua de salvação. Ela conseguiu chegar ao departamento de design sem esbarrar em ninguém importante.
Sua baia estava exatamente como ela a havia deixado: entulhada com amostras de tecido, esboços e painéis de inspiração inacabados. Parecia uma vida diferente.
Yara, a fofoqueira do departamento e amiga de trabalho de Hali, rolou sua cadeira até lá no momento em que Hali se sentou.
— Meu Deus, você está com uma cara de morte — sussurrou Yara, com os olhos arregalados. — Mas escuta. A rádio-corredor está pegando fogo.
O coração de Hali deu um pulo. Ela forçou um sorriso, ligando o computador. — Qual a novidade?
— Não, isso é sério. Alguém da equipe de limpeza disse que encontrou um vestido de mulher na suíte da cobertura de Ezra no sábado de manhã. Rasgado.
A mão de Hali deu um solavanco, derramando café quente em seu pulso. Ela sibilou, pegando um lenço de papel.
Yara se inclinou para mais perto. — Dizem que ele levou alguém para casa depois da gala. Todo mundo está tentando adivinhar quem. Alguns dizem que foi aquela modelo, Kaia. Outros acham que pode ser uma socialite.
Hali limpou o pulso, o coração batendo forte contra as costelas. *"Ou talvez uma assistente júnior que queira morrer"*, pensou ela.
— Provavelmente uma modelo — disse Hali, sua voz soando fraca para seus próprios ouvidos.
Nesse momento, Nolan Hayes, o Diretor de Design, passou rapidamente pelos corredores. Ele parou na mesa de Hali, pegando um esboço que ela havia deixado à mostra — um desenho rústico a carvão de um corpete estruturado.
— Linhas interessantes, Andrews — murmurou Nolan, ajustando os óculos. — Muito agressivas. Tem uma certa qualidade... disruptiva. Me lembra o movimento de vanguarda em Berlin.
Hali congelou. O sangue sumiu de seu rosto. — Ah, eu... eu estava só rabiscando. Não é nada.
Nolan murmurou um som de aprovação, largando o esboço de volta na mesa. — Não seja tão modesta. Preciso de você na reunião de conceito esta tarde. Para fazer anotações. Às 14h.
Ele se afastou antes que ela pudesse protestar.
Hali exalou, afundando na cadeira. Ser notada era perigoso. Ela tinha que ser mais cuidadosa.
Um "ping" do seu computador chamou sua atenção. Uma pequena caixa de notificação apareceu no canto inferior direito da tela. Era do sistema de mensagens interno da empresa, o Slack.
Nova Solicitação de Amizade.
Hali franziu a testa. Quem adicionava pessoas como amigos no Slack? Geralmente era automático.
Ela clicou na notificação.
Usuário: E.G.
Cargo: CEO
Hali encarou a tela. O avatar era um quadrado preto.
Ezra.
Sua respiração falhou. Ele estava adicionando-a. No servidor da empresa. Onde o TI podia ver. Onde qualquer um olhando por cima de seu ombro podia ver.
Seu mouse pairou sobre o botão Aceitar. Seu dedo tremia. Isso era uma jogada de poder. Ele estava invadindo seu espaço de trabalho, lembrando-a de que ele estava em toda parte, afirmando sua dominância mesmo através de uma tela digital.
Ela rangeu os dentes. Não. Ela não ia jogar este jogo. Ela não era sua noiva. Ela era sua funcionária.
Ela moveu o cursor para o botão Recusar e clicou.
Solicitação Recusada.
Ela se recostou, o coração acelerado. Ela tinha acabado de rejeitar o CEO. Ela era louca. Ela seria demitida.
Cinco minutos se passaram. Hali tentou se concentrar em uma planilha, mas os números dançavam.
O telefone em sua mesa tocou. O som estridente a fez pular.
— Departamento de Design, Hali Andrews — ela atendeu, com a voz tensa.
— Sra. Andrews — a voz suave de Finley Butler soou na linha. — O Sr. Gardner gostaria de vê-la em seu escritório. Agora.
Hali fechou os olhos. Claro.
— Estou no meio da preparação para-
— Agora, Sra. Andrews.
A linha ficou muda.
Hali desligou o telefone lentamente. Yara a olhava com pena. — Foi chamada na sala do diretor? O que você fez?
— Nada — disse Hali, levantando-se. Suas pernas pareciam gelatina.
Ela caminhou até a área dos elevadores, agarrando seu caderno contra o peito. Ela apertou o botão para o andar da cobertura.
A subida foi agonizantemente rápida. As portas se abriram no 45º andar, um espaço de luxo discreto e silêncio aterrorizante.
Finley estava sentado em sua mesa do lado de fora das portas duplas de mogno. Ele ergueu o olhar, sua expressão neutra.
— Pode entrar.
Hali caminhou até a porta e bateu.
— Entre.
Ela empurrou a porta para abri-la. Ezra estava parado junto à janela que ia do chão ao teto, de costas para ela. Ele usava um terno que custava mais do que seu pai — se ela soubesse quem ele era — provavelmente ganhava em um ano.
Ele se virou lentamente. Segurava o celular na mão. A tela estava acesa.
Hali parou no meio da sala, mantendo uma distância segura.
— O senhor queria me ver, Sr. Gardner?
Ezra não respondeu imediatamente. Ele caminhou em direção a ela, seus passos lentos e deliberados. Ele parou a menos de um metro de distância, invadindo seu espaço pessoal.
Ele ergueu o celular. Na tela estava a notificação: Hali Andrews recusou sua solicitação.
Ele olhou para ela, seus olhos escuros cravados nos dela.
— É assim que você trata seu noivo? — ele perguntou, sua voz baixa e carregada de uma calma perigosa.
— Eu não sou sua noiva — sussurrou Hali, recuando até seus calcanhares baterem na madeira da porta atrás dela.
Ezra a seguiu, colocando uma mão no batente da porta acima da cabeça dela, encurralando-a. O cheiro de sândalo a envolveu novamente, desencadeando um flashback sensorial dos lençóis de seda e da pele quente dele.
— Estamos negociando — disse Ezra, inclinando-se até sua boca ficar a centímetros da orelha dela. — E recusar uma solicitação de amizade é uma péssima jogada de abertura, Hali.
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