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Capa do romance Uma Moderna CEO

Uma Moderna CEO

Conhecida como viúva de ferro por seu gênio difícil, a poderosa empresária Dinah Fontanne esconde romances casuais sob sua fachada de seriedade. Sua rotina muda ao cruzar com Benício Pavano, um publicitário sonhador que luta para prosperar na cidade grande com sua pequena agência. O encontro entre essa mulher misteriosa e o jovem determinado desencadeia sentimentos intensos, desafiando o coração gélido de Dinah a enfrentar a força de um amor inesperado.
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Capítulo 2

— O carro já está pronto, senhora.

— Obrigada.

Dinah, aquela noite vestia um longo vermelho, sem mangas e sem decotes, o tecido macio em dress e seda se ajustava levemente sem comprometer o andar da empresária.

Aquela noite participaria de um grande jantar, uma grande premiação dedicada aos melhores empreendedores do ano - Ela detestava – Mas, a sua empresa seria uma das premiadas naquela noite, o ramo imobiliário sempre foi rentável e muito glamoroso para quem sabia a direção.

A empresa Assunção Fontanne já passou por vários comandos e nos últimos anos, vinha sendo dirigido por uma mulher, a viúva de Arthur Assunção Fontanne, Dinah.

Um pouco antes de ter sido interrompida por sua governanta, Dinah fitava a vista panorâmica da cidade, pela janela de sua suíte. Agora, quase pronta para o grande circo no qual enfrentava sempre sozinha, antes de pegar a pequena bolsa toda costurada em perolas brancas, borrifou levemente o seu perfume francês N.º 5 – Chanel em sua pele sedosa e assim que sentiu-se um pouco mais segura, deixou a suíte, logo a cobertura, um duplex em um bairro nobre da cidade.

Dinah era uma mulher linda aos trinta e cinco anos e muito dona de si, imitada e odiada por algumas pessoas, mas era a vida particular dela que era sempre um mistério, pois era sempre vista só em viagens e convenções. Parecia que não tinha vida amorosa e apenas era vista ao lado dos colegas empresários que herdara do marido. Tudo muito profissional e social.

Dinah tinha uma vida vigiada pelos inimigos e era ciente disso, por isso, tudo era feito discretamente quando nascia algum interesse imediato.

O prêmio Olintho Barros, era um dos mais aguardados pela cúpula dos altos executivos e investidores do país sendo que no dia seguinte, as empresas estariam estampadas na capas de jornais e sites importantes.

A festa aconteceria em um grande e moderno teatro que tinha sido arrendado por um banco estrangeiro. A premiação tem uma tradição de mais de cinquenta anos e a cada ano surgem presenças ilustres como chefes de Estado, artistas e empresários de outros ramos e nacionalidades, deixando a imprensa agitadíssima.

Dinah, quando chegou ao evento, todos os flashes inclinaram-se em sua direção, era seguida por várias vozes que perguntava diversas coisas, uns querendo uma foto, outros pedindo um sorriso, ela agradeceu mentalmente ao motorista e uma Hostess do evento que a tiraram daquele pequeno tumulto na portaria do teatro.

O seu lugar já estava reservado, a sua mesa seria compartilhada com os Villares Cintra e também tinha a presença de um dos seus advogados da Fontanne.

O jantar corria sem maiores novidades, sorrisos falsos, aplausos sem tantas emoções e o pior daquilo tudo era ouvir os premiados com os seus discursos emblemáticos para uma plateia rica e levemente apática, porque a matemática dos negócios seguia com o seguinte fins: se um está ganhando é que muitos outros estão perdendo.

A cada premiação, um casal ligado à mídia fazia as apresentações. Em alguns casos, alguns eram atores ou modelos, pessoas bonitas que o público apreciavam em ver nas telas e nas revistas.

Aquela noite para Dinah já estava mais que fadada, tanto que já tinha pedido para o advogado representá-la no palco quando a Fontanne fosse receber o último e mais aguardado prêmio da noite. Até aquele momento, a empresa já tinha conquistado dois como dizia na lista que Dinah tinha recebido semana passada com os nomes de todos os premiados.

— Tem certeza, Dinah?

— Sim, e também estou com um pouco de dor de cabeça. Receba logo esse prêmio para eu poder ir embora.

O advogado apenas assentiu à ordem.

Quando, de repente um homem, visivelmente atraente, dono de uma bela postura, alto e usando um belo terno preto, entra no palco para anunciar o próximo prêmio.

Dinah gostou muito do que viu e o analisou discretamente, a sua visão era privilegiada por estar perto do palco o que a levou a não perder nenhum gesto ou sorriso daquele homem desconhecido.

Mesmo não sabendo nada a respeito sobre o jovem homem, uma coisa Dinah tinha certeza: ela queria aquele homem.

***

— Eu diria que você é um galã!

— Não sei onde estava com a cabeça quando aceitei esse convite.

— Vamos Benicio! Precisamos de mídia e de novos contatos e com você amanhã nas redes sociais, o nosso escritório vai decolar!

O amigo Guilherme era de tal animação que Benicio não queria cortar.

— Encarar uma plateia eu encaro, agora, ficar olhando para um monte de endinheirados metidos à besta que só sabem falar de economia e fumar charuto não era bem a mídia que eu pensava.

— Cara, relaxa! E também é só por hoje, é só fazer de conta que está em um daqueles eventos com a sua mãe...

Benicio fitou-se no espelho e gostou do que viu, na verdade lembrou-se de um passado familiar não distante e o glamour que compartilhou ao lado da mãe, uma atriz de teatro muito famosa e premiada.

— É apenas mais um trabalho – dizia para si mesmo — Nada de atuar e seja você mesmo.

Esse era o seu novo mantra que usava todos os dias.

Ele que fugiu dos palcos para a tristeza de sua mãe, para viver num mundo bem diferente. Às vezes, as aulas da escola teatral até que o ajudavam e muito, principalmente quando se encontrava em um ambiente que não o agradava.

Benicio Pavano era filho de artistas estrangeiros, apesar de ter vivido em várias cidades, passou boa parte da vida lendo clássicos e aprendendo novas línguas. Os palcos nunca estiveram seus planos. Quando formou-se em Comunicação e Marketing, recebeu uma proposta para trabalhar na equipe de um milionário que tinha intenções políticas, o filho de Margo Pavano ficou apenas três meses no cargo e comprou uma passagem para morar no Brasil e viver na cidade de São Paulo.

Agora, sócio da agência Dois Cubos com o amigo Guilherme, tinham apenas conquistados três clientes e o objetivo da dupla era crescer no mercado. Primeiro a ideia era focar na mídia social, voltando para um público jovem, mas a concorrência é desleal, então estavam pensando em novos contratos que envolvessem mídia social e urbana.

Contudo, a ideia de voltar para a Espanha, estava cada vez mais distante.

Quando chegou em terras brasileiras, já conhecia bem o idioma. Ainda na adolescência, morou no Sul com a família da mãe durante um ano e o sotaque foi se dissipando aos poucos. Sem namorada e focado na abertura da agência, era sempre paquerado na academia ou em algum barzinho, em algumas dessas vezes saiu com belas mulheres, porém logo o interesse acabava e ele seguia a sua vida.

Benicio recebeu aquele convite no início da noite, seria para cobrir um casal que não chegaria à tempo, o fato de ser ligado a várias pessoas de bastidores por conta do parentesco familiar ou por criar novos campos de amizade, a organizadora daquele evento implorou por sua presença.

—Você é o próximo — disse a mulher bem alinhada segurando a cortina — Aqui está o premiado da noite — a organizadora passou o envelope dourado para Benicio — É o mais esperado e o último prêmio da noite, depois disso podemos beber a vontade — a mulher era simpática, apesar do estresse da noite.

— Obrigada mais uma vez Benicio… Um, dois, três. É com você.

Benicio entrou no palco com passos firmes e decididos, as luzes do palco e os cliques dos fotógrafos que andavam apressadamente para acompanhá-lo. O seu olhar para aquela plateia era uma incógnita, assim parou o corpo atrás do púlpito de vidro.

— Boa noite senhoras e senhores, é um prazer estar com vocês em um evento desta magnitude. Acredito que todos estão ansiosos para saber qual é o último premiado da noite – apesar da simpatia era nítido o tamanho desconforto, tanto que na hora que abriu o envelope, o seu tom de voz não tinha mais brincadeiras ou sorrisos — A empresa vencedora que vai levar o troféu Olintho Barros para casa como a melhor do ano de dois mil e quatorze é o Grupo Arthur Fontanne.

O som dos aplausos foram elevados.

E todos os olhares focaram em uma mulher, que foi iluminada por uma luz prata.

Enquanto isso Benicio batia palmas para uma direção qualquer.

***

“Quem é ele?”

Dinah sabia que estava sendo observada e odiada por boa parte da plateia de empresários, só que quem mais a interessava tinha um olhar distante, indiferente. E isso a intrigou ainda mais, enquanto sorria para os mais próximos e o advogado da empresa subia ao palco para receber o prêmio, deslocando assim a atenção sobre ela e passando para o palco.

— Por que nos privou de tamanha beleza, essa noite é sua, minha cara.

As palavras do velho Cintra, foi sim de forma amigável e até arrancou um sorriso da loira.

— Que gentileza… A noite é da Fontanne, por isso, deixarei o meu fiel escudeiro da lei me representar.

— É uma pena para os jornais de amanhã.

— Eles já devem ter um arsenal de fotos minhas em seus computadores- respondeu sorrindo ao casal que já tinha quase cinquenta anos de matrimônio.

Dinah sempre tinha uma resposta afiada e um belo sorriso para os seus ouvintes, até para aqueles que eram mais íntimos, afinal foi treinada para ser uma Fontanne.

O advogado do grupo, era Plinio Correia, um homem honesto e de família, além de muito fiel a atual presidente da Arthur Fontanne que vinha sofrendo certo desconforto como membro da família do falecido marido.

No palco, Plinio cumprimentou o rapaz e de forma polida fez um breve discurso e agradeceu os esforços da nova diretoria por todas as conquistas agraciadas nos últimos anos.

Mais uma vez o holofote iluminou Dinah e a imagem feminina refletiu no telão.

Foi ali que os olhares se cruzaram, por poucos segundos.

E a festa começou!

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