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Capa do romance Uma Borboleta Azul, Paz Eterna

Uma Borboleta Azul, Paz Eterna

Diagnosticada com uma doença terminal, meu mundo desaba ao descobrir que Sofia, minha cunhada, roubou o dinheiro do tratamento do meu marido em coma. Traída por meus pais e até pelo meu filho, que agora a preferem, vejo todos se voltarem contra mim. Diante da sugestão absurda de que ela se case com Pedro, decido abandonar as lágrimas. Iniciei um jogo frio de transferência de bens, transformando meus últimos dias de vida em um plano de vingança implacável.
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Capítulo 3

Diante do pedido absurdo de Pedro, um pedido que significava apagar minha existência, eu deveria ter gritado. Deveria ter chorado, quebrado coisas, exposto a crueldade de todos eles ali mesmo. Mas eu não fiz nada disso. Uma paz gélida havia se instalado em mim. A luta tinha acabado. Todas as minhas expectativas em relação a ele, à minha família, se dissolveram no ar.

"Se é isso que vai te fazer melhorar, Pedro, eu concordo," eu disse, com a voz firme. "Vamos fazer o que for preciso pela sua saúde."

Pedro me olhou, uma mistura de surpresa e alívio em seus olhos. Ele esperava uma briga, lágrimas. Minha aceitação o desarmou.

"Luana, eu... eu sabia que você entenderia," ele gaguejou, tentando forçar uma expressão de gratidão. "Você sempre foi tão compreensiva. E não se preocupe, eu nunca vou te esquecer. Mesmo casado com a Sofia, você sempre terá um lugar aqui. Cuidaremos de você."

A ironia era tão espessa que eu quase podia tocá-la. Ele estava me expulsando da minha própria vida e me oferecendo um quartinho de hóspedes como prêmio de consolação.

João, que tinha ouvido a parte final da conversa da porta, entrou correndo e abraçou a perna de Pedro. "Papai, então a tia Sofia vai ser minha nova mamãe? E ela vai cuidar de você e de mim para sempre?"

"Isso mesmo, campeão," disse Pedro, bagunçando o cabelo do nosso filho. "A tia Sofia vai cuidar de todos nós."

Naquele momento, uma tontura avassaladora me atingiu. A visão escureceu, as pernas fraquejaram. O chão veio de encontro a mim rapidamente. A última coisa que ouvi antes de apagar foi a voz irritada de Pedro.

"Ah, qual é, Luana? Agora não. Não precisa desse drama todo."

Quando acordei, eu estava no sofá da sala. Sofia colocava um pano úmido na minha testa, com uma expressão de falsa preocupação. Meus pais e Pedro me olhavam com desaprovação.

"Você nos deu um susto," disse minha mãe, o tom de voz dela era de pura repreensão. "Fingir um desmaio não vai mudar nada. Só torna as coisas mais difíceis para todos."

"Sua mãe tem razão," acrescentou Pedro, da sua cadeira de rodas. "Pensamos que você finalmente tinha aceitado a situação com maturidade."

Eu me sentei lentamente, a cabeça ainda girando. E então eu entendi. A medicação. O remédio que o médico me deu para aliviar a dor e os sintomas mais agressivos da doença estava funcionando bem demais. Ele mascarava a devastação que acontecia dentro de mim, me fazendo parecer... normal. Saudável. Eles não viam uma mulher morrendo. Viam uma mulher sã e cheia de artimanhas.

Essa percepção não me trouxe mais dor, apenas clareza. Era a peça que faltava no meu quebra-cabeça. Eles não eram apenas cruéis, eram cegos. E a minha doença, escondida por trás de uma aparência de normalidade, era a minha maior aliada no plano que se formava.

Eu me levantei, cambaleando um pouco, e me dirigi a Sofia. Todos ficaram em silêncio, esperando outra cena de "drama" .

"Sofia," eu comecei, e todos os olhos se fixaram em mim. "O que eu disse antes sobre as casas não é suficiente."

Ela franziu a testa, confusa.

"Eu quero que você fique com tudo," eu continuei, a voz ressoando na sala silenciosa. "O resto das propriedades, as ações, o dinheiro que ainda tenho em meu nome. Tudo. Vou assinar os papéis amanhã."

Um silêncio chocado pairou no ar. Meus pais se entreolharam, boquiabertos. Pedro me encarava como se eu fosse louca. E Sofia... no rosto de Sofia, por um breve segundo, antes que ela pudesse esconder, eu vi a mais pura e triunfante ganância.

"Luana, eu não posso aceitar..." ela começou a protestar, encenando a humildade de sempre.

"Você pode e vai," eu a interrompi, com uma autoridade que surpreendeu a todos, inclusive a mim mesma. "Considere um presente de casamento."

Com isso, virei as costas e subi para o meu quarto, deixando-os para trás, atordoados e confusos. No espelho, a mulher que me encarava de volta tinha os olhos fundos, mas eles brilhavam com uma nova e terrível determinação. Se eles queriam que eu desaparecesse, eu desapareceria. Mas primeiro, eu construiria para Sofia um trono tão alto que a queda seria espetacular.

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