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Capa do romance Uma Babá para o Meu Filho - Milionário Insensível

Uma Babá para o Meu Filho - Milionário Insensível

Após uma traição, Felix tornou-se um homem gélido e libertino. Sua vida muda quando Luciana, uma acompanhante que tentou lhe dar um golpe, morre ao dar à luz Luca, o filho prematuro dele. Precisando de ajuda, Felix contrata Cecília, uma enfermeira que perdeu o próprio bebê e sofreu com a deslealdade do marido e da irmã. Entre traumas e dores compartilhadas, Cecília e o patrão buscam curar feridas antigas enquanto cuidam do pequeno Luca em uma jornada de redenção.
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Capítulo 1

A chuva castigava a cidade de São Paulo. Era janeiro, deveria ser calor, sol forte e chuva pela tarde, não aquela madrugada fria e chuvosa. Tudo parecia cooperar para aquele momento.

Felix sentou-se em sua poltrona, a casa estava no completo escuro, nem mesmo a luz do celular podia ser acionada ali. 

Ele analisou o copo, levou-o até o nariz e inspirou, com os olhos fechados virou o copo na boca, o liquido queimou a garganta, assim como os outros cinco ou seis antes daquele. 

Felix esticou o braço e pousou o copo na mesinha ao lado do retrato dos sobrinhos, Maria Helena e Fernando Júnior. A cabeça latejava, e não adiantava se entupir de remédios, a tensão dos últimos meses desde que conhecera Luciana, o envolvimento e a notícia que mudara sua vida, eram o motivo das dores.

Luciana fora sua acompanhante de luxo, a mais cara, e mais bela. Ruiva de olhos verdes e um corpo perfeito. Ela sabia como cansar o Senhor Smith. Mas Luciana tinha um defeito. Era carente e o envolvimento com Felix a fez imaginar que talvez eles podiam ficar juntos.

Luciana parou de tomar os remédios, em uma viagem a negócios como acompanhante de Felix, ela esperou que ele estivesse tão bêbado a ponto de não se importar em se proteger. No mês seguinte, Luciana mandou a seguinte mensagem:

"Estou Grávida."

Felix não fez o que ela planejava,mas arcou com a responsabilidade do filho e da mãe, que não poderia trabalhar. 

Luciana se mostrou mesquinha, mentirosa, levou a gravidez á público, gerando um escândalo nacional. Não fosse o irmão, Felix teria se afundado ainda mais na depressão. Agora, sete meses depois Luciana ainda era o foco dos programas de fofoca. 

Felix respirou fundo, queria que tudo aquilo não tivesse acontecido, talvez desejou com certo afinco que Luciana fosse apagada da história do mundo.

Ele recostou na cadeira, fechou os olhos por um minuto quando ouviu o celular tocar. Era próximo das duas horas da manhã, quem quer que fosse, não queria jogar conversa fora. Ou queria? Afinal, o nome que aparecia ali, era justamente o de Luciana.

— Não me diz que está com desejo de comer algo louco. - Felix se adiantou em dizer.

— Senhor Smith?

A voz era diferente, os sons ao fundo também. Felix se ajeitou na poltrona.

— Onde está a dona do celular?

— Senhor Smith, Luciana Miranda deu entrada no hospital da sua família. Pode vir até aqui

Felix encerrou a ligação as pressas, escolheu uma roupa fácil e correu até o carro. Não havia transito áquela hora, mas a chuva ainda caía forte, como um mal agouro.

Ao chegar no hospital ele parou o carro de qualquer jeito e correu porta adentro. A balconista, provavelmente a mesma que lhe informou sobre Luciana, se levantou.

— Ela está do terceiro andar. Quer que eu...

— Sei chegar até lá.

O elevador parecia demorar uma eternidade para descer, e mais ainda para o deixar no terceiro andar. 

— Felix.

— Júnior. – Felix caminhou até o amigo. — Pensei que estivesse em Orlando.

— Estava. – Ele disse. — Vim participar de um procedimento pelo projeto. A paciente apresentou sangramento pela madrugada, era coisa simples, um ponto que rompeu. Assim que saí do quarto da paciente, me informaram que uma Luciana havia caído na entrada do hospital

— Onde ela está?

— Cara, ela chegou aqui sangrando muito, pedia para salvar o bebê, estava bem machucada.

Felix mal conseguia engolir a saliva, sentia todos os músculos do corpo rígidos.

— Está tentando me enrolar? – Ele fechou as mãos em punhos.

— Estou tentando te explicar que a Luciana estava muito mal, e que foi deixada na porta do hospital por um carro que fugiu. E que ela está agora mesmo na sala de partos.

— Mas ainda não é a hora.. – Felix deu alguns passos perdidos. 

— Vem comigo.

Só agora Felix notava que José Carlos estava com o jaleco sujo de sangue, e que ele também tinha uma expressão de medo nos olhos. Felix o seguiu para uma sala de espera vazia, José Carlos parou na frente dele.

— Eu vou voltar lá para dentro, a coisa está bem complicada, me espere aqui.

José Carlos manteve toda a calma até passar pelo centro cirúrgico, se preparar e entrar na sala onde mais parecia um cenário pós-guerra. Luciana estava cada vez mais fraca, a obstetrícia pedia cada vez mais agilidade dos outros, ela precisava  manter Luciana viva, pelo menos até a criança nascer.

O Doutor José Carlos entrou no meio da bagunça, queria manter Luciana viva. Achou até que estava conseguindo. Os olhos dela estavam cada vez mais fracos, quase cerrados quando ele escutou a colega de profissão dar um grito.

— Consegui. – Ela estendeu os braços. — Precisamos aquecer o bebê.

— É... um menino? – Luciana conseguiu dizer, baixinho.

— Sim. É um menino. – José Carlos afagou a cabeça dela. — Agora vamos cuidar de você.

— Eu... não quero morrer Doutor... – Os olhos verdes dela estavam assustados. — Por favor...

José Carlos despertou quando a médica rapidamente encostou o bebê pequeno além da conta no rosto da mãe, para logo o tirar.

— Preciso cuidar dele. – A Doutora passou praticamente correndo. — Preciso, – Luciana engoliu com dificuldade. — cuidar do Luca.

Luciana estava em estado crítico, machucada, tinha costelas quebras, um sangramento interno considerável, estava muito fraca. Quem quer que tenha feito, queria matá-la.

Os olhos foram ficando brancos, assim como os lábios. Luciana ainda olhava para o Doutor José Carlos quando os batimentos pararam. 

***

Felix olhava fixo para a porta dupla. Ninguém entrava, e ninguém saía de lá. Nem mesmo um único som que denunciasse o estado de Luciana, ou do bebê.

Ele andava de um lado para o outro naquela sala, o coração acelerava cada vez que ele olhava no relógio e via os minutos se arrastando. Pela janela era quase impossível ver os outros prédios, as árvores pareciam que iam ser levadas dali pelo vento forte. 

Felix se aproximou da janela e quando tocou no vidro frio um raio cortou o céu, aluminando tudo por um segundo. Pelo reflexo um pouco afastada estava Luciana, os olhos verdes e assustados o encarava.

Alarmado ele virou-se, estava só. Cético ainda caminhou até o balcão, a não ser a chuva, nada mais se ouvia ali.

— Acho que dormi em pé. – Ele pensou alto.

Encabulado com aquela visão estranha Felix sentou no sofá pequeno, mais um trovão cortou o céu, quando tudo voltou ao silêncio a porta dupla abriu.

Doutor José Carlos passou por ela, estava sério, caminhou lentamente com as mãos nos bolsos e se pôs na frente de Felix.

— Júnior, me diz que eles estão bem....

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