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Capa do romance Uma Babá para o Chefe

Uma Babá para o Chefe

Nerea acreditou estar livre após fugir de seu padrasto abusivo, mas o vício dele em jogos a transformou em moeda de troca. Entregue à máfia russa para quitar dívidas alheias, ela assume o papel de babá da filha de um Pakhan. No entanto, sua vida se torna um jogo perigoso ao descobrir que pertence a dois líderes implacáveis. Entre o dever e a posse, esses poderosos chefes lutarão pelo controle sobre ela ou finalmente permitirão que Nerea encontre sua liberdade.
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Capítulo 1

Quatro anos.

No máximo três ou quatro anos poderia ter a menina que deixaram na frente da sua porta.

Estava bem agasalhada, mas mesmo assim seus dentes batiam de frio como se não estivesse acostumada, e ela esfregava as mãozinhas com desespero; precisava se aquecer o quanto antes. Seus cachinhos loiros saíam de debaixo do capuz, e aqueles olhos tão azuis só olhavam para a porta, esperando que alguém abrisse para entrar. Estava assustada, sozinha e congelando.

A pessoa que a deixou ali saiu correndo muito depressa e fugiu no seu carro, deixando a menina na porta fria depois de tocar a campainha, quando se certificou de que ninguém estava por perto - algo complicado se parássemos para ver de quem era aquela casa. Levou dois dias para conseguir fazer essa manobra.

A menina tinha uma nota consigo e uns documentos que continham informações sobre ela, mas só sobre ela, não sobre a mãe. Coisas como sua idade, nome e seu estado de saúde, não muito mais.

Quando abriram a porta, a senhora do serviço olhou ao redor para ver onde estava a mãe ou o pai daquela criatura. Mas ali não havia ninguém.

Correu para o interior sem pegar a menina; não podia entrar com ela na casa sem que seu chefe soubesse, mas antes de chegar ao chefe, tinha que passar por Vincent, a mão direita, seu conselheiro.

- Há uma menina na porta! - exclamou a pobre mulher, angustiada por tê-la deixado naquele frio e abraçador inverno.

- Compre biscoitos para ela e mande-a embora - disse o tal Vincent, sem entender por que a mulher se alarmava tanto só pela presença de uma menina na porta.

Era só uma menina na porta, o que importava?

- Senhor... deixaram uma menina na porta - explicou melhor a senhora Aisha. - Não há ninguém ao lado dela e ela tem uma nota, também uns documentos. Está sozinha. Deixaram-na na porta! E tudo indica que... - Não se atrevia a dizer, mas era o que parecia.

- Quem diabos se atreveu a fazer tal coisa? - Com várias passadas, dirigiu-se à porta e Aisha o seguiu. - Droga! - exclamou ao vê-la. - É verdade que há uma menina na porta. - Vincent teve o impulso de recuar; não gostava de crianças, muito menos de uma menina de longos cachos loiros, aqueles olhos azuis com um aspecto muito parecido com o de seu chefe Vasily Ivanov, inclusive com seu olhar frio.

Como era possível que uma menina tivesse um olhar tão sério? Mas ao vê-la, Vincent compreendeu o que estava acontecendo, o mesmo que Aisha já havia compreendido.

Tinham deixado aquela menina ali porque era filha de seu chefe.

De qualquer modo, era uma tolice.

Teve o impulso de enfiar as mãos nos bolsos para pegar o tabaco, embora se lembrasse de que seu chefe não o deixava fumar em sua casa.

Aproximou-se bem devagar; aquela pequena sustentava o olhar sem nenhum medo, mas quando ele se aproximou, a menina deu um grito longo que ecoou por todos os lados. Ato que fez Vasily sair do seu escritório.

Vasily, ele era o chefe do lugar.

O Pakhan.

Por que uma menina estaria gritando em sua casa, arruinando sua paz? Isso era o que Vasily queria saber.

- E agora o que acontece? - perguntou, aproximando-se da porta, com seu típico tom de voz desanimado. Olhou à frente para a menina loira, para Vincent e Aisha. - Quem se atreve a trazer uma menina para a minha casa? - perguntou aos adultos, seus olhos em busca dos pais, mas ali só estavam eles e a menina. Não havia outro desconhecido.

Onde estavam os pais?

Quando Vasily voltou a olhar para a loira que estava sentada no chão frio, notou algo estranho nela, algo que lhe chamou a atenção repentinamente; aproximou-se muito rápido dela e a ergueu nos braços sem que a menina chorasse. Aquelas duas pessoas se olharam fixamente e, ao compreender, Vasily sorriu.

Era sua filha.

Assim de simples, percebendo apenas ao vê-la.

Por enquanto se alegrava, mas só por enquanto.

Seu trabalho não lhe permitia ter família, muito menos um ser tão indefeso como uma filha. Ele jamais pensaria em procriar e sempre se assegurava de que não ocorresse nenhum acidente com isso; era dos que nunca deixavam de lado a proteção.

Embora, ao que parece, falhou uma vez. Diante dele estava a prova.

Em seu coração, sentiu um pequeno anseio, quase como se seu peito se encolhesse ao ver aqueles olhos tão parecidos com os seus, esse olhar, esse rosto.

- Papai? - Perguntou a pequena. Tinham lhe dito uma e outra vez que a levariam ao seu pai; agora estava diante dele.

O homem sorriu sem querer, maravilhado com aquele tom de voz, mas quando ele falou de novo, a pequena começou a gritar tal qual havia feito antes. O mais estranho de tudo é que ela soltava palavras, mas em espanhol, não em russo, deixando Vasily ainda mais confuso.

Agora tinha que lembrar quando foi à Espanha ou quando esteve com uma espanhola. Sem proteção!

Pegaram as coisas dela e entraram na casa.

Tinha uma filha.

Vasily Ivanov tinha uma filha.

O Pakhan tinha uma filha.

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