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Capa do romance Uma babá- de prazer

Uma babá- de prazer

Desempregada e sem rumo, uma jovem babá esconde a verdade do pai enquanto dirige rumo a uma última chance. Após ser demitida e falhar em várias entrevistas, ela aposta tudo em uma vaga numa mansão luxuosa no lago Summerstone. O cenário imponente em Nova Iorque desperta um desejo ardente de recomeçar. Entre mentiras e a falta da antiga rotina, ela precisa garantir esse emprego para não perder o pouco que lhe resta. O sucesso é sua única opção agora.
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Capítulo 3

“Quem você pensou que eu fosse?”, perguntei.

Pax hesitou, olhando para Bryce em busca de uma resposta. “Não vá embora ainda”, Bryce falou. “Volta aqui pra dentro.

Quero terminar a entrevista. Por favor?”

Eu já havia desistido do trabalho mentalmente. Tinha sido riscada da lista. Ouvir que de repente eu tinha uma nova chance…

“Tá bem”, eu disse. “Prometo não te insultar dessa vez.” “Não foi um insulto. Foi só um mal-entendido.”

Pax e Bryce se abraçaram de novo. “Estou feliz que você veio, amigão. Vai ser um verão divertido.”

Pax me deu uma olhadela antes de dizer, “Espero que sim!” “Como foi a viagem?”, Bryce perguntou enquanto

caminhávamos de novo para dentro da casa.

“Monótona, mas movimentada. Meu telefone não parou de tocar com ligações de clientes perguntando sobre esse vírus na Europa. Se devemos realocar seus portfólios de investimento. Dois caras querem mudar cem por cento para títulos. Você acredita nisso?”

“Eu ia mesmo te perguntar sobre esse assunto. Você soube da Espanha?”

Pax grunhiu. “Eu acho que eles estão exagerando. Isso tudo vai passar em alguns dias. Lembra da gripe suína? Vai ser do mesmo jeito.”

“Espero que esteja certo.”

“O que aconteceu na Espanha?”, perguntei.

Bryce olhou por cima do ombro e disse, “Eles decretaram um lockdown severo. As fronteiras estão fechadas, disseram às pessoas que fiquem em casa. Os hospitais estão se preparando para extrapolar a ocupação dos leitos.”

“Como eu disse, um exagero”, Pax disse. “Eu só espero que isso não assuste a bolsa de valores dos Estados Unidos…”

A gravidade do vírus estava começando a aparecer. Eu nunca tinha ouvido falar de um país que tivesse implementado um lockdown como esse nos tempos atuais. Pelo menos as pessoas tinham internet e Netflix para se manterem ocupadas.

Felizmente não se espalhou aqui na América.

“Aqui está o filho da mãe!”, Liam disse calorosamente quando ele viu Pax. Eles gargalharam e bateram nas costas um dos outro. Em seguida, se dirigiram para uma das alas da casa enquanto conversavam.

Bryce suspirou e riu para mim. “Desculpa pelas interrupções. E me desculpa por ter insistido sobre seu último emprego. Eu nunca tinha ouvido falar em um babá que tenha sido demitida, mas se você diz que é pessoal, não vou mais falar no assunto.”

“Obrigada”, eu disse secamente.

“Agora, de volta às suas qualificações…”

Nós recomeçamos a entrevista e discutimos minha história como babá. Minhas certificações e situações nas quais precisei usar as habilidades adquiridas. Bryce levantou questões pontuais aqui e ali.

De repente, o lamento familiar do choro de criança voltou. Eu o ouvi pela babá eletrônica e por um dos corredores que dava na sala de estar. Bryce desligou a babá eletrônica e disse: “melhor eu ir resolver isso.”

Eu me levantei num salto antes que ele pudesse fazê-lo. “Deixa que eu vou! Quero conhecer o rapazinho.”

Segui o som do choro pelo corredor. Havia arte pendurada na parede, borrada e abstrata. Me perguntei se tinha sido Bryce quem pintou aqueles quadros. Cheguei no fim do salão onde havia duas portas, uma aberta e outra fechada. A porta aberta levava ao que parecia ser a suíte master, com uma cama enorme. A outra porta estava fechada e o lamento infeliz de um bebê atravessava a porta. Eu a abri.

O berçário tinha tudo o que eu estava acostumada: o trocador contra uma parede, um guarda-roupas e um canto cheio de brinquedos e livros infantis. E contra a parede mais distante estava o berço onde o bebê choroso estava de pé, se apoiando na grade.

Oliver era um garotinho rechonchudo. Suas pernas roliças se destacavam em sua fralda como pãezinhos. Suas bochechas eram vermelhas e fofas e ele tinha um tufo de cabelos pretos igualzinho ao de seu pai. Ele estava meio que gritando quando me viu, mas fechou a boca imediatamente e fez uma carranca.

Você não é meu papai, dizia seu olhar.

“Você é simplesmente a coisa mais fofa”, eu disse suavemente enquanto o pegava no colo. “Você sabia disso? Que você é a coisa mais fofa? Aposto que você nem sabia disso!”

Embora ele não tivesse a mínima ideia do que eu estava dizendo, percebi pelo seu tom suave e pelas risadinhas que ele tinha gostado. Eu o embalei contra meu peito e fiz ruídos calmantes enquanto checava sua fralda. Estava limpa.

Enquanto eu o embalava, eu vi Bryce me olhando da entrada com os braços cruzados. “Ele já está falando?”, eu perguntei.

Ele chacoalhou a cabeça. “Ele está dando seu melhor, mas nenhuma palavra ainda.”

“Quando foi sua última refeição?”, perguntei. “Almoço, três ou quatro horas atrás.”

“Ele já come comida sólida?”

O belo rosto de Bryce se transformou numa careta. “Eu tenho tentado afastá-lo da mamadeira pelos últimos três meses, mas é uma batalha. A maior parte da sua comida no almoço foi parar no chão da cozinha.”

“Qual é seu horário de comer de tarde?”

“Um lanche quando ele acorda do cochilo e depois o jantar por volta de seis horas.”

Eu assenti – parecia normal para mim. “Vamos lanchar! Aposto que você está faminto!”

Bryce estendeu a mão. “Eu assumo daqui.”

Eu chacoalhei a cabeça e caminhei, passando por ele. “Considere isso um teste. Apenas me aponte a direção correta.”

Bryce pegou a cadeirinha alta e eu coloquei Oliver sentado. A situação ideal seria que a comida estivesse toda pronta quando o bebê se sentasse, então eu tinha que ser rápida. Eu preparei uma tigela de mingau de aveia e, enquanto a aquecia no micro-ondas, abri uma lata de ervilhas e as cortei em pequenos pedaços. Misturei com o mingau, experimentei para me certificar de que não estava muito quente e me sentei ao lado de Oliver na mesa.

“Você está com fome?”, perguntei com a voz entusiasmada.

Seu rosto se acendeu e ele riu, fascinado pelo que eu ia fazer. “Esta comida é muito gostosa. Mmm, que delícia”, eu disse,

fingindo comer uma colherada. Então dei uma colherada para ele. Ele abriu a boca obediente e comeu a colher de comida sem problemas.

“Ok, isso não é justo”, Bryce disse. “Eu juro que ele nunca se comportou tão bem assim.”

“Eu tenho o toque mágico”, eu disse enquanto preparava outra colherada de comida. Oliver comeu facilmente.

“Você é muito boa nisso. Você tem filhos?”

Eu chacoalhei a cabeça. “Eu sou a mais velha de seis, então eu ajudei a criar meus irmãos e irmãs. Vi mais fraldas na vida do que as máquinas nas instalações da Pampers.”

Dei ao Oliver outra colherada e então entreguei a colher a ele para que pudesse fazer o mesmo. A comida estava na metade do caminho da sua boca quando ele sacudiu o pulso e a comida voou sobre a cadeirinha.

“Isso é o que acontece normalmente”, Bryce disse.

“Tudo bem. É importante para ele tentar fazer isso sozinho, mesmo que ele faça uma bagunça.”

Alternei entre alimentar Oliver e deixá-lo tentar comer sozinho. Dez minutos depois, a tigela estava vazia e a cara rechonchuda de Oliver parecia muito mais feliz do que antes.

“Você parece sonolento!”, eu disse. “Você é dorminhoco?” “Ele mal acordou do seu cochilo da tarde.”

Removi o babador de Oliver e o peguei no colo. “Talvez nós possamos fazê-lo dormir um pouco mais. Não muito, para evitar que ele fique acordado a noite toda, mas o suficiente para tentar fazer com que ele volte à sua rotina normal.”

Carreguei-o de volta para o berçário e coloquei-o no berço, cobrindo-o com seu cobertor. Ele murmurou alguma coisa em língua de bebê e fechou seus olhos gentilmente. Eu escapuli do quarto e verifiquei a hora no meu relógio.

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