
Um olhar de amor
Capítulo 3
Um nome bonito. Seria normal comentar, mas ela vinha se
mostrando tão sensível que poderia entender errado. Também
reparou que ela não havia dito o sobrenome.
Ela esticou o pescoço para olhar pela janela para uma placa
mal iluminada.
— Aonde você está indo? — perguntou em pânico. — A cid-
ade fica na direção contrária.
Por sorte, naquele momento ele viu a placa do Vinhedo Sul-
livan, apertou o botão do controle remoto para abrir os portões
e começou a subir o estreito caminho.
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— Chase. — A voz dela tinha um tom forte de alerta, mas isso
não o impediu de gostar da maneira como seu nome soava em
seus lábios. — Eu pedi para me levar a um motel.
Ele pensou nas diferentes maneiras como poderia respon-
der, se deveria pedir desculpas ou tentar acalmá-la. Porém,
como percebeu que ela não engolia sua conversa como a maior-
ia das mulheres, apenas disse:
— A casa de hóspedes fica mais perto. E é mais agradável
também.
Ela fez um som mal disfarçado de irritação.
— Você sempre ignora o que as pessoas querem e faz o que
lhe dá na telha?
Mais uma vez, havia várias respostas possíveis, mas apenas
uma sincera.
— Basicamente sim.
— Sua mãe deve ficar muito orgulhosa — Chloe falou, com
sarcasmo.
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Ele gostava da forma como as palavras lhe escapavam, con-
forme ela ficava um pouco mais confortável com a ideia de estar
no carro dele, mas, um instante depois, a julgar pelo jeito como
se mexia desconfortável no banco, percebeu que ela estava pre-
ocupada com a resposta mal pensada que dera.
Com o tom mais descontraído que conseguiu, ele comentou:
— Por sorte, eu tenho cinco irmãos e duas irmãs bravas para
distraí-la.
Esperava que ela soltasse outra resposta espontânea ao ouvir
aquela informação e ficou feliz quando ela se virou na direção
dele e perguntou:
— Você está brincando, não é?
— Não. Oito no total. — Ele tirou os olhos da estrada por
tempo suficiente para sorrir para ela.
Ela balançou a cabeça.
— Sua mãe deve ser uma santa.
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Ótimo. Ele conseguira distraí-la por algum tempo, o
bastante para estacionar atrás da casa de hóspedes. E, dessa
vez, ela não parecia preocupada com o que havia dito... Ou com
a reação que ele poderia ter.
— Olhe — falou, com delicadeza —, eu sei que você preferia
estar em outro lugar, mas meu irmão é o dono deste vinhedo e
não acho que faça sentido pagar por um quarto porcaria em um
motel barato à beira da estrada quando temos cinco quartos
vazios aqui.
— Eu não o conheço — ela repetiu.
— Eu sei. E, acredite, se você fosse uma das minhas irmãs,
eu não ia querer que você confiasse em um cara que encontrou
na beira da estrada no meio de uma tempestade.
Chase reparou que ela ficou surpresa com a maneira como
ele concordava com sua desconfiança.
— Por isso, vou acomodá-la aqui e, depois, vou para a casa
do meu irmão do outro lado da propriedade.
Esperou que ela dissesse “não” de novo. E a verdade era que,
se ela insistisse em ir para um motel, em vez de jogá-la por
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cima do ombro e acorrentá-la a uma das camas da casa de hós-
pedes, teria de fazer como ela queria.
Ele afastou a chama de desejo que tentou atravessá-lo com a
imagem de amarrá-la à cabeceira da cama. Deus sabia que, se
ela visse o efeito que causava nele naquele momento, começaria
a arranhar a porta do carro para poder fugir correndo e grit-
ando até a cidade.
— Então — ela disse devagar, articulando bem a palavra, o
que teve o resultado infeliz de atrair os olhos dele para seus lá-
bios cheios e expressivos.
Meu Deus, ela devia ser uma das mulheres mais lindas que
ele vira em meses. Anos, talvez. E mulheres bonitas eram seu
trabalho.
— Você não vai ficar comigo?
Ah, finalmente. Era a primeira vez que ela não discutia com
ele ou dizia que não podia ficar ali. Para aproveitar o momento,
Chase insistiu:
— Vou apenas ajudá-la a se acomodar e irei para a outra casa
passar o resto da noite.
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Antes de ela poder mudar de ideia, tentou pegar a mochila
dela, mas ela se virou e abriu a porta do carro, saindo para a
chuva sem que ele pudesse ajudá-la com aquela maldita coisa.
Por algum motivo maluco, carregar a mochila tinha se tornado
uma obsessão para ela. E ele queria que ela confiasse nele o su-
ficiente para aceitar ajuda.
Ela correu para a varanda coberta. A governanta do irmão
dele tinha deixado a luz da frente acesa para a sua chegada e ele
foi presenteado com a melhor imagem de Chloe até então. O ca-
belo, que tinha começado a secar um pouco no carro, parecia
mesmo de seda, tão brilhante que ela poderia ganhar muito
dinheiro em comerciais de xampu. Ela tinha um corpo maravil-
hoso. Não era magra demais, tinha lindas curvas que faziam os
dedos dele coçarem de vontade de tocá-la.
Que havia de errado com ele? Tinha de parar de pensar nela
daquela maneira. Ele a levara até a casa do irmão para livrá-la
de um problema, não para livrá-la das roupas.
Enquanto ela o esperava na varanda, com uma das mãos se-
gurando a mochila e outra tapando aquele ponto acima da
bochecha direita de novo, Chase perguntou-se por que ela
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sempre escondia o rosto daquele jeito. Tinha um mau
pressentimento.
Como sabia que ela não se sentiria mais confortável se a fi-
casse encarando com as sobrancelhas franzidas, tentou se con-
centrar na maneira como a luz da varanda a banhava com um
brilho fraco. Decidiu tirar algumas fotos das modelos, na noite
seguinte, bem naquele lugar. Subiu os degraus e caminhou na
direção da porta da frente.
— Vamos entrar e nos aquecer.
Segurou a porta aberta para ela e ouviu-a murmurar “pelo
menos sua mãe lhe ensinou alguma coisa”, ao passar.
O aroma de Chloe envolveu-o novamente, em um golpe de
sensualidade. O problema era que ela era uma mulher maravil-
hosa e ele, um homem que adorava mulheres maravilhosas.
Para piorar, a mochila bateu no batente da porta e empurrou
seu quadril contra a virilha dele. Ele mal conseguiu reprimir
um gemido.
Minha nossa, se fosse menos esperto, e se ela fosse qualquer
outra mulher, pensaria que ela fizera de propósito. No entanto,
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vendo que só faltara ela correr em disparada para o outro lado
da sala, teve certeza de que não havia nada de intencional no
efeito que ela lhe provocava.
Havia quase um mês que Chase não fazia sexo, mas o corpo
dele reagia à presença de Chloe como se fizesse um ano, como
se ele tivesse 14 anos de novo e estivesse escondido no vestiário
feminino enquanto as líderes de torcida se trocavam. Ele sorriu,
pensando naquela tarde. Ah, sim, tinha sido bom ser um garoto
de 14 anos naquele dia. Com certeza aquilo fora uma das mel-
hores ideias do Ryan.
Uma rajada de vento soprou chuva na varanda e Chase
fechou a porta e entrou na casa, onde Chloe estava parada,
desconfortável, ao lado da cozinha.
Ele andou devagar pelo aposento e concentrou-se para não
devorá-la com os olhos.
— Está com fome?
Ela balançou a cabeça, com a mão ainda sobre o rosto.
— Você está machucada. — Não era uma pergunta. — Deixe-
me ver seu rosto.
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Ela tentou dar um passo para trás, mas o balcão de granito
impediu.
— Não. Estou bem.
Ele podia ver o quanto ela estava se esforçando para ser dur-
ona e forte. Por que ela não entendia que ele estava bem ali,
oferecendo ajuda? Sem se importar em não assustá-la, foi até
ela e colocou sua mão sobre a dela.
O primeiro toque fez os dois ofegarem e ele podia jurar que
as pupilas dela se dilataram por um milésimo de segundo antes
de ela se desvencilhar dele.
— Eu sabia que não devia ter vindo para cá com você — ela
exclamou quando começou a atravessar o aposento correndo.
Porém Chase era mais rápido e a agarrou antes que ela
pudesse fugir. Ainda estava experimentando o calor suave dela,
a pressão dos seios amplos contra seu peito, o “v” quente entre
as pernas dela que acomodava tão bem as partes íntimas dele,
quando viu o que ela estivera escondendo.
— Meu Deus, Chloe, isso aconteceu no carro?
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Um lado do rosto dela tinha um enorme hematoma com to-
das as cores do arco-íris e um longo arranhão no centro. Lágri-
mas brilharam nos olhos dela, mas pareciam ser causadas mais
pela frustração do que pela dor.
— Esta não é a melhor noite da minha vida.
Mais uma vez, ela não respondera à pergunta. No entanto,
ao não dizer “sim”, ele pôde presumir que o ferimento não fora
causado por uma batida no volante quando o carro caíra na
vala. Qualquer outra mulher estaria chorando, mas não aquela,
embora fosse claro que algo muito louco tinha lhe acontecido
nas últimas horas.
— Não mesmo — ele respondeu, com suavidade.
Quanto mais olhava para ela, mais bravo ficava por causa do
ferimento. Ele já brigara com os irmãos o bastante para saber o
quanto aquilo doía, mas sabia que não devia fazer daquilo um
escândalo. Não ia ferir o orgulho dela... Não quando alguém já
havia feito um trabalho daqueles em seu rosto.
— Você colocou gelo aí?
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Ela balançou a cabeça e ele, relutante, soltou-a e foi para a
cozinha.
Depois de encher uma sacola plástica com gelo, envolveu
tudo em um pano de prato limpo e macio. Ela não saíra do
lugar onde ele a impedira de correr. Ele poderia facilmente
levar o gelo para ela, mas sabia que era importante ela começar
a confiar nele — pelo menos um pouco — para poder ajudá-la.
Todos os instintos dele gritavam, desde o instante em que a
vira pela primeira vez, que o problema dela era muito maior do
que apenas a perda de controle do carro na chuva.
Às vezes, era terrível estar certo.
— Eu não mordo. Juro.
A última coisa que ele esperava que ela fizesse era baixar o
olhar na direção do seu membro ainda latejante, erguer as so-
brancelhas e dizer:
— Sério?
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Feliz em ver que qualquer resíduo de lágrimas que estivesse
dentro dela não sairia mais, ele abriu um sorriso com o
comentário.
— Eu devia ter dito “não mordo, a não ser que...”.
Ela levantou uma das mãos para interrompê-lo e terminou a
frase com voz sarcástica:
— ... “a não ser que você queira” — ela completou, como se
tivesse ouvido aquilo centenas de vezes antes. — Tanto faz. Não
estou interessada em você. Nem agora, nem nunca.
As palavras dela eram entediadas, duras, mas ela se aprox-
imou dele.
— Mas aceito o gelo.
Ele entregou para ela e quando Chloe estava começando a
agradecer, pressionou o gelo com força demais contra o rosto e
ofegou de dor.
— Aqui — ele disse —, deixe-me fazer isso.
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Aproximando-se o suficiente para tocá-la de novo, deslizou
os dedos da mão esquerda sob os dela enquanto lhe apoiava a
cabeça com a mão direita.
Chase não ficou surpreso ao perceber que o clima entre os
dois por fim melhorou. Tudo por conta da ereção que não con-
seguia controlar e dos comentários sarcásticos dela.
Quem imaginaria que isso bastaria?
Esperava que ela se afastasse dele, dissesse que podia se
cuidar sozinha, insistisse que ele não a tocasse. Em vez disso,
teve outra surpresa quando ela falou:
— Você é bom nisso.
A voz suave dela não ajudou a interromper o fluxo de sangue
que descia pelo corpo dele até suas partes íntimas.
— Cinco irmãos, lembra? — ele comentou, com um breve
sorriso. — Embora minhas irmãs fossem geralmente as respon-
sáveis pelos hematomas mais feios quando brincávamos. —
Abriu mais o sorriso. — Fedelhas!
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Ela o encarou e ele desistiu de controlar sua reação à onda
de desejo que o abalou. Os olhos dela eram extraordinários, um
verde vibrante ao redor da pupila, mas preenchido no restante
pelo azul.
— Você gosta muito dos seus irmãos e irmãs, não é?
Os olhos dele percorreram sua boca enquanto ela falava,
dando a chance de ele apreciar as curvas cheias do lábio inferi-
or, o doce formato de coração do lábio superior.
Não havia dúvidas, estava a caminho de perder total e com-
pletamente a cabeça por aquela mulher. Uma mulher que clara-
mente trazia um passado complicado.
Ele nunca fora um homem interessado em lidar com o pas-
sado. Parecia que o universo estava lhe pregando uma bela peça
naquela noite. Porque ele estava interessado, com certeza.
— Estou com alguma coisa na boca? — ela indagou, meio ir-
ritada, meio divertida com o encantamento óbvio que ele
demonstrava.
Chase gostou. Preferia que ela risse dele a fugir dele.
Recusava-se a pensar no depois, a deixar seus pensamentos
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irem na direção em que estavam doidos para ir… A direção em
que ele a imaginava nua e saboreava cada pedaço da sua linda
pele. Em primeiro lugar, tinha de convencê-la a realmente pas-
sar a noite lá.
E não fugir ao nascer do dia.
Alerta de que sua ereção estava aumentando ainda mais por
trás do zíper do jeans, ele virou o quadril para longe do quadril
dela antes de responder:
— Não, sua boca está perfeita.
Um rubor espalhou-se pelo lado do rosto dela, tomando a
face que ele não cobria com a compressa.
— E sim, meus irmãos são demais.
Uma expressão determinada surgiu no rosto dela. Chloe
virou a cabeça e baixou as pálpebras para que ele não pudesse
mais fitar seus olhos impressionantes... e expressivos.
— Está melhor agora, obrigada. Estou muito cansada. Pode
me mostrar onde fica o quarto?
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Ele queria mantê-la por perto e fazer perguntas até que ela
dissesse quem a tinha machucado. Não era preciso ser um
gênio para perceber que ela estava fugindo de alguém. Todas as
células do corpo de Chase queriam protegê-la, mas, apesar de a
barreira inicial ter sido quebrada, sabia que ela não estava nem
perto de confiar nele ainda.
— Os quartos ficam no final do corredor — ele disse, mas,
embora já passasse da hora de deixá-la ir, não conseguia.
O calor e as curvas suaves dela eram bons demais, certos de-
mais, para que ele se afastasse.
Chloe, infelizmente, não teve problemas para sair dos braços
dele.
Já que era provável que um homem tivesse feito o estrago no
rosto dela, ele se perguntou se Chloe seria casada. Seria aquele
o trabalho de um marido abusivo?
Chase não costumava examinar os anéis das mulheres à pro-
cura de uma aliança, mas, daquela vez, era importante. Não foi
sutil ao olhar para a mão esquerda dela. Ele nem tentou ser
sutil. Ora, ela já tinha visto a ereção que lhe provocara. E
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sentido também. Havia prometido não tocar nela pelo restante
da noite, mas não dissera nada sobre o futuro. E precisava
saber se ela estava apanhando de um cara com quem era
casada.
Ela estava com a mão bem fechada, mas ele não viu um anel.
Ótimo. Isso significava que, depois que descobrisse o que
acontecera com ela, depois que ela começasse a confiar nele,
não haveria uma única razão para ele não poder começar um
trabalho de sedução lento e persistente.
Quando por fim olhou para o rosto de Chloe, ela o estava en-
carando com o mesmo ar de irritação de antes, mas sem nen-
huma sombra de divertimento dessa vez.
Pego no flagra.
— O quarto? — Ela ergueu uma das sobrancelhas. Bem alto.
— Você ia me mostrar onde fica.
Ele colocou as mãos na mochila dela.
— Por aqui.
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Ela também esticou o braço para pegar a mochila e os dois
jogaram uma ridícula partida de cabo de guerra com a bolsa de
lona verde-pálido por alguns segundos. Chase sabia que devia
deixá-la continuar carregando a mochila, mas ela não podia ter
mais de 1,65 metro de altura, contra o 1,90 metro dele, e ele cal-
culou que era uns 36 quilos mais pesado. Podia carregar a
maldita mochila para ela.
Ainda agarrada à bolsa com as duas mãos, ela comentou:
— Você tem mesmo um desejo de carregar minha mochila,
não é?
Ele estava segurando com força o seu lado da lona quando
respondeu:
— Eu ia dizer o mesmo a seu respeito.
Ela soltou a mochila tão rápido que ele cambaleou. Balançou
a cabeça e murmurou:
— Nunca entendi por que os homens acham que têm de ser
tão machões.
— Querer ajudá-la com a mochila não é ser machão.
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— Tem certeza?
— Talvez seja apenas porque minha mãe me educou bem —
ele retrucou, jogando as palavras dela contra ela mesma.
Ele não esperou que ela argumentasse mais… Não quando
ele estava chegando tão perto de dar um beijo naquela boca
linda e esperta, quisesse ela ou não.
Ele a guiou pelo corredor até a suíte principal, onde tinha
planejado dormir. Os outros quartos tinham colchões de alta
qualidade, mas ele queria que Chloe ficasse com o melhor.
Chase abriu a porta e estava prestes a tocar no interruptor
quando percebeu que a luz já estava acesa. Seu cérebro enchar-
cado demorou mais do que deveria para perceber que a cama
não estava vazia.
E uma mulher nua esperava por ele.
Ele se esquecera completamente de Ellen, mas estava claro
que ela não se esquecera dele. Se a noite tivesse sido diferente
— bem diferente —, ele teria ficado muito animado ao
encontrá-la despida e pronta. Porém, depois de conhecer Chloe,
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Chase estava tão desanimado com a presença nua de Ellen na
casa quanto era possível.
Antes que pudesse pensar rápido e tirá-la dali, Chloe saiu de
trás dele. Ele esperou que ela perdesse o fôlego com aquela
afronta, que fizesse o inevitável: agarrasse a mochila e saísse
correndo de volta para a chuva.
Mas tudo que ela fez foi rir.
— Talvez — ela disse, sem disfarçar a risada — tenha outro
quarto para mim? — Riu de novo. — De onde não dê para ouvir
nada do que acontece aqui, se for possível, por favor.
Ele lançou-lhe um olhar que dizia que ela era louca. Chloe
não podia pensar que ele transaria com Ellen enquanto ela es-
tava na casa, podia?
Mas, então, perdeu noção do problema conforme a risada
constante dela envolvia seus sentidos. Meu Deus, adorava
aquele som. Tão fácil. Direto da alma. E o sorriso dela era
muito bonito.
Lindo.
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Ellen ainda estava inteiramente nua na cama, mas ele não
conseguia parar de olhar para Chloe. Tivera vontade de beijá-la
quase desde o momento em que a conhecera. Agora queria
beijá-la até que ela desmaiasse e fazê-la sorrir, ouvir sua doce
risada, com a mesma força.
— Chase, quem é ela?
Ellen ainda não tinha se mexido para se cobrir e ele reparou
que ela não era mesmo o tipo dele, no final das contas. Ele
preferia as curvas de Chloe aos músculos tesos de Ellen. E
cachos tingidos de loiro não eram nada comparados aos cabelos
castanho-claros que refletiam a luz enquanto balançavam sobre
os ombros e as costas de Chloe sempre que ela se mexia.
Ela parecia animada demais para a situação quando re-
spondeu por ele:
— Meu nome é Chloe. — Outro sorriso maldoso. — Chase me
pegou hoje. — Balançou a cabeça na direção dele e acrescentou:
— Você sabe como é. Garota com problemas na beira da estrada
conhece um cara com uma BMW.
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Ellen parecia mais confusa do que brava. Ela olhou para
Chase e pareceu decidir algo antes de falar:
— Como você é fotógrafo e anda com um pessoal modern-
inho, eu devia ter imaginado que gosta desse tipo de coisa.
Com a sensação de que tinha entrado em uma cena surreal
sendo gravada para um filme, Chase teve de perguntar:
— De que tipo de coisa você acha que eu gosto?
— Você sabe, ménage e tal — Ellen respondeu ao se sentar
de pernas cruzadas na cama, dando aos dois uma visão direta
de suas partes íntimas; totalmente depiladas.
“Minha nossa”, ele pensou, com uma careta, “ela precisa se
cobrir.”
Ele abriu o guarda-roupa e tirou um roupão, jogando-o para
ela do outro lado do quarto.
— Faz um tempo que não fico com outra mulher — Ellen
afirmou —, mas tenho certeza de que não esqueci o que fazer.
Ela voltou sua atenção de Chase para Chloe.
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— É um prazer conhecê-la, Chloe, mesmo sendo um
pouquinho inesperado. Meu nome é Ellen, a propósito. — Ela
mal parou para respirar. — Você é muito bonita. Acho que não
será nada difícil entrar no clima.
Chloe parecia muito confusa com a maneira como Ellen ol-
hava para ela, claramente analisando como ela se sairia na
cama.
— Obrigada — ela acabou dizendo —, mas acho que não es-
tou a fim de um ménage esta noite.
A maneira calma como ela disse aquilo provocou em Chase
pensamentos malucos. Ela já tinha feito um ménage antes?
A simples ideia de um homem e uma mulher tocando nela ao
mesmo tempo o deixou furioso. Não podia nem se permitir
pensar em dois homens ou romperia uma veia.
Ele nunca havia procurado relacionamentos sérios, estivera
muito feliz com seus encontros casuais dos últimos 32 anos.
Como estava sempre na estrada, deixar as coisas claras e
simples era o melhor para seu estilo de vida. Nunca invejara os
colegas que tinham esposa e filhos esperando em casa por eles.
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Porém, desde o momento em que vira Chloe pela primeira vez,
ele quisera protegê-la... e mais.
— Ai, meu Deus! — Ellen disse, de repente, quando final-
mente viu o horroroso hematoma de Chloe. — O que aconteceu
com o seu rosto?
Chase odiou ver todos os traços da risada fugirem do rosto
de Chloe.
— Vou encontrar outro quarto sozinha. Boa noite.
Ele queria ir atrás dela, mas tinha de lidar com Ellen antes.
— Ela está bem? — Ellen perguntou depois de Chloe ter
fechado a porta do quarto.
Ele passou a mão pelo cabelo molhado.
— Ela vai ficar bem — ele garantiu. — Olha, hoje não vai
mais acontecer.
— Por causa dela?
Chase balançou a cabeça.
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