
Um Novo Batimento: A Esperança de Sofia
Capítulo 2
O médico entregou-me um relatório.
"O seu filho tem uma doença cardíaca congénita grave. Ele não viverá para além dos cinco anos."
A minha mente ficou em branco.
Olhei para o meu filho, Leo, a dormir pacificamente no meu colo. Ele tinha apenas um ano de idade.
O meu marido, Miguel, agarrou no relatório. A sua mão tremia.
"Doutor, tem a certeza? Não pode haver um erro?"
"Os resultados de múltiplos exames apontam para a mesma conclusão. A única esperança é um transplante de coração, mas encontrar um dador compatível para uma criança é extremamente difícil."
Saímos do hospital. O ar estava pesado.
Miguel não disse uma palavra durante todo o caminho. O seu silêncio era mais assustador do que qualquer grito.
Em casa, ele finalmente falou. A sua voz era fria.
"Onde está a tua irmã, Clara?"
Eu fiquei confusa. "Ela está na universidade. Porquê?"
"Liga-lhe. Diz-lhe para vir cá. Agora."
O seu tom não admitia recusa. Peguei no telefone, com um mau pressentimento a crescer dentro de mim.
Clara chegou uma hora depois, ainda com a sua mochila da universidade.
"Irmã? Miguel? O que se passa? Parecem tão sérios."
Miguel não perdeu tempo. Ele colocou o relatório médico na frente dela.
"Leo está doente. Muito doente. Ele precisa de um coração novo."
Os olhos de Clara encheram-se de lágrimas. "Oh, meu Deus. O meu pobre sobrinho. O que podemos fazer? Eu ajudo no que for preciso."
Miguel olhou fixamente para ela.
"Tu podes salvá-lo."
Houve um silêncio denso na sala. Eu senti um arrepio.
"Miguel, o que estás a dizer?"
Ele ignorou-me, os seus olhos nunca deixaram a minha irmã.
"Clara, o teu tipo de sangue é o mesmo que o do Leo. As vossas constituições são semelhantes. Tu és a dadora perfeita."
A minha irmã ficou pálida. "Dadora? Mas... eu estou viva."
"Exato."
A palavra pairou no ar, cheia de um significado monstruoso.
Eu explodi. "Estás louco? Estás a pedir à minha irmã para morrer pelo nosso filho? Isso é assassinato!"
Agarrei no braço de Clara, puxando-a para trás de mim.
"Vai-te embora, Clara. Agora!"
Miguel avançou, a sua cara contorcida de raiva. "Ele é o meu filho! Eu não o vou deixar morrer!"
"Ele também é meu filho! Mas eu não vou matar a minha irmã!"
A nossa discussão acordou o Leo. Ele começou a chorar no seu berço.
O som do seu choro partiu-me o coração, mas a ideia de Miguel era de uma crueldade que eu não conseguia compreender.
Clara, a tremer, correu para fora de casa.
Eu encarei o meu marido, o homem que eu amava, e vi um estranho.
"Vamos divorciar-nos, Miguel."
Ele riu, um som sem alegria. "Divórcio? Tu não vais a lado nenhum. Tu vais convencer a tua irmã. Pelo bem do nosso filho."
"Nunca."
Nessa noite, tranquei a porta do quarto. Abracei o Leo com força, o seu corpo pequeno e quente contra o meu.
Eu sabia que isto era apenas o começo.
---
Você pode gostar





