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Capa do romance Um Novo Amanhecer: Depois da Tempestade

Um Novo Amanhecer: Depois da Tempestade

Acordei no hospital com a notícia devastadora da perda do meu bebê. No quarto, meu marido Leo e minha sogra Inês demonstraram total frieza. Lembrei-me do acidente: Inês causou a batida ao puxar o volante, mas agora eles me chamam de louca. Diante da indiferença de Leo e da crueldade da mãe dele, decidi colocar um fim nesse casamento tóxico. A farsa acabou. Sem o filho que me prendia a eles, buscarei justiça e farei com que paguem por toda a miséria que me causaram.
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Capítulo 3

Os meus pais chegaram uma hora depois. A minha mãe correu para a minha cama, o rosto banhado em lágrimas, abraçando-me com cuidado.

"Oh, minha querida. Sinto muito, sinto tanto."

O meu pai, um homem normalmente calmo e reservado, tinha uma expressão sombria. Ele ficou de pé junto à porta, a observar o quarto como se procurasse um inimigo.

Contei-lhes tudo. Sobre a discussão no carro, sobre a Inês a agarrar o volante, sobre a reação fria do Leo.

A cada palavra, o rosto do meu pai tornava-se mais duro.

"Aquele... aquele homem," disse o meu pai, a voz baixa e tensa. "E a mãe dele. Eles vão pagar por isto."

"Eu disse ao Leo que quero o divórcio," confessei, a voz ainda fraca.

A minha mãe limpou as minhas lágrimas com o polegar.

"Fizeste bem, minha filha. Não podes ficar com um homem que não te protege."

Nesse momento, o meu telemóvel vibrou. Era uma mensagem do Leo.

"O meu advogado vai contactar o teu. Prepara-te para perder tudo. Vais aprender a não me desafiar."

Mostrei a mensagem ao meu pai. Ele leu-a, e uma calma assustadora apoderou-se dele.

"Não te preocupes com isso, Clara. Deixa-me tratar disto."

Ele saiu do quarto, a fazer uma chamada. A minha mãe ficou comigo, a segurar a minha mão, a falar-me de coisas banais para me distrair, mas eu via a preocupação nos seus olhos.

Mais tarde, um enfermeiro entrou para verificar os meus sinais vitais.

"A sua recuperação está a correr bem, Sra. Mendes. Fisicamente, está a ficar mais forte."

Fisicamente. Mas por dentro, eu sentia-me oca.

Nos dias seguintes, o hospital tornou-se o meu refúgio e a minha prisão. O Leo não voltou a aparecer. A Inês também não. Recebi apenas uma carta formal do advogado dele, a iniciar o processo de divórcio e a fazer reivindicações absurdas sobre os nossos bens, alegando "stress emocional" causado por mim.

O meu pai contratou o melhor advogado de família da cidade.

"Vamos lutar, Clara. Não vamos deixar que eles te tirem nada. Pelo contrário."

Numa tarde, enquanto a minha mãe me ajudava a dar um pequeno passeio pelo corredor do hospital, vimos uma figura familiar a sair de um dos quartos privados no final do corredor.

Era o Leo.

Ele não nos viu. Estava a falar ao telemóvel, a rir de alguma coisa.

E depois, a porta do quarto abriu-se, e uma mulher saiu. Era bonita, mais nova do que eu, e usava uma bata de hospital. Ela pousou a mão no braço do Leo de uma forma íntima.

Eles pareciam um casal.

O meu coração parou por um segundo. A minha mãe apertou o meu braço com força.

"Quem é ela?" sussurrou a minha mãe, furiosa.

Eu não sabia. Nunca a tinha visto.

O Leo inclinou-se e beijou-a na testa antes de ela voltar para o quarto. Depois, ele virou-se e viu-nos.

O sorriso desapareceu do seu rosto. O pânico substituiu-o, seguido rapidamente por uma raiva defensiva.

Ele marchou na nossa direção.

"O que é que estão aqui a fazer? A espiar-me?"

"Quem era ela, Leo?" perguntei, a voz surpreendentemente calma.

"Não é da tua conta. Somos casados, lembras-te? Ou isso só conta quando te convém?"

"Estamos a divorciar-nos," disse ele, a cuspir as palavras. "A minha vida privada já não te diz respeito."

"Ela também está internada? Que coincidência," disse a minha mãe, com um sarcasmo cortante.

"É uma amiga. Sofreu um acidente," disse ele, a olhar para qualquer lado menos para nós. "Eu estava apenas a visitá-la."

Uma amiga. Claro.

Naquele momento, eu soube. Soube com uma certeza que me gelou os ossos. A minha perda não foi apenas uma tragédia. Para ele, talvez tenha sido uma conveniência.

Virei-me e comecei a andar de volta para o meu quarto, a minha mãe a seguir-me.

"Clara, espera!" gritou ele.

Eu não parei. Não olhei para trás.

De volta ao meu quarto, sentei-me na cama, o corpo a tremer.

"Mãe," disse eu. "Precisamos de descobrir quem ela é."

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