
Um Jogador em Minha Vida
Capítulo 3
Ao contrário do que eu esperava, ela não pulou e nem gritou, ficou parada me olhando.
— Eve? — chamei preocupada.
Mas aí ela soltou um grito daqueles. Tapei os ouvidos para não ficar surda.
— E EU ACHANDO QUE NÃO PODIA FICAR MELHOR! PUTA QUE PARIU!
— Eve você vai dançar com o cara e não dar pra ele.
— Quem te disse que não? — um sorriso safado brotou em seus lábios. — Priminha do meu core, você acha mesmo que eu vou perder essa chance de ouro? Não mesmo! Escreve o que eu tô dizendo Lara, Javier Rodríguez vai ser meu na noite da formatura, ou até antes disso.
Eu invejava um pouquinho essa liberdade que a Eve tinha de fazer o que dava na telha. Eu sou o oposto disso. Sou tímida e tremo na base só de pensar em contato físico com alguém. Já beijei um menino uma vez, mas foi um completo desastre. O controle que meu pai tem sobre mim e sobre a minha vida não ajuda muito.
A doida me empurrou e olhei pra ela que ria.
— O que foi? — perguntei rindo também.
— Você aí no mundo da lua. — eu tinha mania de fazer isso. — Perguntei como foi o primeiro ensaio com o Joshua.
— Foi bem. — falei tentando disfarçar meu nervosismo.
— Tem certeza? — Eve era uma águia quando se tratava disso.
— Tenho sim.
— Lara Mantovani Schmitz, eu te conheço desde sempre gata e sei quando tu ta mentindo. Anda, fala logo.
Não dava pra esconder nada dela.
— Foi... diferente. Sei lá.
— Diferente como?
— Eu senti uma coisa diferente em mim quando ficamos próximos. Um calor, uma coisa assim.
Eve arregalou os olhos e riu.
— O que foi? — perguntei a encarando.
— Isso vai ser ótimo!
— Ainda não entendi. — cruzei os braços fechando a cara.
— Calma meu neném, me deixa explicar. Você disse que quando o Joshua chegou perto, você sentiu um calor tomar conta de você, certo?
— Sim.
— Isso quer dizer que ele mexe com você, com seu lado feminino, te deixa excitada.
Olhei pra Eve horrorizada.
— É química Lara e não tem como fugir disso.
— Não! De jeito nenhum! — levantei nervosa sentindo o coração acelerar.
— Prima não tem como fugir disso, seu corpo sempre vai reagir a ele.
Lembrei-me de quando dançamos juntos, de como foi ótimo ficar entre os braços dele.
— Esse olhar aí já diz tudo.
— Não Eve, você ta enganada, foi só a emoção do momento, sei lá!
— Não tente se enganar, não vai ajudar em nada.
— E o que eu vou fazer?! — perguntei já quase entrando em desespero.
— Prima fica calma, você não vai fazer nada. Deixa acontecer naturalmente e se for pra ser, vai ser.
Inspirei devagar pra me acalmar.
— E tem o lado dele também, tem que ver como ele se sente.
— Eu sei como ele se sente. Aonde que um cara daqueles, lindo e um jogador famoso vai se interessar por uma garota como eu?! — apontei pra mim mesma tentando fazê-la entender o obvio.
— Lara já chega. Primeiro eu preciso ver ele, ver como se comporta quando ta com você e aí sim eu posso falar algo, e outra, só se ele for cego pra não gostar de você. Prima você é linda, tem uma beleza exótica, você atrai um monte de meninos e só você não percebe isso.
O comentário de Sophie sobre minha aparência veio a minha mente, mas eu achei melhor ficar quieta, Eve já não gosta dela e se souber disso, vai querer surrá-la. Ao invés de falar nisso, eu sorri pra ela.
— Sempre querendo bancar o cupido comigo, mas foge quando o assunto é você né dona Eve.
— Eu tô bem assim dona Lara, já falei. Agora me conta com quem o Noah vai dançar?
Noah era um carinha da escola com quem ela ficava de vez em quando.
Sempre quando o assunto era ela, Eve dava um jeito de fugir. Eu sabia que ela tinha sido muito machucada por um cara lá no Brasil, mas ela evitava falar disso e eu respeitava seu silêncio, pelo que tia Melissa tinha dito, a coisa foi feia. Minha prima quase entrou em depressão.
Ela tem esse jeito meio torto de viver, mas eu sei que é só um disfarce. Tenho quase certeza que ela chora sozinha trancada no quarto à noite.
— Eu não sei o nome das jogadoras do Bayern. — respondi sua pergunta dando de ombros.
— Se informa Lara.
— Pra que? Não vai me ajudar em nada.
— Mas do Joshua você sabia né? — senti a malícia em sua voz e rolei os olhos.
— Vai começar.
— Na verdade, eu já comecei. Eu vou fazer esse lance ir pra frente, ou não me chamo Evelyn Christina Bonucci Schmitz.
— Que lance? Deixa de ser doida Eve.
Antes de ela falar algo, um grito no andar de cima chamou a nossa atenção.
— EVELYN CHRISTNA BONUCCI SCHMITZ! — tia Melissa gritou e olhamos uma pra cara da outra.
Ela só chamava a Eve assim quando tava muito puta!
— O que você fez? — perguntei pulando do sofá e ela me acompanhou.
— Eu não fiz nada... — assenti aliviada. — Recentemente.
Encarei Eve que deu de ombros.
— EVELYN SUA FILHA DA MÃE!
Tia Melissa desceu a escada soltando fogo pelas ventas.
— Oi mamãe querida.
— Eu vou te matar Evelyn!
— Mãe eu tô doente!
As duas começaram a correr em volta do sofá, Eve na frente e tia Melissa atrás tentando pegá-la.
— Você ta doente pra ir pra escola, mas não pra aprontar! Eu vou te dar uma surra que você nunca mais vai esquecer! Vem cá sua cretina!
— Calma mãe!
Tomei a frente da minha tia raivosa impedindo-a de passar. Eve deve ter feito uma merda bem grande porque eu nunca vi a tia tão pistola assim!
— O que ela fez?
— Sai da minha frente Lara!
— Calma tia! — gritei também a soltando e ela fuzilou Eve com o olhar. — O que foi?
— Você ta fumando maconha escondido Evelyn?!
A tia mostrou o pacotinho e encarei Eve de boca aberta.
— Isso não é meu.
— E como isso foi parar no bolso da sua jaqueta sua infeliz?! — elas rodaram o sofá mais uma vez.
— Eu provei mãe, mas não gostei.
— VOCÊ FUMOU EVELYN?!
— Foi só um baseado, mas eu não gostei, o cheiro é horrível e me deixou meio grogue.
Tia Melissa grunhiu de raiva e correu atrás dela de novo. Eu só observava segurando o riso, se meu pai vir essa cena, ele me proibi de vir aqui.
— Não sei pra que esse escândalo, você já fumou também quando tinha a minha idade.
Olhei pra tia Melissa surpresa.
— E a sua mãe também.
— Que?! — perguntei ainda mais surpresa encarando Eve.
— Tia Laura também fumou maconha, pergunta pra ela pra você ver.
— Cala essa boca Eve!
Não aguentei e comecei a rir, gargalhando mesmo. Eve também riu e tia Melissa não teve alternativa a não ser rir com a gente.
— Eu não sei o que faço com você Eve! — comentou tentando controlar o riso.
— Você me ama mamãe querida! — minha prima louca abraçou e beijou a mãe que a empurrou de leve. — Mãe eu tô doente!
— Dessa vez passa, mas se eu te pegar usando maconha, ou algum outro tipo de droga, eu te enfio em um internato Eve! Ta avisada.
Olhei pra cara da louca que deu de ombros rindo. Essa não tem noção de nada mesmo.
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