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Capa do romance Um Duque Para Emma

Um Duque Para Emma

Jamie Bennet, o libertino Duque de Dorffwest, vive preso a um antigo e secreto caso com Kathrine, a mulher que o traiu. Buscando mudar de vida, ele tenta se afastar desse passado, mas seu destino muda ao conhecer Emma. Após um mal-entendido em um baile, a jovem americana e o duque fingem um noivado para evitar escândalos. Contudo, a farsa desperta sentimentos reais, desencadeando intrigas sociais e uma disputa intensa pelo coração do nobre inglês.
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Capítulo 3

Emma sentiu as mãos fortes do Duque de Dorffwest erguendo-a do chão e colocando-a sobre a montaria sem qualquer dificuldade, e montar em seguida, enquanto ela passava a perna esquerda por cima do animal. Sentiu o corpo dele atrás do seu e um ligeiro constrangimento ao se ver cercada pelos braços daquele homem que lhe parecia perigoso e muito arrogante. Tinham avançado poucos metros de onde ele a tinha encurralado e viu outros homens se aproximando, também armados, olhando para ela com certa desconfiança. Não podia ver, mas tinha certeza que a expressão do Duque colocou-os em seus devidos lugares antes que qualquer um tivesse a infeliz ideia de lhe fazer um gracejo.

Eles haviam contrariado suas ordens quando ouviram o tiro, pensando que poderia estar ferido, o homem apenas resmungou algo dispensando-os, entregando a um deles o rifle, então atiçou o cavalo e deixou o grupo para trás.

Quanto mais se aproximavam da mansão onde vivia o Duque, mais ela se questionava sobre ele, sua ideia de nobres nada tinha em comum com o homem que conduzia o cavalo com elegância, e de quem podia inclusive sentir o perfume. Por algum motivo, achava que Duques eram senhores, já com os cabelos brancos e rosto enrugado, cachimbos e bengalas também faziam jus à essa imagem e ela teve que segurar o riso, enquanto pensava se ele por acaso fazia uso de algum desses objetos.

― Vou lhe dar o tempo que precisar para que possa se recompor, senhorita Emma ― ouviu a voz firme do Duque por cima de seu ombro direito, e se pudesse medir a temperatura do tom, pensou que definitivamente seria quente, como chocolate quente fumegando no ar frio enchendo de aroma delicioso.

― Não é minha intenção tomar mais do seu tempo, milorde, creio que não há necessidade de me recompor ― ela disse, notando que ele se aproximava da porta principal da casa, que de perto lhe parecia ainda maior.

Ele desceu do cavalo, e a ajudou tomando-a nos braços novamente, e um meio sorriso maroto passou pelos seus lábios rapidamente, ele falou baixo para que somente ela ouvisse:

― Não é adequado, que tenhamos essa conversa agora ― os olhos dele, azuis e profundos pareciam faiscar ― suas roupas estão rasgadas, senhorita Emma, e eu temo ser compelido por seus lábios rosados e essa delicada renda que está quase cedendo sobre sua pele perfumada ― ela não conteve o impulso de levantar o queixo, ultrajada com tal atrevimento, ele apenas sorriu e continuou ― Seria difícil controlar certos impulsos se é que a senhorita me entende.

― Milorde pode ter certeza que não tenho a menor intenção em tentá-lo, estou aqui para responder porque aparentemente infringi alguma lei ― ela tentou parecer calma, e ele apenas deu os ombros enquanto sinalizava para uma criada que se aproximasse.

― Deixarei a senhorita Emma aos seus cuidados, quando ela estiver pronta, leve-a para mim ― disse ele despreocupado com a expressão contrariada da jovem quando ouviu “para mim”.

A criada levou Emma para um aposento no primeiro andar da mansão, providenciou para ela uma camisa branca, e um casaco de veludo azul, muito bonito, que lhe caiu perfeitamente. Olhou para suas roupas antes de entregá-la a criada, e compreendeu que de fato não poderia estar na presença de um cavalheiro naqueles trajes, a camisa estava com um rasgo realmente grande, e a capa, arruinada, parecia mais a vestimenta de um maltrapilho. Ajeitou o cabelo, mas o manteve solto, então olhou-se no espelho admitindo que agora parecia estar apresentável para a conversa com o Duque.

― Ficou muito bonito em você ― ela ouviu uma voz feminina, e então notou a presença de uma garota, espiando da porta. Era muito bonita, os cabelos loiros ondulados, olhos castanhos esverdeados e um sorriso inocente, tinham a mesma estatura então Emma achou que as roupas deveriam ser dela.

― São suas roupas...

― Não se incomode, por favor ― ela disse, entrando no cômodo ― não é nada demais, não podíamos deixá-la com as roupas naquele estado. Você é o invasor?

― Invasor?― Emma perguntou, confusa ― eu acho que não, a propósito, meu nome é Emma.

― Eu sou Lyanna ― menina sorriu e se aproximou de Emma ― vi você chegando com o Jamie, e ele saiu mais cedo para ver se encontrava o invasor, a pessoa que tem entrado em nossas terras.

― Jamie... você se refere ao Duque? ― perguntou Emma, pensando que ainda não sabia o nome dele, e que Jamie de fato combinava com ele, todo Jamie que conheceu tinha o temperamento terrível, e eram indiscutivelmente bonitos.

― Sim, o Duque ― Lyanna falou achando graça, pois ela mesma raramente referia-se ao irmão pelo título, para ela era somente Jamie ― sou irmã dele.

― Bem, parece que seu irmão, o Duque, está esperando que eu vá encontrá-lo. Saberia me dizer onde ele está? ― Emma esperava que aquela conversa fosse breve, e não imaginava se ele teria ou não autoridade para lhe aplicar alguma punição, e pensava sobre como chegar a um acordo enquanto seguia com Lyanna para o escritório, onde ele devia estar.

A garota entrou primeiro depois de duas leves batidinhas na porta, Emma pode ver a maneira carinhosa como ele olhou para ela, não parecia nada com o homem que a havia caçado como se fosse um lobo na floresta. Lyanna trocou mais algumas palavras com o irmão e saiu em seguida, fechando a porta. Ele estava atrás da mesa, o que ela pensou ser um ótimo sinal depois das últimas palavras que trocaram, e bebia uma taça de vinho, e ela achava que era cedo para isso. Passou a mão pelos cabelos escuros enquanto provavelmente pensava em alguma maneira de irritá-la mais do que o silêncio.

― Senhorita Emma... ― ele estreitou os olhos, tentando lembrar se ela havia lhe dito o sobrenome.

― Emma Beatrice Lowell.

― A senhorita é americana...

― Tão americana quanto o seu rifle, Alteza ― ela disse, fazendo-o rir.

― Não teria conhecido meu rifle se ficasse longe de minhas terras, meus empregados estavam começando a oferecer sacrifícios porque achavam que era uma assombração. E parte deles, que juravam que era real logo sairiam em bando e isso sim seria um grande problema ― ele olhava sério para Emma, que estava atenta às suas palavras.

― Na verdade, eu estava na propriedade dos Smith ― ela começou a explicar ― os conheço desde criança, e sempre fui convidada a passeios pela propriedade. Mesmo na ausência de Alex e sua irmã Claire, tenho feito passeios regularmente.

― Eu acho que esqueceram de avisar a senhorita que ao norte da propriedade as terras agora me pertencem ― Jamie pensou que era o tipo de coisa que os já nem tão prósperos Smith fariam.

― Não me lembro de ter vindo com Claire nessa direção, como estava sozinha quis explorar, é uma região muito bonita. Se soubesse que correria o risco de levar um tiro, não teria escolhido esse caminho ― ela disse, provocando Jamie que sorriu de canto.

― Minha intenção era assustar um saqueador ou ladrão que estivesse rondando a propriedade, nem nos meus melhores sonhos eu poderia considerar que o famoso e temido invasor fosse uma jovenzinha petulante de língua afiada ― ele disse, levantando-se e encostando-se na mesa próximo a Emma ― e esteja certa, senhorita Lowell, se eu tivesse a intenção de acertar o tiro, não estaríamos conversando agora.

― O senhor deve atirar muito bem, milorde ― ela também levantou-se, para encará-lo ― pois tive a impressão que foi por pouco.

― Ainda assim, acho que concorda que sua aventura nos proporcionou momentos bem interessantes ― ela percebeu tarde demais que ele a havia cercado contra a mesa ― mas devo dizer que a senhorita não cumpriu sua palavra. Eu continuo tentado por esses lábios rosados.

Emma não sabia porque não resistia. Permitiu que ele a beijasse, escandalizada com a maneira feroz como ele a ergueu do chão e colocou-a sobre a mesa. Ele lhe tirou o fôlego enquanto tornava o beijo mais intenso e impróprio. Tinha ainda o pouco juízo que lhe restava, aquele homem poderia fazer com ela o que bem entendesse ali, ninguém ira interromper, e ela duvidava de si mesma porque não tinha certeza se conseguiria ignorar como estava apreciando as mãos dele apertando-a contra seu corpo másculo e sem dúvida nenhuma excitado.

― Isso foi... ― Jamie parecia ter sido pego de surpresa.

― Foi... intenso ― Emma nem sequer se mexeu, não sabia o que estava fazendo, mas tinha certeza de que não queria que ele a soltasse.

― Acredito que eu deveria providenciar uma carruagem para levá-la para casa em segurança, e convidá-la para um passeio a cavalo, Dorffwest Rise é imensa, seria o mínimo depois dos incidentes de hoje...

― Eu agradeço, milorde...

― Eu só espero que não esteja com pressa ― ele roçou os lábios nos dela.

― Pressa nenhuma.

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