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Capa do romance Um divórcio que ele lamenta

Um divórcio que ele lamenta

O parto de Raina virou um pesadelo quando Alexander pediu o divórcio e tomou a guarda de Liam. Anos após fugir com a pequena Ava, ela ressurge poderosa e rica, longe da mulher frágil do passado. Contudo, a doença grave de Liam força um reencontro. Desesperado, Alexander implora por perdão e ajuda. Raina deve decidir se cura feridas antigas para salvar o filho que lhe foi tirado ou se protege a nova vida que construiu com tanto esforço.
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Capítulo 2

Alexander

A exaustão me consumia, corroendo cada fragmento de mim como fogo lento.

Cinco anos de agonia, intermináveis e pesados, me perseguiam como sombras insistentes. Não importava o quanto eu trabalhasse, ou quantas distrações buscasse, o tormento continuava a me engolir.

Os papéis do divórcio estavam assinados e arquivados, encerrando a última vez que a vi, mas sua ausência continuava a arder em mim como uma ferida aberta, pulsante e indomável.

Porém, eu não sentia falta dela, pelo menos não como um homem sente falta de sua mulher. Porra, eu nem a amava mais. O que eu queria — ou melhor, precisava — era saber que ela estava por aí, criando nossa filha sozinha, sofrendo, sem um centavo. Essa seria minha única satisfação em meio ao caos. Mas, em vez disso, só havia silêncio. Um silêncio que me enlouquecia.

Nesse momento, meu celular tocou, arrancando-me dos meus pensamentos sombrios.

Era Silas, o investigador particular que eu havia contratado há anos, e a quem já tinha despejado uma fortuna. Nos últimos três anos, ele prometia respostas, mas tudo que eu recebia eram portas fechadas.

Atendi, já esperando o pior, mas ainda assim me preparei para o impacto. "Diga que você encontrou algo."

Houve uma pausa, uma hesitação que dizia tudo. Droga.

"Nada. Sinto muito... É estranho, Alex… é quase como se ela tivesse desaparecido da face da Terra."

Engoli em seco, tentando conter a frustração que subia pela garganta. "Então talvez você não se importe de se juntar a ela."

Eu sabia que estava passando dos limites, dominado pelo desespero.

Silas suspirou, cansado, mas acostumado aos meus surtos. "Sinto muito, Alex. Revirei cada pista. Ela simplesmente desapareceu. Nenhum rastro dela ou da criança. É como se..."

Frustrado, eu o interrompi enquanto batia com o punho na mesa, mas a dor aguda que explodiu na minha mão foi mínima diante da fúria que me consumia. "Como se tivesse evaporado?! Se você mencionar essa besteira mais uma vez, eu juro que…"

"Alex, eu verifiquei todos os registros. Ela apagou os rastros meticulosamente. Talvez tenha tido ajuda. Continuarei investigando, mas talvez você deva considerar outras opções, como engravidar outra mulher."

"Não!", cortei com o maxilar travado. Em seguida, fechei os olhos e apertei o celular como se pudesse esmagá-lo, respirando fundo para não explodir.

"Não sabia que você era tão incompetente. Quão difícil pode ser encontrar uma mulher com uma criança? Tem que haver alguma coisa! Encontre-a! Eu não te pago para me dizer o que fazer, caralho! Faça o seu trabalho! Não importa o que seja preciso, apenas encontre ela!"

Após dizer isso, encerrei a ligação e a raiva transbordou, ocupando o espaço onde meu coração deveria estar.

Como era possível que, em cinco anos, eu não tivesse encontrado nenhum vestígio dela? Parecia que ela tinha se apagado do mapa, e eu odiava que tivesse tido a última palavra. Enquanto isso, eu permanecia aprisionado em uma dor constante no peito, com um filho à beira da morte, e sem nenhum sinal da única pessoa que poderia ajudá-lo.

Não deveria ser assim. Ela deveria estar por aí, sofrendo — Deus sabe que ela merecia. E eu? Eu merecia o prazer cruel de assistir a tudo, de vê-la pagar pelo que fez com nossa família. Eu odiava que o controle estivesse novamente nas mãos dela.

Liam precisava de um irmão, um doador. E apenas ela podia fornecer isso. Cerrei os punhos. Eu não queria gerar outro filho apenas para salvar o primeiro. Como eu olharia para essa criança? Como lhe diria que ele existia apenas por uma razão utilitária?

Porra!

Fui direto para o hospital, onde o cheiro de antisséptico, familiar e nauseante, impregnava o ar e me revirava o estômago. Essa era minha rotina há três anos.

Ao me aproximar do quarto de Liam, ouvi vozes elevadas. Minha mãe e Eliza, minha noiva, discutindo novamente.

"Não vou desperdiçar meus dias cuidando de uma criança em coma, Vivian! Eu não sou a mãe dele! Já disse isso centenas de vezes! Se você quer que eu assuma esse papel, então diga ao seu filho que ele deve se casar logo!"

A voz estridente de Eliza me irritou imediatamente. Eu estava cansado de ouvi-la.

Minha mãe, sempre tão firme, respondeu sem perder a compostura: "Você sabia no que estava se metendo ao aceitar esse noivado! A forma como trata Liam agora mostra como agirá quando..."

Ignorei a discussão e passei por elas com o maxilar tenso, sem o menor humor para isso.

"Você não pode continuar ignorando isso, Alex! Estamos noivos há três anos! Acha mesmo que esperar que Liam se recupere vai mudar alguma coisa?", Eliza gritou atrás de mim ao me ver passar.

Parei e me virei, a encarando. Meus olhos se cravaram nos dela com intensidade, e minha postura silenciosa falou mais do que palavras. Ela pareceu compreender a mensagem, e o desafio em sua expressão cedeu lugar a um apelo.

"Alex, por favor..."

"Alexander, para você", eu a cortei com voz gélida. Apenas pessoas importantes para mim tinham o direito de me chamar assim. Para ela, soava apenas como uma imitação forçada da intimidade que eu tive com a única mulher que ousou me chamar assim, uma intimidade que terminou em mentira.

"Você sabe que está usando Liam como desculpa para evitar o casamento", ela disse após se acalmar um pouco.

"Cuidado com o que diz. Se é assim que se sente, talvez seja hora de ir embora. Você não é obrigada a ficar", eu respondi friamente.

A verdade era que eu não a amava, nunca amei. Eliza era conveniente: bonita, rica por mérito próprio, disposta a assumir o papel de noiva devotada. Mas amor? Isso não fazia parte da equação.

Eliza bufou, cruzando os braços sobre o peito em um gesto de autoconforto. "Não vou a lugar nenhum, Alexander, mas você não pode continuar fugindo dessa situação."

Eu não respondi, pois era inútil. Isso não era uma fuga, o casamento simplesmente não era importante para mim. Liam era tudo o que importava.

Ignorando as duas mulheres, entrei no quarto, onde o médico estava ao lado da cama de Liam. Meu filho parecia minúsculo, frágil, cada fio de vida preso às máquinas que apitavam incessantemente, e ver isso me dilacerava por dentro.

"Como ele está?", perguntei, sabendo a resposta, mas precisando ouvir.

O médico suspirou, folheando o prontuário enquanto respondia: "A condição dele piorou, senhor Sullivan. Precisamos considerar os próximos passos. Sem um doador compatível, o prognóstico não é favorável."

Cerrei os punhos, tentando manter a compostura. "E quanto à opção de um doador fetal?"

"Ainda é a melhor chance que temos sem a presença da mãe dele. Ela poderia ter sido a salvação dele. Se decidir seguir com essa opção, podemos iniciar os preparativos."

Olhei para o rosto pálido de Liam, para os apitos constantes das máquinas, e meu peito se apertou. Trazer outra criança ao mundo apenas por isso parecia absurdo, mas se significasse salvar Liam — considerando que não conseguia encontrar aquela mulher — então que assim fosse.

Com a decisão tomada, acenei com a cabeça. "Vamos em frente."

Ao sair do quarto, minha determinação se solidificou.

Parei diante da minha mãe e de Eliza e, com expressão impassível, anunciei: "Podem dar continuidade aos preparativos do casamento. Estou pronto."

Eliza teria o que tanto desejava: o casamento e um filho. Mas eu só estava fazendo isso por Liam. Eu faria o que fosse necessário para salvar meu filho, mesmo que isso significasse unir minha vida a uma mulher que eu jamais amei de verdade.

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