
Um contrato para o amor
Capítulo 2
Não acredito que meu avô fez isso comigo. Ele sabia como adoro minha vida de solteiro, sabia que não acredito no amor. Sei que ele queria cuidar de mim, mas isso já é demais! Pergunto ao Dr. Miller se não há outra alternativa, e ele balança a cabeça em negação.
Ele continua falando: — Caso você aceite a cláusula, você irá assumir e administrar os bens, enquanto isso, ficarei sendo seu inventariante. — É obrigatório também que quando vocês dois se casem, durmam no mesmo quarto e saiam juntos para alguns eventos. — Não fique assim, James. Seu avô só queria o seu bem, não queria que você fosse um solteirão solitário. — meu amigo Lucas caçoa de mim.
Infelizmente, tenho que concordar com essa cláusula louca desse testamento. Não posso abdicar da minha fortuna, então assinto com a cabeça, e o Dr. Miller me pede para assinar. Eu assino, meu amigo Lucas assina, e a minha empregada também assina como testemunha. Terminamos de acertar alguns detalhes, e me despeço do meu advogado. Peço para o Lucas ir comigo até a sala.
Ainda estou tentando processar tudo que está acontecendo. Meu amigo só me olha com ar de preocupação, mas não fala nada. Chego na sala principal, vou direto para o bar, pego uma dose de uísque e tomo de uma só vez. Lucas continua me observando.
— Fala alguma coisa, irmão. Estou aqui já ficando louco. Não sei nem por onde começar para arrumar uma noiva. Nem namorando estou, e aquelas mulheres que eu curto à noite, eu não quero nenhuma. — Calma, James. Como eu disse a você, estou com você para o que der e vier. Arrumaremos uma solução, não se preocupe. Desde que saímos do escritório, estou pensando no que a gente pode fazer, e tive uma ideia. Não sei se você vai gostar.
Olho para a cara do Lucas e fico esperando ele falar para saber qual a ideia que ele teve, porque eu ainda não sei o que fazer. — Olha, irmão, sei que você tem pavor de casamento e que você não acredita no amor. Então, do jeito tradicional, não rolará. Sei que se você arrumar alguma mulher, ela pode ficar interessada somente no dinheiro que você tem e pode querer te dar algum golpe. Então eu estava aqui pensando: que tal você fazer um contrato?
Olho para a cara do Lucas incrédulo. Mas como assim um contrato? Já não basta o testamento e aquela cláusula maldita que mudará toda minha vida e meus planos, agora um contrato?
Lucas sorri e começa a me explicar: — Mano, você procura uma mulher com quem você não tenha tido contato e faz uma proposta para ela. Você não tem nada a perder. Oferece um bom salário mensal para que ela se torne sua esposa. Explica para ela que não precisa ter contato íntimo algum com você, que ela precisa apenas fingir na frente dos outros, e que após 3 anos e meio, já que você precisa ficar casado por no mínimo três anos, ela e você estarão liberados do compromisso.
Olhei para Lucas pensando: nossa cara, você é um gênio. Mas ainda temos muito o que deliberar, pois não tenho ideia de onde encontrar essa mulher. Mas Lucas, como sempre, já pensou em tudo e me propõe procurarmos pela tal mulher na faculdade em que estudamos, pois lá podemos encontrar a esposa perfeita para mim.
Ainda não acredito muito que essa ideia dará certo, mas não custa tentar. Tenho muito pouco tempo para encontrar essa mulher que passará tanto tempo comigo. Não entendo por que meu avô me deixou tão pouco tempo para decidir algo tão importante para minha vida. Ele sabia que eu não estava namorando, então como poderia noivar e me casar tão rápido assim? Mas sei que ele acreditava no acaso. Então vou para faculdade e lá encontro Lucas, e começamos a caçada.
Começamos a procurar na faculdade pela mulher que seria minha futura esposa. Na minha sala de aula, não vejo ninguém que se encaixe no perfil desejado. Todas parecem ser patricinhas fúteis que provavelmente tentariam me dar um golpe. Fico desmotivado, mas Lucas está animado, como se estivesse se divertindo com a situação. Ele me incentiva a continuar procurando por toda a faculdade, indo de sala em sala e analisando as meninas.
Passamos duas semanas inteiras procurando e analisando as garotas, mas não encontro nenhuma que me interesse. Na verdade, nem eu mesmo sei exatamente o que estou procurando. Pensei que saberia quando encontrasse. Lucas lembra de uma jovem em sua sala de aula que estuda finanças com ele. Ela está prestes a terminar a faculdade, no último período. Ele conta que ela ganhou uma bolsa integral para estudar na nossa faculdade devido ao seu bom desempenho no colégio. Vem de uma família humilde e trabalha duro. Já recebeu várias propostas duvidosas, mas nunca aceitou se envolver em coisas erradas. Ela estuda à noite e trabalha durante o dia em uma cafeteria em Miami Beach.
Estou cansado de procurar e começo a achar que talvez não consiga encontrar a mulher que me agrade. Mas decido conhecer essa garota, que é uma das minhas últimas esperanças. Encontro várias garotas que aceitariam facilmente minha proposta, mas prefiro paz, já que terei que aguentar essa garota por três anos e meio da minha vida. Preciso escolher com cautela.
Lucas me mostra a garota e a observo de longe durante toda a noite na faculdade. Percebo que ela não dá atenção aos outros rapazes. Durante o intervalo, ela se senta em um canto afastado com um livro, lendo enquanto come. É realmente uma garota interessante e bem diferente das patricinhas que estudam aqui.
No dia seguinte, acordo, tomo banho e decido ir à cafeteria onde ela trabalha. Vou com Lucas, já que ele faz parte dessa busca. Chegamos à cafeteria, vejo-a atendendo algumas mesas e me sento em uma delas, esperando ser atendido. Ela se aproxima e fico parado, sem saber o que dizer. Lucas quebra o gelo e faz o pedido para nós dois. Ela nem nos olha direito, anota o pedido e vai embora. Olho para Lucas, pensando em como abordá-la.
— Cara, sinceramente, estou pensando aqui como abordá-la. Não tenho nem ideia por onde começar. Se eu chegar e dizer que quero casar com ela e fazer um contrato, ela vai pensar que estou ficando louco ou vai me dar um tapa na cara e sair correndo assustada.
— Calma, mano, vamos pensar em um jeito. Mas primeiro você precisa ter certeza de que é ela mesmo que você quer. Decidir o alvo tornará mais fácil encontrar a forma de abordagem.
Lucas parece ter tudo resolvido, mas ainda não estou seguro. Ela retorna com nosso pedido, coloca na mesa e pergunta se desejamos algo mais. Decido então falar com ela.
— Oi, tudo bem? Acho que te conheço de algum lugar!
Ela me olha, arqueando uma sobrancelha, como se estivesse tentando lembrar. Lucas interrompe.
— É verdade, James. Ela estuda na nossa faculdade.
A garota olha para mim novamente, pede desculpas e diz que não se lembra de mim. Olha para Lucas e diz que tem uma vaga lembrança dele, já que estudam na mesma sala. Ela sorri timidamente, pede desculpas novamente e explica que não pode ficar conversando, pois tem muito trabalho a fazer. Respondo que está tudo bem e que ela pode ir. Eu e Lucas comemos, pagamos a conta e deixamos uma boa gorjeta para ela. Depois, voltamos para casa.
O Lucas me conhece muito bem e já sabe que fiquei bastante interessado nessa garota. Ele me olha com um sorriso meio cínico.
— E aí, mano! Encontrou a mulher dos seus sonhos?
— Para aí, cara. Você sabe que é apenas uma questão de negócios, nada mais. — respondo com seriedade.
— Não me diga que você não percebeu como ela é uma tremenda gata, mesmo por baixo daqueles trajes.
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