
Um Clichê Perfeito - Especial Mês das mães
Capítulo 3
Vanessa sorriu e inclinou a cabeça para elas.
— Esta é Camille — comunicou Célia em inglês, indicando a mais nova das ajudantes. — Ela será sua criada particular durante sua estada.
Durante sua estada? Será que já estavam antecipando sua volta para os Estados Unidos?
— Muito prazer, Camille — sussurrou Vanessa sorrindo e oferecendo a mão.
Um pouco nervosa, a jovem estendeu a mão também baixando os olhos e murmurando com um forte sotaque:
— Senhora.
O mordomo, George, usava fraque e colarinho alto. Era magro como um caniço, vergado, e parecia ter quase cem anos... se é que já não tinha. Possuía dois subordinados trajados da mesma maneira, ambos jovens e com ar esperto, e os demais empregados eram um cozinheiro e uma confeiteira vestidos de branco, e tão gordinhos que deviam apreciar bastante os quitutes que faziam.
Marcus se voltou para George e apontou para a bagagem trazida pelo motorista. Em silêncio os dois ajudantes correram para pegá-la.
Uma senhora de meia-idade e elegante se adiantou e se apresentou como Tabitha, secretária particular do rei.
— Se precisar de alguma coisa, não faça cerimônia — esclareceu a Vanessa em um inglês perfeito, mas com um ar neutro. Apontou para a moça ao seu lado que usava um uniforme parecido com a das criadas. — Esta é Karin, a babá. Ela tomará conta de sua filha.
Vanessa não gostou muito da ideia de uma estranha cuidando de Mia, todavia tinha certeza de que Gabriel jamais escolheria alguém que não fosse de total confiança.
— Muito prazer em conhecê-la — murmurou para Karin.
— Senhora. — A garota inclinou a cabeça com educação.
— Por favor, me chame de Vanessa. Nunca fui adepta de formalidades. Todos podem me chamar pelo meu nome.
Não houve reação por parte da equipe. Nem um sorriso. Seriam sempre tão distantes ou apenas não simpatizavam com ela? Teriam decidido, como Marcus fizera, que não era digna de confiança?
Isso iria tornar o ambiente ruim, e Vanessa precisaria se esforçar para provar o contrário a seu respeito.
Marcus a fitou, dizendo:
— Vou levá-la aos seus aposentos.
Sem esperar resposta subiu a escadaria da esquerda e tão depressa que Vanessa precisou correr para acompanhá-lo.
Ao contrário do saguão onde a cor predominante era o bege, o segundo andar ostentava tons quentes de vermelho, laranja e púrpura, que não agradavam Vanessa, o resultado porém, era elegante sem ser espalhafatoso.
Marcus a conduziu por um vestíbulo acarpetado, e Vanessa brincou com certa ironia:
— Os empregados são sempre tão alegres e sorridentes?
— Além de servi-la terão de rir o tempo todo? — retrucou ele com azedume.
Sim, ainda mais com uma visitante de quem não gostavam, refletiu Vanessa.
Ao final de um corredor viraram à direita e ele abriu a primeira porta. Gabriel revelara à Vanessa que ficaria hospedada na maior suíte de hóspedes, mas ela não imaginara que seria tão grande. A suíte presidencial do hotel onde trabalhava parecia insignificante diante dessa.
Era tudo muito espaçoso com o teto alto e janelas enormes. A cor principal ali era o amarelo.
Havia uma saleta acolhedora junto a uma lareira. Também uma alcova que servia de sala de jantar, além de uma escrivaninha ladeada por estantes repletas de livros encadernados.
— É lindo! — exclamou ela. — Adoro amarelo.
— O dormitório fica ali — informou Marcus indicando a porta ao final da suíte.
Ela cruzou o carpete fofo e abriu a porta do quarto. Havia ali uma cama luxuosa com colunas, outra lareira e um aparelho de televisão com tela plana. Entretanto, Vanessa não viu o berço que Gabriel prometera.
Continuava carregando a filha adormecida, e o peso começava a cansá-la, então arriou Mia com cuidado no centro da cama e colocou uma série de almofadas em volta no caso de a criança acordar. Antes de voltar para a sala deu uma olhada no closet imenso onde viu suas malas. O banheiro também possuía todo o conforto moderno.
Foi encontrar Marcus à porta, os braços cruzados sobre o peito e com ar impaciente.
— Não há um berço para Mia — anunciou ela. — Gabriel me assegurou que colocaria um ao lado de minha cama.
— O quarto de bebê fica no final do corredor — informou ele meio chateado.
— Então espero que haja também uma babá eletrônica. Como poderei ouvi-la se acordar no meio da noite? — Embora Mia costumasse dormir bem, Vanessa ainda trocava sua fralda de madrugada.
Marcus pareceu confuso.
— Isso é trabalho para a babá — resmungou.
Para Vanessa a babá serviria apenas para olhar a menina de vez em quando, não em tempo integral. Já passava tantas horas longe de Mia, e essa viagem seria também para aproximá-la da menina.
— O quarto da babá é anexo ao da criança — explicou Marcus cada vez mais aborrecido.
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