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Capa do romance UM CEO PARA APRENDER A AMAR

UM CEO PARA APRENDER A AMAR

Carolina Bulquerque vive para o orfanato Luz do Dia até cruzar o caminho de Josef Clark, um bilionário egocêntrico. Atraído pela simplicidade dela, o empresário frio traça um plano obsessivo para conquistá-la. Enquanto Clark lida com seu próprio egoismo, Carolina enfrenta cicatrizes profundas e traumas invisíveis que marcam sua alma. Poderá o amor transformar a rudeza dele e curar as dores dela? Uma jornada intensa de emoções e grandes reviravoltas.
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Capítulo 1

CAROLINA

Está escuro e fresco... Minha cabeça está doendo mais do que quando apanhei um resfriado. Meus olhos ardem por pernoitar chorando. Parecia que essa dor nunca acabaria...

Acordo abrindo lentamente os olhos e tento me acostumar com a clareza do sol. Estico minha mão, até alcançar a cômoda e tiro meu celular. Checo se tem alguma mensagem e zero. Depois de um longo suspiro, me levanto, sento na cama e sinto o chão gelar meus pés... rapidamente calço minhas pantufas. Caminho, quase cambaleando, até o banheiro do meu quarto pequeno, onde tudo é próximo. A cama fica próxima do closet, o closet fica próximo do espelho, a cabeceira é próxima à porta... Enfim, meu quarto é minúsculo.

Quando me mudei para Nova York, eu pensei alugar um apartamento conjunto com minha amiga Alice, mas ela casou e teve um filho, então tive que optar num espaço pequeno onde cabe no máximo uma pessoa e eu consiga pagar as despesas.

Despejo água que caia na torneira no rosto e vejo meu rosto úmido no espelho. Meus olhos estão inchados e com uma olheiras profundas e escuras. Os óculos me fazem ficar pálida e estranha. Faço duas tranças no meu cabelo cacheado que caia sobre os ombros.

Ultimamente não tenho tempo para cuidar de mim porque fico o tempo todo no orfanato cuidando da contabilidade, dando aulas, procurando pessoas solidárias, patrocinadores. Só tenho tempo a noite quando trabalho num bar noturno. Trabalho na área da contabilidade e o salário é ótimo!

Infelizmente mais uma vez não consegui dormir. Novamente tive sonhos que até hoje não consigo decifrar de certo o que aconteceu.

Abraço meu corpo ao sentir calafrios.

Eu sei que devia ir a um psicólogo porque são imagens que parecem reais, mas não consigo lembrar quando isso aconteceu.

Sem mais demora, tomo um duche com a touca no cabelo. Amarro a toalha em volta do meu corpo e saio do banheiro.

Reparo em minha cama pequena de solteiro, ligeiramente desarrumada e bufo. Pego um pente da penteadeira e escovo meus fios. Quando termino faço o de sempre-um coque.

Meu telefone vibra e atendo. É Molly!

- Como você está amiga?

- Bem... Estou vestindo. Você me pega aqui em casa?

- Claro! Espera por mim. Tenho uma grande novidade!

- Então diga... por favor.

- NÃO! ESPERA AÍ!! - Afasto meu celular da orelha, minha Amiga é muito amorosa, mas também perde rápido a paciência.

- Mais tarde digo. Beijos! - ela encerra a chamada e solto uma lufada.

Como quase sempre, visto uma saia que cai até os pés e uma blusa branca de mangas compridas. Adoro o branco porque realça muito o meu tom de pele e porque tem o significado de algo que há muito tempo procuro-Paz.

Como uma maçã antes de sair de casa e saio para esperar Alice na escada. Vejo várias pessoas passando pelas ruas apressados. Cada um tem uma história para contar. Uma mais triste, mais cortante e aterrorizante que a outra. Todos temos segredos mais profundos e obscuros... Não há ninguém que viva nesse mundo, e nunca tenha sofrido...

- Ei sua louca! Tá pensando o quê?! - Alice pergunta enquanto aperta na buzina do carro, provocando maus olhares devido ao barulho irritante.

Sorrio e abro a porta de passageiro. Sento e coloco o sinto - eu me perguntei por que alguém em Nova York compraria um carro. - falo virando o rosto para fitá-la - A resposta é que não existe resposta, mas agradeço porque você é um anjo!

Ela ri - Você é muito engraçada minha amiga.

Dá arranque no carro e volte meia já estamos na estrada - o que queria me contar? - pergunto curiosa.

- Eu consegui uma empresa que fabrica peças de carros,vende joias, ou seja, o dono trabalha em vários ramos do mercado e está disponível a fazer uma doação em massa para o orfanato! - fala alegre batendo no volante. - não é bom?!

Sorrio largo - ótimo!

- Mas... - sempre tem um mas! - eu não sei o porquê, mas o dono e CEO da empresa tem uma condição...

- O quê?! - me endireito no banco para olhar com mais atenção nela. Eu aceito tudo! Nem que for para vender minha alma! Aquelas crianças não têm ninguém e tudo que quero é lutar para terem um futuro grandioso

Molly é minha grande amiga e não há ninguém que confio mais nesse mundo. Nós nos conhecemos na Universidade e desde lá continuamos amigas até hoje. Ela estudou artes e eu contabilidade. A diferença entre nós é que ela é mais extrovertida e casual. Já eu sou mais fechada e solitária.

Ela abaixa um pouco a janela do seu carro fazendo um vento refrescante bagunça seus fios loiros e claros. Me fita por uns segundos com seus olhos peculiares de cor verde - Ele quer que você trabalhe com ele... Que você seja a assistente dele!

- Como assim?! - pergunto confusa.

- Isso que você ouviu! - fico em silêncio sem entender por que esse homem colocou uma condição dessas...

- Amiga, eu até fiquei com medo... Mas se você não quiser eu digo para ele.

- Imagina, eu faria tudo para o orfanato… nem que for vender minha vida de merda!

- Não diga isso! - ela toca minha mão fixando sua visão na estrada - você sabe que amo muito você! E essa sua vida de merda me importa! Também me pertence!

Molly sempre me encoraja e tenta me colocar por cima. Mas a verdade é que eu jamais vou ser feliz e por isso vivo pelo orfanato. Eu não entendo por quê, mas sinto-me muito só, e existe um vácuo dentro de mim que eu não entendo o motivo. Por vezes sinto vergonha do meu corpo-que para os olhos de muitos é esbelto. Sou magrela e pareço ser linda, mas mesmo assim eu me sinto um nojo. Eu sinto medo dos olhares dos homens...

Não é depressão, eu sei que não é. Mas existe uma energia negativa dentro de mim, uma sensação ruim de que me roubaram minha inocência enquanto eu dormia... Enquanto eu não sabia nem o que significa amor. Mas não lembro de nada... Só penso!

Tenho 24 anos e não consigo ver meu mundo sem o orfanato. Eu nunca tive um namorado. Primeiro porque sempre senti medo de me relacionar com um homem e sempre os afastava de mim porque sentia dor ao ser tocada pelo sexo oposto. Até cheguei a pensar que sou lésbica, mas a verdade é que não sou! Tentei beijar uma mulher, mas me enjoou. Segundo, porque minha mãe sempre foi muito controladora e não me deixava namorar. E terceiro, devido aos sonhos, sempre que fechava os olhos enquanto beijava um garoto, eu sentia mãos fortes no meu pescoço me sufocando enquanto tirava de mim minha inocência... Eu nunca vi o rosto desse homem... Talvez seja só uma paranoia minha ou o trauma de um filme quando vi enquanto criança.

- Estás entregue! - minha amiga fala sorridente. Meu Deus! Me perdi nos pensamentos e nem reparei a trajetória.

Enquanto tiro o cinto, vejo que minhas mãos estão trêmulas e minha respiração mais ofegante. Fecho os olhos por alguns segundos e conto até 10 em contagem regressiva. 9… 8,7,6,5,4,3,2… 1.

- Nos vemos! - falo sorrindo para minha amiga e abraço forte seu corpo.

- Mais tarde tem jantar lá em casa com a família chata do meu anaconda. Você vem?

Rio por ela usar esse nome "Anaconda" para falar do seu marido

- Se eu terminar o turno no bar mais cedo, então eu vou. - beijo sua bochecha e saio do carro.

Quando coloco os pés no chão, sinto que estou a ser observada por alguém... Olho para os dois lados como uma louca e entro no orfanato em passos largos como se estivesse fugindo de algo ou alguém.

- Tia Carol!!! - olho para Bel que vinha correndo de braços abertos e me agacho para receber seu abraço - eu senti saudades. - me abraça forte e beijo seu cabelo liso e preto como a noite.

- Eu senti saudades desse abraço que me cura de muita angústia. - Digo apertando mais forte seu corpinho pequeno.

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