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Um casamento arranjado

Para evitar a falência da família, Carolina Navarro é forçada pelo pai a um matrimônio com Máximo Castillo. Marcado por um acidente aéreo que destruiu seu corpo e o tornou amargo, o bilionário exige uma esposa para garantir seu herdeiro. Entre a conveniência e a dor, resta saber se o amor nascerá de almas tão feridas. A obra ainda explora as trajetórias de Osvaldo e Santiago, culminando no legado de uma segunda geração repleta de novos dramas e emoções.
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Capítulo 2

— Como são pontuais! — Ela falou e foi abrir a porta. Dolores entregou a ela uma bandeja com um prato de Cochinita Pibil e umas tortilhas.

— Obrigada! — Carolina adorava aquilo.

Ela comeu e viu que na bandeja havia um recado. Ela o abriu.

“Dentro do guarda-roupa, há uma caixa. Vista-se com o que tem dentro. Quando o relógio soar oito horas, vá para o meu quarto, entre, coloque a venda e espere por mim na cama.” Era um recado de Máximo.

Carolina passou os dedos pela caligrafia dele. Era elegante. Ela levantou-se e foi procurar pela caixa.

Quando o relógio soou às oito da noite, Carolina abriu a porta do próprio quarto e olhou em volta. Ela trajava um robe negro, mas por baixo, uma camisola de seda, negra também, muito bonita. Ao ver que não havia ninguém ali, ela correu para o quarto no fim do corredor e entrou.

Carolina esperava que a camisola de núpcias dela seria branca. Nadia, sua madrasta, havia colocado uma muito elegante nas coisas dela. Não, não por bondade ou carinho, mas como um deboche por Carolina estar se casando com aquele homem. Mas, pelo menos, ela não podia dizer que a roupa escolhida pelo marido dela era feia. Pelo contrário, além de bonita, elegante.

O quarto estava completamente escuro. Ela tateou pelo interruptor na parede, mas não o encontrou. Ela não conseguia ver nada! Com as mãos na frente do corpo, ela foi andando para a frente. Ele disse para ela esperar na cama.

Ela esperou e, finalmente, ela ouviu movimento do lado de fora. O corredor estava escuro e ela não conseguia ver o marido.

“Ele não quer que eu o veja, é claro!” Ela pensou e então se lembrou da venda. Ela rapidamente a colocou.

Isso fez com que ela ficasse ainda mais nervosa. Carolina conseguia ouvir tudo.

Som de tecido e, então, a cama começou a afundar e ela sentiu a presença dele por cima dela. Ela estava deitada.

— E-eu… eu nunca…— Ela gaguejou. Carolina havia se guardado para o homem com quem amaria e se casaria. A primeira parte, infelizmente, não foi como ela planejou.

Máximo parou de se mover instantaneamente. Ele tinha visto Carolina pelas câmeras, apenas, e a achou muito bonita. Mas ele não queria que ela o visse. Ele estava horrendo e ele temia que, se ela o visse, eles não consumariam o casamento.

Ele achou que tudo poderia acontecer bem rápido e com sorte, ela ficaria grávida já na primeira vez. Não que ele não tivesse se sentido atraído por ela, mas fazer daquela maneira era, de certa forma, humilhante para ele e para ela. Ao saber que ela ainda era virgem, ele teve que respirar fundo. Não seria rápido.

— Ok — Ele respondeu de maneira que, para Carolina, soou sexy. Ele colocou a mão na perna dela e ela deu um pulo — Calma, eu vou tentar ser o mais delicado possível.

Ela concordou com a cabeça.

E ele cumpriu a promessa, beijando o corpo dela, mas quando ela tentou tocá-lo, ele segurou os pulsos de Carolina.

— Não. Não encoste em mim. Mantenha as mãos no colchão e deixe que eu cuido do resto.

— Mas..

— Carolina!

Apesar de ser um tom mandão, não foi grosseiro. Carolina suspirou e concordou com a cabeça, incerta se ele podia enxergá-la.

Ela sentiu cada toque e estava muito nervosa. Ele não a beijou na boca, mas do pescoço para baixo, não sobrou nenhuma parte sem que os lábios quentes e macios dele encostassem.

Na manhã seguinte, Carolina acordou sozinha, e já no quarto dela. Ela se moveu para sentar e se sentiu dolorida. Apesar do marido ter sido gentil, em um determinado momento ele parecia um animal, tendo inclusive pedido desculpas a ela por isso.

Ela olhou para o teto e sorriu. Ele havia beijado o corpo dela e ela corou ao se lembrar. Apesar de doloroso, foi também muito bom.

Assim que ela se levantou, viu uma caixa em cima da mesinha de cabeceira. Parecia uma caixa de guardar joias. Havia um bilhete.

“A noite foi maravilhosa. Aqui está o pagamento.”

O sorriso que antes brincava nos lábios de Carolina, sumiu. A expressão do rosto dela mudou para uma careta. Ela trocou de roupa, fez a higiene pessoal, pegou a caixa e saiu do quarto, furiosa, ignorando o incômodo entre as pernas.

Enquanto Carolina dormia, Máximo procurou pelo nome dela em algumas fontes e ficou sabendo sobre a história da mãe dela e como todos diziam que ela era fácil como a mãe. Isso só o fez ficar com raiva e foi exatamente por isso que ele a “pagou”. Ao menos assim, talvez ela não se envolvesse com outros homens. Ele não exigia amor, já que nem ele estava disposto a dar, mas ser corno, não!

O telefone dele tocou, era seu pai.

— Está gostando da vida de casado, meu filho? — Cesar Castillo perguntou, esperançoso.

Máximo se remexeu na cadeira e soltou uma risada.

— Nada mal. Acredito que, se tudo correr como o esperado, em breve saberemos se Carolina está grávida.

— Carolina? — Cesar perguntou, confuso.

— Sim, pai, a minha esposa. O nome dela é Carolina, não se lembra? — Máximo perguntou, sem paciência.

— Ah… — César parecia distante, mas não comentou nada. — Eu espero por boas notícias. Sua avó vai ficar eufórica!

O negócio fora feito para que Eloísa, considerada a beleza da cidade, se casasse com Máximo Castillo. No entanto, é óbvio que Eloísa jamais aceitaria não apenas um casamento com um homem que ela nunca tinha visto, mas um que todos sabiam estar deformado por cicatrizes.

A ligação terminou e César suspirou profundamente. Ele já deveria ter esperado por aquilo, porém, ficou muito irritado.

Dolores estava arrumando uma almofada na sala.

— Dolores, bom dia. Onde está o meu marido, por favor? — Ela perguntou, tentando não ser grossa com a idosa que nada tinha a ver com aquilo.

Dolores arregalou os olhos e levantou a cabeça para olhar a patroa, assustada.

— Ah, bom dia. Ele está no escritório — Carolina começou a ir naquela direção — Senhora! Não vá!

Dolores foi atrás.

— Eu preciso falar com ele — Carolina disse, sem parar de andar.

— Senhora, ele não vai gostar…

— Dolores, ele me tratou mal e ele vai ouvir!

Dolores concordou com a cabeça e ficou parada.

— Bata antes, por favor! — Foi tudo o que ela disse e Carolina fez que sim com a cabeça.

Ao chegar em frente à porta dele, ela bateu, com uma certa força.

— Quem é? — A voz de Máximo soou e Carolina ficou com mais raiva.

— Sou eu! — Ela esbravejou — Carolina!

— Vá embora!

Ela olhou para a porta, de boca aberta.

“Mas… ele é muito atrevido!”

Carolina tentou abrir a porta, mas ela estava trancada.

— Máximo Castillo! — Ela bateu com força, novamente.

— Eu disse para ir embora! — Ele repetiu.

— Pois abra essa porta, agora!

Ele não respondeu nada, mas logo, dois homens entraram no casarão e se aproximaram dela.

— Senhora, o patrão pediu para a senhora sair da porta do escritório dele.

O homem mais alto, com um chapéu na cabeça, falou, gentilmente.

— Eu não vou sair até que ele fale comigo — Ela disse educadamente ao homem e se virou para a porta — Você é homem para dormir comigo e para me mandar esse bilhete, mas não é homem para falar comigo cara a cara?

Os homens arregalaram os olhos e se entreolharam, pois ninguém falava com o patrão deles daquele jeito.

Barulho de dentro do escritório, a chave foi virada e Carolina viu a maçaneta girando.

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