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Capa do romance Um bebê para o filho do CEO falecido

Um bebê para o filho do CEO falecido

Ivy desperta em um hospital sem qualquer lembrança de sua identidade ou passado. As únicas pistas que possui são alarmantes: ela estava em um relacionamento com o herdeiro de um império do petróleo no Texas, ambos foram sequestrados e o rapaz acabou morto. Agora, carregando no ventre o filho de Zack, ela precisa lidar com o luto e a incerteza. Em meio ao caos, surge um dilema inesperado ao sentir uma atração proibida pelo avô de seu próprio bebê.
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Capítulo 2

Já acordou com a sensação de ter alguém te olhando?

Ainda meio que sonolenta, tive essa “sensação”, demorando para perceber um vulto parado perto da janela.

Meus olhos não estavam tão inchados como no dia anterior, mas minha visão continuava limitada.

- Quem é você? – pergunto na dúvida de ser algo da minha mente.

O vulto solta o ar dos pulmões.

- Lucius Cesarini – A voz máscula grossa, chegou aos meus ouvidos firme.

Aquele nome estava longe de me parecer familiar.

- É médico?

Ele ri pelo nariz.

- Não – Sua voz é suave – Sou o pai do Zack – Ele faz uma pausa, como se esperasse que dissesse alguma coisa. Mas o quê?

Quem era ele? E este tal de Zack?

Batidas repentina na porta, me fazem virar a cabeça na direção, vendo dois vultos ao lado da porta.

- Sr. Cesarini – diz um homem – Não esperava o ver aqui. Meus sentimentos.

Lucius respira fundo.

- Obrigado.

Um dos vultos da porta se aproxima da cama, tentando ficar no meu campo de visão.

- Sou o policial Rogers. Vim fazer algumas perguntas, tudo bem?

O quê um policial iria querer comigo?

- Tudo bem.

- O.k. Pode me dizer seu nome?

- Eu não sei meu nome – digo de imediato – Não faço ideia do que aconteceu ou de como vim parar aqui.

- Então não se lembra de nada do que aconteceu? – O outro vulto pergunta surpreso.

- O que aconteceu? – questiono, começando a me sentir nervosa com todo aquele suspense – Se sabem alguma coisa sobre mim, digam – Aquela frase acaba por soar como uma súplica – Por quê não sei nada sobre mim – digo baixo.

- Você foi sequestrada – A voz de Lucius soa – Junto com meu filho.

- Se lembra disso? – diz o policial Rogers em seguida.

Sequestro.

A palavra ecoa na minha mente, buscando alguma lembrança. Porém, nada surge, nenhuma explicação.

- Como assim, sequestro?

- Encontramos você num porão de uma casa no interior, junto com o filho do Sr. Cesarini.

Respiro pelos lábios entre abertos. Como uma pessoa não conseguia lembrar de ter sido sequestrada?

- ... não me lembro – sussurro contendo as lágrimas – Talvez... Talvez... o filho dele saiba explicar o quê aconteceu – digo rapidamente – Não acho que eu vá conseguir.

- Meu filho está morto – diz Lucius, atraindo minha atenção, apesar de não enxergar ele – Mataram ele antes da polícia chegar e acredito, pelo estado que está, que tentaram o mesmo com você.

Meus lábios tremulam.

- Qualquer coisa que conseguisse lembrar, seria de grande ajuda – diz o policial Rogers.

- Não lembro de nada.

- Precisa lembrar de alguma coisa, para aprendermos o culpado da morte de Zack Cesarini – insiste.

- Eu não lembro de nada – repito angustiada.

Ele solta o ar dos pulmões impaciente.

- Você não está entendendo, tem um assassino solto.

Pressiono minhas mãos contra meu rosto dolorido, numa tentativa de escapar daquela pressão.

- Policial Rogers – diz Lucius sério – Não está vendo que ela não lembra de nada? Se lembrasse, não pensaria duas vezes em dizer, já que tentaram matar ela também.

O silêncio se instala no quarto.

Haviam tentado me matar, por alguma razão. Me deixando sem nenhuma memória.

- Meu filho está morto e mesmo que eu vire o Texas der ponta cabeça, ele não irá voltar – Lucius continua – Então, peço que a deixem por enquanto.

- Como preferir, Sr. Cesarini. Só estamos tentando encontrar o culpado deste crime brutal – diz o segundo policial.

- E agradeço por isto.

- Desculpe qualquer inconveniência – diz o policial Rogers, antes de sair do quarto.

Tiro as mãos do rosto, desejando que o fluxo do oxigênio no cateter nasal aumentasse, para que pudesse respirar melhor.

- Quer que eu chame o médico? – Lucius pergunta, próximo da cama. Não dava para acreditar que o filho dele estava morto e ele ali falando comigo – Precisa me dizer, não consigo adivinhar – Foi então que lembrei que estava chorando na frente de um desconhecido – Está sentindo dor?

- Sinto muito pelo seu filho – murmuro com a voz trêmula.

- Também sinto.

Mais lágrimas escorrem pelo meu rosto.

- Não fazem mesmo ideia do que aconteceu?

- Não – Sua voz se mantém firme, mesmo tendo uma mulher em prantos na frente dele, se achando culpada pelo o quê nem sabia – Ele estava indo me encontrar e depois de cinco dias, só o vi morto – Meu choro praticamente duplica e me sinto triplamente mal. O milagre que havia acontecido em mim, deveria ter acontecido com Zack.

Não tinha uma sensação muito boa, ao pensar na palavra sequestro. Me arrepiava toda, meu coração apertava e uma grande angústia se instalava mais dentro de mim.

- Para de chorar – Ele repreende de um jeito manso- Pelo o quê deu para entender, você também foi uma vítima – Ele inspira profundamente – Não se culpe por não lembrar agora do que aconteceu.

Era fácil dizer. Ele tinha a memória dele, ruim ou não.

Eu não tinha nem isso!

- Vou deixar você... descansar – diz hesitante, caminhando em passos rápidos até a porta, se detendo – E me desculpe por... jogar toda essas informações sobre você – Deveria dizer que estava agradecida por ele me dizer algo sobre mim, mas não consegui. Lucius foi embora e continuei com minha angústia sem motivo “aparente”.

Algum tempo depois, ouço batidas na porta e o perfume do Dr. Schultz chega no meu nariz.

- Como você está? – pergunta folheando alguma coisa.

- Minha memória ainda não voltou.

- Estou esperando o resultado dos exames. Deve se manter calma e não pensar muito nisso, talvez volte quando menos esperar – Havia sido muito reconfortante, doutor – Não vim falar necessariamente da sua memória e sim sobre seu rosto.

- O quê há de errado com meu rosto?

Ele solta o ar dos pulmões.

- Você terá que fazer uma cirurgia plástica, para fazer alguns reparos.

- Como assim? Meu rosto não irá voltar ao normal? – A hipótese do meu rosto não voltar ao normal e de me perder dentro de mim, era ainda mais desesperador.

- Sinto muito. Se não intervirmos, continuará irreconhecível.

Então era assim que eu estava? Irreconhecível.

- Como vou saber se tenho outra família, se estiver com outro rosto? – questiono baixo – Como eles vão me encontrar?

- Acredito que a polícia fará de tudo para encontrá -los. Mas neste momento, precisa pensar nas consequências de não fazer essa cirurgia.

Só conseguia enxergar uma consequência: nunca mais descobrir quem eu sou. Perder minha identidade visual.

Não podia aceitar aquela cirurgia e esquecer de vez que eu deveria ter um passado.

- Eu não quero fazer essa cirurgia.

- Mas...

- Meu rosto vai voltar ao normal! – interrompo ele – Só preciso esperar mais um pouco.

O médico absorve as palavras, suspirando.

- Volto depois, está bem? Pode usar este tempo para pensar melhor – Minha vontade era gritar que não precisava de um tempo para pensar. Mas aí poderiam me levar para algum sanatório, acreditando que era louca.

Só precisava me manter convicta da minha decisão.

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