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Um Bebê Inesperado para o Subchefe

Matteo Corleone, o calculista subchefe da máfia, precisa assumir o lugar do irmão em um casamento forçado com Bianca Romano para evitar uma guerra. Fugindo do tédio de sua despedida de solteiro, ele acaba ilhado em uma tempestade com Cecília, uma mulher peculiar que resgata um pato na estrada. Após uma noite intensa em um motel, o destino do mafioso muda drasticamente. Agora, entre um teste de gravidez e o crime, Matteo verá que nem tudo pode ser controlado.
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Capítulo 1

Aurora

A primeira coisa que percebi ao acordar foi o cheiro.

Um cheiro bom. Um cheiro absurdamente bom. Uma mistura de couro caro, uísque envelhecido e… algo que só podia ser descrito como decadência sexy.

A segunda coisa que senti foi o calor.

Havia um braço pesado jogado sobre a minha cintura, o corpo quente e sólido de alguém colado às minhas costas. E não era qualquer braço. Era um braço masculino, firme, com uma mão grande que parecia ter vida própria, repousada perigosamente perto da minha barriga nua.

Nua.

Essa palavra piscou como um letreiro de néon na minha mente. Eu estava nua.

O choque me atingiu como um balde de água fria. Meu coração disparou. Engoli em seco.

Devagar, Aurora. Talvez esteja sonhando.

Com muito, muito cuidado, virei a cabeça.

E então o vi.

O homem mais bonito que já tinha visto na vida.

Cabelos com cachos largos bagunçados, uma barba por fazer que dava vontade de passar a mão só para sentir a textura, cílios longos que seriam considerados um crime em algumas partes do mundo e lábios cheios, entreabertos num suspiro tranquilo.

Se Adônis existisse de verdade, ele estava deitado na minha cama.

Não é minha cama, meu cérebro gritou. Olhei ao redor.

O quarto era imenso, decorado em tons de bege e dourado, com cortinas pesadas e uma varanda aberta que deixava a brisa quente da manhã entrar. Um lustre de cristal brilhava sobre nós.

Definitivamente não era o meu apertamento minúsculo.

Definitivamente não era minha vida.

Meu estômago deu um nó.

— Ok, Aurora — murmurei baixinho, tentando não surtar —... respira. Respira. Talvez… talvez só seja um sonho.

Nesse exato momento, o Adônis se mexeu, resmungando algo em italiano — uma palavra arrastada e gutural que soou terrivelmente sexy — e me puxou ainda mais contra ele.

Senti.

Senti cada músculo duro dele, cada centímetro quente e… oh, céus, aquilo definitivamente não era um sonho.

Me encolhi como um gato assustado, tentando sair de fininho debaixo do braço dele.

Foi quando ele abriu um dos olhos.

Um olho escuro, profundo, perigoso.

E sorriu.

— Buongiorno, mogliettina — disse com a voz rouca, ainda carregada de sono.

Mogli-quem?

Pisquei, tentando traduzir.

— Hein?

Ele deu uma risadinha preguiçosa, como se estivesse se divertindo com a minha expressão de pânico.

— Bom dia… esposinha.

Esposinha... Esposinha?!

Sentei tão rápido que quase desloquei a coluna, agarrando o lençol para cobrir meu corpo nu. O movimento arrancou um gemido de protesto dele, que rolou para o lado com preguiça felina.

— Ah, não — murmurei, encarando o teto como se fosse desabar sobre mim — Isso não está acontecendo. Isso não está acontecendo!

— Está acontecendo — ele disse, esticando-se todo, braços para trás da cabeça, exibindo um abdômen de revista de academia. — E aconteceu bem gostoso, se você quer saber.

Eu quis morrer. Ou matar alguém. Ainda não tinha decidido.

— O quê… O que a gente fez? — minha voz saiu aguda de puro desespero.

Ele me olhou com um sorriso malicioso.

— Acho que o termo técnico é: consumação matrimonial.

Abri a boca. Fechei. Abri de novo.

Nada saiu.

Calma, Aurora. Você é adulta. Já viu coisas piores. Tipo aquele coworking de freelancers onde serviam café com gosto de detergente. Você sobreviveu aquilo. Você sobrevive a isso também.

— Quem é você? — perguntei, estreitando os olhos.

Ele piscou devagar, com aquele ar irritantemente autoconfiante.

— Giovanni Corleone. Subchefe da família Corleone. — Sorriu como se estivesse me dando boas notícias. — Prazer, cara mia.

Subchefe.

Família.

Eu podia não ser especialista em máfia, mas até eu sabia o que "família" significava nesse contexto.

Senti meu rosto perder toda a cor.

— Mafioso?! — gritei.

Ele deu de ombros, como quem diz: ninguém é perfeito.

— Só de leve.

Minhas mãos começaram a tremer.

— Nós… nós nos casamos?!

Ele assentiu, com aquela calma irritante de quem não dava a mínima para o apocalipse que estava se desenrolando.

— Ontem à noite. Depois de algumas tequilas… e talvez umas apostas.

Apostas.

TEQUILAS.

A imagem de um Elvis gordo com um microfone na mão piscou na minha mente.

— Ah, meu Deus. — Tapei o rosto com as mãos. — Eu me casei com um mafioso bêbado em Las Vegas.

Ele deu uma risadinha divertida.

— Tecnicamente, você também estava bêbada.

Levantei a cabeça, os olhos ardendo.

— Isso é péssimo. É horrível! Temos que anular! Imediatamente!

Giovanni se espreguiçou de novo, como se tivesse todo o tempo do mundo.

— Anular? — repetiu, com uma sobrancelha erguida. — Que feio, cara mia. Nosso matrimônio merece um pouco mais de respeito.

— Respeito? — esganiçei. — Eu nem lembro de ter dito "sim"!

Ele deu de ombros.

— Disse “porra, vamos nessa”, se quiser ser precisa.

Eu quis me enfiar debaixo da cama.

— Isso é um pesadelo — murmurei.

Olhei em volta, procurando minha roupa. Vi minha calcinha pendurada no abajur. Meu vestido estava amassado em cima de uma poltrona. Meu salto estava na varanda. Meu outro salto… bem, desaparecido em combate.

Suspirei fundo.

Foi quando vi o envelope dourado no chão. Me abaixei, tentando não derrubar o lençol, e peguei.

Certificado de Casamento – Elvis Chapel, Las Vegas.

Ali, em letras garrafais, estavam nossos nomes:

Aurora Isabella Martin e Giovanni Antonio Corleone.

Assinados.

Carimbados.

Oficialmente casados.

— Você assinou isso?! — gritei, mostrando o papel.

— Você também — ele respondeu, casual, apoiado nos cotovelos.

Eu fechei os olhos, respirando fundo.

— Certo — disse, tentando recuperar a dignidade. — Ok. Vamos resolver isso. Vamos cancelar, anular, destruir, apagar!

Ele bocejou.

— Depois do café.

— Café?! — Minha voz subiu duas oitavas. — Você acha que café vai resolver isso?!

Ele se levantou.

Nu.

Completamente.

Não tive nem tempo de desviar o olhar. Meu cérebro deu tela azul.

Meu Deus. Como é possível alguém ser tão... estruturado?

— Onde você vai?! — perguntei, com a voz esganiçada.

— Banho. — Ele sorriu de lado. — Se quiser se juntar…

— NUNCA!

Ele riu, desaparecendo dentro do banheiro.

Fiquei parada ali, tremendo, enrolada no lençol e agarrando o certificado de casamento como se fosse uma bomba relógio.

Foi quando um flash da noite anterior explodiu na minha mente.

A despedida de solteiro de Megan. Nós dois, rindo alto no bar do cassino. Ele apostando que eu não teria coragem de cantar no karaokê. Eu subindo no palco para cantar "Like a Virgin". Ele apostando que eu não teria coragem de me casar. Eu dizendo que casaria agora.

E depois, o Elvis gordo.

As alianças de plástico.

O beijo.

Meu estômago embrulhou.

Ele saiu do banheiro alguns minutos depois, de calça jeans e nada mais, secando o cabelo com uma toalha.

— Você lembra de tudo? — perguntei, incrédula.

— De quase tudo — ele respondeu, piscando. — Lembro que você jurou me amar e honrar… e depois tentou enfiar a língua no meu ouvido no altar.

Afundei o rosto no travesseiro e gemi de vergonha.

Ele riu de novo, aquela risada rouca e quente que fazia coisas perigosas com meu sistema nervoso.

— Vai ser divertido ser seu marido — disse, se jogando de volta na cama.

— Não vai ser meu marido! — rebati, me levantando com dificuldade, tentando agarrar minha calcinha do abajur. — Eu vou anular isso hoje mesmo!

Ele cruzou os braços atrás da cabeça, me observando com olhos semicerrados.

— Difícil.

— Por quê?

Ele deu um sorriso malicioso.

— Vegas só anula se não consumar.

Meu cérebro travou.

— Consum... o quê?

— Consumação. Sexo. Você sabe, aquela atividade que fizemos repetidamente ontem à noite.

Senti minhas bochechas pegarem fogo.

Ele se inclinou um pouco, a voz baixa e provocante.

— Posso até desenhar, se precisar.

— Idiota — rosnei, pegando minha roupa e correndo para o banheiro.

Antes de fechar a porta, ouvi sua última provocação:

— Mas se quiser tentar anular, cara mia... — sua voz era puro veneno doce —... podemos fingir que é a primeira vez. Só pra garantir.

Bati a porta com força, ouvindo sua risada ecoar.

Eu estava tão ferrada.

E foi aí que tomei a única decisão lógica: fugir.

Saí do banheiro já vestida — ou tão vestida quanto consegui — com o vestido amarrotado, os sapatos nas mãos e o cabelo parecendo um ninho de pássaro. Nem olhei para Giovanni, que estava largado na cama como um deus grego satisfeito.

Peguei minha bolsa, enfiei o certificado de casamento dentro dela e marchei até a porta.

— Vai aonde, mogliettina? — ele perguntou com aquela voz lenta e divertida.

— Para longe de você! — rosnei, abrindo a porta.

— Vai voltar, cara mia. Vai sentir saudades.

— Não vai acontecer! — gritei por cima do ombro, já atravessando o corredor em disparada.

Atrás de mim, ouvi a risada grave dele ecoando no quarto.

Sim, eu definitivamente estava muito, muito ferrada.

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