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Capa do romance Um Bebê Inesperado para o Bilionário

Um Bebê Inesperado para o Bilionário

Traída no altar, Vitória foge para Miami e vive uma noite intensa com o enigmático Christian. Após um grave acidente, ela é dada como morta e desperta sem memórias, ignorando que carrega um fruto daquele encontro. Enquanto reconstrói sua vida sobre mentiras de 27 anos, Christian a procura incessantemente. Entre segredos sombrios, vingança e a descoberta de sua verdadeira identidade, ela enfrentará um destino onde o passado e o presente colidem drasticamente.
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Capítulo 2

CAPÍTULO 2

UMA AUTÊNTICA VERGONHA

Narrado por Vitória

"Não te prendas a ninguém, se te soltarem vais cair"

Acordo com os tímidos raios de sol que teimam em invadir o meu espaço.

Estou deitada numa cama grande e fofinha, mas ao recordar a noite anterior, sinto o meu coração sangrar de dor, sangrar de desilusão.

Depois do pai do Patrick o levar lá para fora, eu não o voltei a ver.

Passado um pouco, o pai dele voltou a entrar no salão, mas nada do Patrick.

O pai dele disse que ele pegou no carro e saiu.

Desgraçado, nem teve a decência de saber como eu estou, depois de o apanhar a comer a minha irmã ali de bunda de fora no jardim.

Vou ter pesadelos para o resto da minha vida.

Ele sabe bem que eu estou de rastos, mas ele não quis saber e foi embora. Mas onde está o meu namorado e noivo atencioso? Aquele que sempre se preocupa comigo?

Foi sugado para outro planeta, só pode.

Acabei por dormir aqui mesmo, na casa dos pais dele, num dos quartos de hóspedes.

A sua carinhosa mãe, não me deixou ir embora no estado em que eu estava.

Eu acabei por aceitar, não tinha forças sequer para me mexer e nem sabia para onde ir.

Voltar para a casa dos meus pais nem pensar, isso estava fora de cogitação. Não conseguiria olhar sequer nas caras de pau deles.

Levanto-me e visto uma roupa que vejo ali em cima de um pequeno sofá, impecavelmente dobrada.

É um vestido azul claro. Decerto é da mãe daquele idiota.

Ao vestir percebo que está um pouco, mas não muito, largo. Mas devido à situação, está até muito bom.

Saio do quarto e desço ao andar de baixo e ao entrar na sala do café da manhã, vejo apenas o pai e a mãe do Patrick, mas nada dele.

A mãe dele levanta-se de imediato e me pede para me sentar à mesa e tomar o pequeno almoço com eles.

— Anda cá, Vitória, come qualquer coisa.

— Eu já fiquei tempo demais, eu preciso ir. — lhe digo.

— Mas minha querida, ninguém pode sair sem comer alguma coisa.

Eu sento-me então no lugar que ela me indica.

Não tenho fome, não consigo comer nada quando estou nervosa.

— Vitória, — o pai do Patrick chama a minha atenção — tu e o Patrick precisam de conversar. O que aconteceu ontem é muito mau para os negócios, saiu em algumas manchetes da manhã. Uma autêntica vergonha.

— O único culpado por toda esta situação são apenas duas pessoas, o seu filho e a minha irmã — falo triste e revoltada.

Eu aqui desolada e ele preocupado com o que saiu na merda das revistas?

— É verdade, tens toda a razão, mas não deixa de ser um problema, um enorme problema. E por isso, estava aqui a pensar se não podias esquecer isso e dizer que não foi bem assim que aconteceu.

Eu olho para ele, não querendo acreditar no que ele me está a pedir.

— Foi o seu filho que lhe pediu para me dizer isso? — pergunto abismada com a tamanha falta de consideração para comigo.

Ele não responde, porque ouvimos barulho na porta e ele entra.

Patrick claramente acaba de chegar a casa, sabe-se lá de onde, porque ele ainda tem o fato de casamento vestido.

— O meu pai tem toda a razão, podíamos dizer que tu tiveste um surto psicótico por causa de todo o trabalho que dá organizar um casamento, mas que não viste nada do que gritaste aos sete ventos que viste.

Ele fala aquilo despreocupadamente e senta-se ao meu lado na mesa.

Eu levanto-me de imediato me afastando, não quero sequer estar perto dele.

— Mas afinal quem és tu? Onde está o Patrick que eu sempre conheci?

— Sempre não, namoramos dois anos.

Eu sinto todo o meu sangue ferver e começo a andar para a porta.

— Patrick!! — a mãe dele o chama visivelmente desagradada com a sua atitude, mas ele nem parece a ter ouvido.

— Temos que falar o mais rápido possível com os convidados, para desmentir o que tu viste. — ele fala aquilo como se fosse o pedido mais normal do mundo.

Eu paro na porta e me viro para trás.

— Pois fica sabendo, seu idiota, que eu não vou desmentir nada, tu me traíste na nossa própria festa de casamento, com a minha irmã e agora vocês os dois, — olho para ele e para o seu pai — têm o descaramento de me pedir uma coisa dessas?? E já agora, onde tu tiveste toda a noite que nem tiveste a decência de saber como eu estava, depois do que tu fizeste? Foste a correr para os braços da minha irmã, ou para os braços de outra?

Ele não responde.

— Tu és um ordinário nojento.

E saio dali sem sequer olhar para trás.

UMA ÓTIMA IDEIA

Narrado por Vitória

"A ponte mais difícil de atravessar é aquela que separa as palavras dos atos"

Saio dali sem rumo, mas por muito que eu não queira tenho que ir à minha casa. Não tenho nada comigo, nem o que trago vestido é meu.

Apanho um táxi e depressa chego na minha casa.

Peço para ele esperar um pouco que vou buscar o dinheiro para lhe pagar.

Entro em casa e não vejo nem ouço ninguém.

Melhor assim.

Pego o dinheiro e vou pagar ao taxista.

Volto para dentro e vou para o meu quarto.

Olho para a minha mala de viagem, ali pronta num canto.

Hoje íamos de lua de mel para Miami, eu amo o sol, embora aqui seja um bom clima, mas gostava de conhecer Miami.

Desabo a chorar, deito para fora todas as frustrações. Fico ali nem sei quanto tempo, apenas a chorar, a lamentar a minha má sorte.

A minha irmã sempre foi uma cobra, nunca fomos umas irmãs chegadas, é estranho, mas ela sempre me deu patadas e eu sempre tentei me aproximar dela, mas ela dizia sempre que eu não era digna de me dar com ninguém. Que era um lixo.

Nunca entendi o porquê disso.

O porquê de todos eles me tratarem tão mal.

Nunca me senti nem amada, nem acarinhada por ninguém aqui nesta casa. Sempre foram rudes, grossos e antipáticos comigo.

Olho para cima da cómoda e vejo as passagens de avião ali.

Fui eu que as fui buscar na véspera do casamento.

Olho alternadamente para as duas passagens e para a minha mala feita e pronta para viajar, e de repente tenho uma ideia, aliás, uma ótima ideia.

Levanto-me, seco as minhas lágrimas e vou trocar de roupa.

Depois de estar pronta, pego nas duas passagens e as guardo na minha bolsa, chamo um carro de aplicativo, pego na minha mala de viagem e saio do meu quarto.

Ao passar na sala vejo ali a minha mãe.

— Que fazes aqui? Nem sabia que aqui estavas — ela diz indiferente.

— Não te preocupes mãe, já estou de saída — a informo.

— E o teu marido? Onde ele está?

Eu paro perto da porta da rua e viro apenas o meu rosto para ela.

— Pergunta à tua querida filha, ela deve saber melhor do que eu onde ele está - respondo seca.

Abro a porta batendo a mesma com força.

Entro no carro de aplicativo que já ali está à minha espera e que me leva ao meu destino, Aeroporto Internacional de Austin-Bergstrom.

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